Será Luís Montenegro o extremista, o coming out do ano? É a pergunta que ecoa hoje nos túneis do metro de Lisboa, na esquina de todas as ruas do país e nas cabeças dos portugueses e das portuguesas. Perante uma manifestação expressiva anti racista, anti xenofobia, anti sociedade securitária, é uma percepção popular válida, afinal, apelidar aqueles que batalham pela igualdade de extremistas posiciona por si quem o diz no obscurantismo dos resquícios extremistas da sociedade portuguesa.
Luís Montenegro parece assim assumir-se nas suas declarações recentes em relação à manifestação Não nos encostem contra a parede, como um ser superior, considerando que aqueles que lutam pela igualdade são extremistas. Fact check: o supremacismo é extremismo. Não nos é novo, a nós desprovidos de privilégios, cidadãos que têm de lutar para ter os mesmos direitos que os outros, cidadãos da direita à esquerda presentes na manifestação do passado sábado. Essa tentativa de lápis azul na nossa existência, rescreve a história, posicionando assim o “primeiro” Ministro como o “último” Ministro que nos representa, pelos menos a nós: “apenas” mais de 50’000.
Direitos humanos nunca foi nem nunca será uma questão de direita ou de esquerda, por mais que assim o tentem parecer os fracos de ideias e de pensamento, é no centro tridimensional que se encontra a igualdade. A bússola eleitoral sem Norte do primeiro ministro português e dos poucos que o seguem carecem de uma actualização de software que não é suportada pelo hardware do silenciamento e da opressão de outros tempos. Luís Montenegro e o seu coming out como extremista este sábado enfrenta hoje a luz do dia com lantejoulas baças e plumas empoeiradas que nem pela reciclagem poderiam ser salvas.
A incapacidade de escuta de Luís Montenegro reposiciona assim o “primeiro”ministro como “último” ministro, deixando os resquícios de direita moderada, que hipocritamente existiam, como uma simples parte errada dos livros da história contemporânea de Portugal.


