Este artigo contém spoilers!
Elite, a série espanhola de sucesso da Netflix, estreou a quinta temporada no passado mês de Abril. A nova temporada trouxe personagens novas e temas LGBT, com que os fãs da série já estão habituados a ver no colégio de Las Encinas.
Como anteriormente mencionado no dezanove.pt, Carloto Cotta veste o papel de Cruz, um famosíssimo futebolista estereotipado como o típico “macho alfa”, que organiza festas com muitas mulheres para se poder divertir. Consigo veio o seu filho Iván, protagonizado por André Lamoglia, que não acha muita graça à vida que o pai leva, uma vez que um dos desejos do rapaz era ter uma vida normal de pai e filho.
Iván capta a atenção de Patrick (Manu Rios), que na quarta temporada teve um caso com o casal Omar e Ander, e vão-se conhecendo. Neste processo, reparamos na fluidez de Iván que, apesar de afirmar que não é homossexual, tem comportamentos íntimos com Patrick no meio de uma das festas de Cruz, beija Ari, irmã de Patrick, e Samuel, namorado de Ari, noutra festa.
No entanto, quando Iván percebe que os seus sentimentos por Patrick estão a ganhar alguma dimensão, Cruz diz-lhe que isso “são coisas de jovens” e que ele devia ficar com uma rapariga. Aqui entende-se, em primeiro lugar, o preconceito sobre uma relação homossexual vindo por parte de um familiar, mas, por outro lado, o medo de perder uma pessoa que o faz realmente ser ele mesmo, uma vez que Cruz e Patrick também têm um caso.
É importante salientar o episódio cinco, onde Iván tem a sua primeira relação sexual com um homem, Patrick, que foi representada de forma tão terna e amorosa que nenhum fã de Elite não se tenha derretido.
Assim, Elite brinda-nos com um triângulo amoroso entre um pai, o seu filho e um colega de turma que vão descobrindo o que os atrai, quem eles são verdadeiramente e começam a eliminar crenças preconceituosas que antes tinham, tudo com naturalidade de forma a que o espectador se possa conectar com o argumento.
Agora resta-nos esperar pela temporada seis, já confirmada, mas sem data prevista.
Rita Vagueiro de Oliveira
Foto: reprodução Netflix



Um Comentário
Anónimo
Como se Patrick ou Ivan dessem bom nome à comunidade LGBT. Patrick é um psicopata que acha que todos querem ir para a cama com ele e se por acaso houver alguém que não lhe corresponda, ele continua a insistir, não respeitando o consentimento dessa pessoa. Foi o que Patrick fez com Ander, a quem disse que era mais perigoso dizerem-lhe que não do que dizerem-lhe que sim. São esses os valores que o dezanove defende? E claro, na lógica da Netflix (e que não acontece nem deve acontecer na vida real), Ander acabou por deixar-se levar por Patrick, terminando o seu relacionamento estável com Omar (esse sim merecedor de um artigo sobre “visibilidade gay” e com uma cena de sexo realmente “terna e amorosa”).
Na quinta temporada Patrick repete a façanha, mas desta vez com Ivan, um bissexual no armário. Patrick queixa-se de que “nenhum homem gosta dele” mas não consta que tenha aprofundado as relações que teve com outros homens, tendo uma preferência estranha por aqueles que não mostram interesse nele. Hipocrisia no seu melhor.
Ivan não é melhor pessoa que Patrick pois vai para a cama com a irmã de Patrick. Patrick vinga-se indo para a cama com o pai de Ivan (isto acontece na vida real… só que não). Ivan, cujo nível de hipocrisia iguala o de Patrick, fica ofendido.
Interessante ver os valores que o dezanove defende.