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Associação CASA fecha portas



Após seis anos de actividade o Centro Avançado de Sexualidades e Afectos no Porto fechou as suas portas.

Num lacónico comunicado os responsáveis da CASA fazem saber que se viram na obrigação de encerrar as portas da sua sede nacional. A Direcção da ONG portuense aponta como razões desta “atitude extrema” a “total falta de apoio e de vontade, por parte das entidades oficiais, governamental e autárquica”.

Recorde-se a associação foi responsável nos últimos anos por várias iniciativas dirigidas à comunidade LGBT do Grande Porto. Situado na Rua de Santa Catarina, o espaço físico da associação albergava vários serviços de apoio à comunidade LGBT, aos trabalhadores do sexo e a pessoas que vivem com VIH. Entre estes serviços regulares encontram-se consultas de várias especialidades, a Semana Queer, tertúlias, um grupo de teatro, um bar convívio e outras inúmeras actividades. Na sede da casa foram também filmados alguns programas de televisão regional. Nos últimos seis anos os dirigentes da CASA foram autores de várias campanhas de sensibilização e pela não discriminação de pessoas LGBT, com sida ou dadoras de sangue.

Recorde-se que em 2011 a associação portuense lançou a público acusações de “promiscuidade nebulosa” entre a organização da Marcha do Orgulho do Porto e a festa Porto Pride. Nas edições seguintes da Marcha do Orgulho LGBT do Porto a presença de elementos da CASA foi alvo de alguma controvérsia. Até que no ano passado a associação decidiu organizar a sua primeira Marcha Pela Igualdade na cidade do Porto.

Em 2010 a associação CASA foi distinguida com o Prémio Projecto Inovador pelo portal dezanove.pt.  Em 2013, o Tudo Vai Melhorar, projecto nascido no seio da CASA e entretanto autonomizado enquanto ONG independente, também recebeu o mesmo galardão.

Presidida pelo sexólogo Manuel Damas a associação tinha como lema “denunciar todas as formas de discriminação e lutar pela Universalidade do Direito à Felicidade”. 

 

Paulo Monteiro

 

2 Comentários

  • Pedro τέντωμα

    Coincidência ou não, o presidente da direcção emigrou há dias para Inglaterra.
    Quando a actividade de uma organização assenta na actuação de uma pessoa e até se confunde com esta, ao ponto de ser imprescindível, é mau, tanto para os que o rodeavam como para o próprio.
    Pode até nem ser o caso, mas não acredito em coincidências.

  • Pedro Dias

    TUDO VAI MELHORAR continua contudo, com mais força e empenho dos intervenientes, dada a autonomia que ganharam ao tornarem-se numa ONG autónoma e livre de quaisquer constrangimentos de qualquer natureza.

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