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CDS-PP e PSD querem retirar direitos a pessoas trans



Os grupos parlamentares do CDS-PP e do PSD deram entrada esta sexta-feira com dois projectos de lei que atentam contra os direitos de pessoas trans, iniciativas que seguem uma linha semelhante ao projecto apresentado pelo partido Chega, no passado mês de Janeiro.

O CDS-PP propoe a proição da “prescrição, dispensa ou administração a menores de 18 anos de medicamentos, terapias hormonais, tratamentos farmacológicos, ou de outra natureza, destinados ao bloqueio hormonal da puberdade ou à indução de características correspondentes a sexo diferente do sexo biológico do menor, em contexto de incongruência ou disforia de género.” A proposta, assinada pelos deputados Paulo Núncio e João Pinho de Almeida, prevê excepções para “casos de menores com comprovada ambiguidade sexual ou doenças endocrinológicas ou genéticas, devidamente acompanhados por equipa médica multidisciplinar”.

Em paralelo, o grupo parlamentar do Partido Social Democrata apresentou um projecto de lei que propõe a revogação da Lei n.º 38/2018, de 7 de Agosto, que consagra o direito à autodeterminação da identidade de género e expressão de género e à proteção das características sexuais de cada pessoa. A iniciativa do PSD prevê a reintrodução da Lei n.º 7/2011, que criou o procedimento de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil, mas com alterações. O projecto apresentado pelo Chega tem igualmente como objectivo alterar o regime actualmente em vigor, ainda que com algumas diferenças nas propostas concretas.

Relativamente ao procedimento de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil, os deputados Hugo Soares, Paulo Lopes Marcelo e Eva Brás Pinho propõem que tenham legitimidade para requerer o procedimento “as pessoas de nacionalidade portuguesa, maiores de idade e que não se mostrem interditas ou inabilitadas por anomalia psíquica, a quem seja diagnosticada incongruência de género”. O pedido deverá incluir um relatório que comprove o diagnóstico de incongruência de género, elaborado por uma equipa clínica multidisciplinar especializada, em estabelecimento de saúde público ou privado. O relatório deverá ser subscrito, pelo menos, por um médico e um psicólogo especialistas.

No que diz respeito à proteção das características sexuais, o projecto refere que “todas as pessoas têm direito a manter as características sexuais primárias e secundárias”. O texto não faz referência às disposições relativas a pessoas intersexo menores de idade, previstas na Lei n.º 38/2018 actualmente em vigor. A legislação actual estabelece que, salvo em situações de comprovado risco para a saúde, tratamentos ou intervenções cirúrgicas, farmacológicas ou de outra natureza que impliquem modificações nas características sexuais de menores intersexo não devem ser realizados até ao momento em que a pessoa possa manifestar a sua identidade de género.

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Foto: https://depositphotos.com/pt/

3 Comentários

  • Vitor Grade

    Convém esclarecer o que está realmente em causa. As propostas apresentadas não eliminam direitos das pessoas trans. O que propõem é rever o modelo atual de autodeterminação absoluta introduzido pela Lei n.º 38/2018, reintroduzindo avaliação clínica no processo de alteração de sexo no registo civil e estabelecendo maior prudência em intervenções médicas em menores. Este é, aliás, um debate que está a acontecer em vários países europeus e que envolve questões médicas, jurídicas e éticas complexas. Reduzi-lo a um “ataque a direitos” pode simplificar demasiado uma discussão que merece ser feita com serenidade e rigor.

  • Ema

    Vou por momentos tentar respirar fundo e ignorar o que o senhor Vitor Grade porque da minha identidade e das identidade das outras pessoas trans sabemos NÓS e os médicos não uma “corja” de senhores de gravata dentro do governo.

    A minha questão de veras importante e desde já agradecer ao Dezanove o trabalho que faz é, isto foi uma ou 2 propostas de leis, certo?
    Ou seja ainda não foi votado nem entrou muito menos em vigor, pergunto isto pois estou no inicio do meu tratamento hormonal (informação que não me importo de partilhar) e tinha apenas intensão de alterar os dados do CC a meio do ano, pois como me foi dito pelos profissionais de saúde que me acompanham deve ser feito quando a pessoa se sente confortável, ora com medo que esta situação piore e tal lei ou leis sejam aprovadas mais mês menos mês tenho eu de apresar algo que seria feito mas no seu tempo mais confortável.

    Obrigado mais uma vez equipa do Dezanove. E aos autores de comentários desagradáveis nem 50% das dores, duvidas e angustias que eu vive com apenas 25 anos eu vos desejo. Mas podem ter a certeza que 3 dias de diarreia eu vos desejo do fundo do meu ser.

    • jack

      Oi, Eu felizmente mudei antes de saber deste projeto mas aconselhava a mudar em breve se conseguisses em caso desta lei ser aprovada (o Chega e o PSD sao a maioria). Um relatório de um médico e de um psicólogo especialista é só burocracia para nos tramar a vida.

      > E aos autores de comentários desagradáveis nem 50% das dores, duvidas e angustias que eu vive com apenas 25 anos eu vos desejo. Mas podem ter a certeza que 3 dias de diarreia eu vos desejo do fundo do meu ser.

      same

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