a saber,  opinião

Sergey Lazarev, és de que Rússia?



Leonardo Rodrigues é autor do blog “Leonismos“, um blog sobre isto e aquilo, que se vai escrevendo. Após ler aqui no dezanove.pt que Sergey Lazarev afirmou que os gays “podem sentir-se seguros na Rússia” decidiu escrever a sua opinião sobre o assunto. O texto foi publicado originalmente a 11 de Maio.

Não costumo pronunciar-me muito relativamente ao que se está a passar na comunicação social. No entanto, qual não foi a minha surpresa quando, a 11 de Maio, li uma notícia que dá conta de declarações feitas por Sergey Lazarev, o participante russo na Eurovisão. No seguimento de questões relacionadas com a vida dos homossexuais na Rússia, ouve-se: “são rumores”, “podem sentir-se seguros no nosso país”. Mentira, o rapaz tem passado demasiado tempo no ginásio. Para além de na Rússia terem sido implementadas leis “anti-propaganda gay” – signifique isto o que significar – , temos, em Portugal, prova viva de que assim não é. Essa prova chama-se Margarita Sharapova, uma escritora russa que pediu asilo político ao nosso país em Janeiro de 2013. O motivo? “A liberdade começou a ser sufocada quando Putin chegou ao poder. A máquina do Estado, lenta mas determinadamente, começou a voltar para trás, a lembrar os tempos soviéticos. Todos os meus livros voltaram a ser proibidos. Qualquer um dos meus contos, histórias, novelas sobre qualquer assunto, passaram a ser rejeitados pelos editores. Nos créditos dos filmes onde eu era argumentista, retiraram o meu nome. Tive vários prémios literários, sou membro a União de Escritores, mas o meu nome já não é possível de encontrar. (…) Eu amei uma mulher. Conhecia-a há muitos anos, desde os meus tempos de juventude no circo. Ela era acrobata. Nós passámos a ter muitos problemas depois de sair uma lei sobre propaganda gay. Uma vez fui atacada junto a um clube gay por um grupo de neonazis que me partiu o nariz. Um dia, após um festival de cinema LGBT, a minha companheira foi espancada pela polícia e pouco depois morreu. (…) Agentes (…) aconselharam-me a sair rapidamente do país porque poderia ser presa por qualquer motivo.” Nesta citação de uma entrevista dada ao Expresso fica tudo dito. A situação está tão má que se verifica uma segunda vaga de refugiados LGBT. Aproveito para dizer que a escritora aceitou o meu convite para participar numa entrevista, que deixarei brevemente aqui no blog. Confesso que sigo religiosamente o festival e que o russo estava nos meus favoritos. Contudo, não posso torcer por alguém que mente à imprensa internacional sobre uma temática tão sensível. Chamem-me anti propaganda russa. Em baixo deixo-vos o trailer do documentário “Olya’s Love” (2014), de Kirill Sakharnov, que deixa tudo preto no branco.

Leonardo Rodrigues

2 Comentários

  • Anónimo

    Na volta vocês fingem-se muito indignados mas, ao fim e ao resto, já todos perceberam que o que este Lazarev pretende é apenas propor o seu país ao prémio “Este País É Mesmo Uma Grande Palhaçada!”.
    Estão é com medo da competição, seus maganos…

  • Anónimo

    É o chamado homonacionalismo. São gays privilegiados que se recusam a criticar o seu próprio país, mesmo quando este é um desastre em termos de direitos LGBT como é o caso da Rússia. Estão mais preocupados com atrair turistas que depois esquecem-se dos riscos que esses mesmos turistas correm, já para não falar da comunidade LGBT local que é perseguida, agredida e assasssinada.
    Em Portugal temos os gays privilegiados que se dobraram perante a Igreja Católica quando o Bloco de Esquerda fez um “cartaz” que apenas pecava por não ter sido feito mais cedo e por não incluir a mãe de Jesus, que foi violada por Deus.

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