A jornalista e activista norte-americana morreu aos 92 anos. Figura central do feminismo da segunda vaga, Steinem defendeu os direitos LGBTQI+ e reviu publicamente posições que tinha assumido sobre as pessoas trans.
Gloria Steinem, uma das figuras mais influentes do feminismo norte-americano, morreu na quarta-feira, 2 de Setembro, aos 92 anos, na sua casa em Nova Iorque. A morte foi anunciada pela sua fundação, que informou que a activista morreu pacificamente, rodeada por pessoas próximas. A causa da morte não foi divulgada.
Jornalista, escritora e activista, Steinem tornou-se, a partir da década de 1960, uma das principais faces do movimento feminista nos Estados Unidos. Em 1971, esteve entre as fundadoras da Ms., revista que se tornou uma das publicações feministas mais influentes, e participou na criação de organizações como o National Women’s Political Caucus. Defendeu durante décadas os direitos reprodutivos, a igualdade salarial, a participação política das mulheres e os direitos civis.
A sua intervenção também se estendeu aos direitos LGBTQI+. Steinem apoiou a igualdade no casamento e, em 2008, foi uma das signatárias do manifesto Beyond Same-Sex Marriage, que defendia o reconhecimento de diferentes formas de família e relacionamento. A sua posição sobre as pessoas trans teve, contudo, uma evolução significativa: em 1977 escreveu de forma crítica sobre a transição de Renée Richards, tenista norte-americana e mulher trans.
Décadas mais tarde, Steinem reviu publicamente essa posição. Em 2013, num texto publicado na revista The Advocate, esclareceu as suas declarações anteriores, afirmou o seu apoio às pessoas trans e pediu desculpa pela dor que as suas palavras pudessem ter causado. Em 2020, voltou a posicionar-se contra medidas da administração Trump que poderiam eliminar protecções de direitos civis relacionadas com os cuidados de saúde de pessoas trans.
Steinem manteve-se politicamente activa até aos últimos anos da sua vida. Em 2013 recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, atribuída pelo presidente Barack Obama, e em 2021 o Prémio Princesa das Astúrias de Comunicação e Humanidades. O seu percurso deixa uma marca profunda na história do feminismo contemporâneo, mas também um exemplo de evolução política: a capacidade de rever posições e de alargar a luta pela igualdade à medida que mudam a sociedade e a compreensão das identidades de género.
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