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Pucking Around: o romance poliamoroso



⚠ ️ Alerta de spoiler: este artigo revela alguns elementos importantes da narrativa. 

Emily Rath escreveu o livro que promete deixar leitores sem palavras, com borboletas na barriga e, sejamos honestos, um pouco “horny”. 

Há romances que nos fazem acreditar no amor, e há outros que nos fazem questionar a ideia do que é o amor.

Publicado originalmente em 2023, o livro rapidamente encontrou uma enorme comunidade de leitores nas redes sociais, sobretudo entre os fãs de romances de hóquei, histórias spicy e relações fora dos modelos tradicionais. A premissa parece, à primeira vista, relativamente simples: Rachel Price é uma médica de medicina desportiva que começa a trabalhar com os Jacksonville Rays, uma equipa profissional de hóquei. O problema? Um dos jogadores é precisamente o homem misterioso com quem teve uma noite inesquecível em Seattle.

Mas Rachel não vai acabar num típico triângulo amoroso. Jake, Caleb e Ilmari acabam por ocupar lugares diferentes na vida da protagonista e, progressivamente, a história transforma-se numa relação poliamorosa. É aqui que Pucking Around se afasta do romance convencional e começa a fazer uma pergunta mais interessante: e se o amor não tivesse necessariamente de significar escolher uma única pessoa?

Romance “spicy”

É impossível falar de Pucking Around sem falar do seu conteúdo sexual, uma vez que o livro é muito explícito. A própria edição publicada pela Penguin apresenta-o como um romance “sexy”, inclusivo, poliamoroso e kink-friendly.

A sexualidade não aparece apenas como elemento de provocação. A relação entre as personagens obriga-as a conversar sobre desejo, limites, inseguranças, ciúmes e expectativas. O livro explora também aquilo que acontece quando uma pessoa percebe que os sentimentos que desenvolveu não encaixam naquilo que imaginava na sua vida.

A narrativa entra no território LGBTQIA+ através dos amigos Jake e Caleb. Jake começa por identificar-se como heterossexual, mas a proximidade emocional e sexual com Caleb leva-o a questionar essa identidade e, progressivamente, a reconhecer a sua atração por homens. A descoberta não acontece como uma transformação repentina, mas como um processo de questionamento daquilo que julgava saber sobre si próprio.

A relação entre Jake e Caleb é, talvez, uma das partes mais interessantes da história precisamente porque não está apenas relacionada com sexo. Os dois começam por construir uma amizade marcada pelas convenções habituais da masculinidade dentro de um ambiente desportivo. São colegas, amigos e homens inseridos num espaço tradicionalmente associado à força física, competitividade e heterossexualidade. À medida que a relação entre ambos se transforma, essas certezas começam a desaparecer.

Poliamor como centro da narrativa

Rachel não escolhe entre Jake, Caleb e Ilmari, como seria a norma de “um amor verdadeiro”. Apesar de ser uma proposta que pode causar estranheza, funciona como ponto de partida para uma discussão interessante. A história apresenta uma relação entre quatro pessoas que desafia a estrutura tradicional de um casal.

Isso não significa que Pucking Around seja um manual sobre poliamor, é sobretudo um romance de fantasia emocional, altamente sexualizado e pensado para entretenimento. Mas a sua popularidade ajuda a colocar relações não monogâmicas num espaço que durante muito tempo lhes foi negado: o centro de uma história de amor.

Uma representação que também merece crítica

O livro tem mais de 800 páginas e é precisamente aí que surge uma crítica: a história prolonga-se demasiado e a quantidade de cenas sexuais acaba por ocupar espaço que poderia ser utilizado para desenvolver melhor algumas personagens e conflitos.

Determinadas dinâmicas são pouco realistas e algumas personagens não têm o desenvolvimento emocional que a extensão do livro faria esperar.

E há ainda uma questão importante: relações poliamorosas não significam simplesmente juntar várias pessoas numa relação sexual. Envolvem comunicação, consentimento, negociação de limites, autonomia e responsabilidade emocional.

Pucking Around toca em vários destes elementos, mas fá-lo dentro das convenções de um romance extremamente fantasioso e “spicy”. Por isso, deve ser lido como ficção, e não como uma representação universal de como funciona o poliamor.

Vale a pena ler?

Depende muito do que se procura num romance. Quem procura uma história curta, realista e centrada exclusivamente no desenvolvimento psicológico das personagens provavelmente vai achar Pucking Around excessivo. Quem não gosta de romances com conteúdo sexual muito explícito também deverá passar ao lado.

Mas para leitores que gostam de romances de hóquei, relações poliamorosas, personagens queer e histórias que desafiam as regras tradicionais do romance, o livro oferece algo diferente.

O mais interessante não é necessariamente a quantidade de cenas ‘spicy’, os jogadores de hóquei ou sequer o drama romântico, é a ideia de que o amor não precisa de caber num único molde.

Num género literário onde tantas histórias terminam com duas pessoas a encontrarem “a sua pessoa”, Emily Rath decidiu colocar quatro pessoas na mesma equação, e obrigá-las a descobrir se existe espaço suficiente para todas.

Preparado para entrar no mundo mais picante do hóquei e descobrir se, afinal, no amor há espaço para mais do que duas pessoas?

⚠ ️Aviso de conteúdo: sexo explícito, linguagem sexual, relações poliamorosas, ciúmes, inseguranças e temas relacionados com descoberta da sexualidade. 

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ISBN: 9789895811496

Ano de edição: 07-2024

Editor: Quinta Essência

Páginas: 824

website oficial: Emily Rath Books

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