Depois de conquistar salas por todo o Brasil, o Gongada Drag prepara-se para atravessar o Atlântico e estrear-se em Portugal. Criado por Bruno Motta, o espectáculo junta algumas das mais conhecidas personalidades da cena drag e da comédia brasileira num formato onde o humor, o improviso e as provocações entre artistas são os verdadeiros protagonistas.
Mas afinal, o que é uma “gongada”?
A palavra poderá não dizer muito ao público português. No Brasil, “gongar” é uma expressão popular, especialmente dentro da comunidade LGBT, utilizada para descrever uma provocação ou crítica feita em tom de brincadeira. E é precisamente dessa ideia que nasce o espetáculo.
Em entrevista ao dezanove.pt, Bruno Motta descreve o Gongada como uma mistura de comédia, improviso, performance drag e muita irreverência.
“É um espectáculo de muito humor, deboche e improviso.”
A ideia surgiu quando percebeu que existia público para este tipo de entretenimento fora das discotecas e bares onde normalmente acontecem espectáculos drag.
“Percebemos que havia uma procura por este tipo de espetáculo num teatro, com horário marcado e uma produção mais cuidada.”
A aposta revelou-se acertada. O espectáculo rapidamente ganhou dimensão e tornou-se um dos fenómenos da comédia drag no Brasil.
Não é apenas um roast, embora as provocações entre artistas sejam uma das marcas do Gongada, Bruno Motta faz questão de esclarecer que o objetivo nunca foi criar um espectáculo de ataques gratuitos. Pelo contrário, antes de cada apresentação existe um trabalho de preparação onde são definidos os temas que os participantes preferem não abordar em palco.
“A gente só gonga quem a gente ama.”
A frase tornou-se quase uma declaração de princípios do espetáculo. Segundo o criador, o objectivo é celebrar a arte drag, a cultura LGBT e o humor sem reproduzir o tipo de violência que tantas pessoas da comunidade enfrentam no dia a dia. Essa combinação de irreverência e cumplicidade parece estar a resultar.
“Não tem um espectáculo de duas horas mais engraçado do que o Gongada hoje.”
Cada noite é diferente, se há algo que Bruno Motta garante é que nenhum espectáculo é igual ao anterior. Apesar de existir uma estrutura preparada, grande parte da magia acontece através do improviso. Novas piadas, respostas inesperadas, convidados diferentes e momentos completamente imprevisíveis fazem com que cada sessão tenha vida própria.
Por outras palavras: quem assistir a duas apresentações dificilmente verá o mesmo espetáculo duas vezes.
Convidados portugueses juntam-se à festa
A estreia portuguesa contará também com a participação de artistas nacionais. Entre os nomes já confirmados e surpresas que ainda estão para vir, encontram-se Joana Gama, Dagu, Alejandro Beauty e Diogo Faro, que se juntarão ao elenco em diferentes sessões.
Segundo Bruno Motta, esta é uma tradição do projecto. Sempre que o Gongada visita uma nova cidade, procura integrar artistas locais para criar uma ligação mais próxima com o público e tornar cada espetáculo único.
“Isso ajuda a ligação com o público e torna o espetáculo mais divertido.”
Um primeiro passo para regressar
Apesar de esta ser a estreia do Gongada em Portugal, Bruno Motta não esconde que o objectivo passa por regressar. Ao longo da conversa, falou várias vezes da vontade de continuar a trabalhar com artistas portugueses e de criar uma ligação duradoura com o público nacional.
Para quem ainda está indeciso, deixa apenas um conselho: ver alguns dos vídeos do espectáculo online e depois experimentar a experiência ao vivo.
“Muitas vezes um vídeo na internet parece melhor porque foi editado. No nosso caso acontece o contrário.”
E deixa a promessa final:
“Ao vivo é muito mais engraçado.”
As apresentações vão decorrer de 13 a 16 de Julho no Teatro Capitólio, em Lisboa, e a 17 de Julho, no Teatro Sá da Bandeira no Porto.
Os bilhetes já estão à venda nos locais habituais.


