a cuidar,  a saber

Queremos PrEP em Portugal!



PrEP significa Profilaxia pré-Exposição e consiste na toma de um medicamento, um antirretroviral (usado para tratar pessoas que vivem com VIH), para prevenir a infecção em pessoas negativas. Vários estudos recentes demonstraram que, quando tomada devidamente, esta estratégia de prevenção tem uma eficácia perto dos 100%.

Ela consiste na toma de um comprimido diário, o Truvada® (que contém tenofovir e emtaricitabina), cuja acção no organismo é impedir que o vírus se ligue aos glóbulos brancos e se replique causando infecção por VIH. Existem efeitos adversos, como com qualquer medicamento, mas a experiência com o Truvada® é já muito extensa, uma vez que ele é usado também para tratar pessoas que vivem com o VIH. Nos EUA a PrEP foi disponibilizada para pessoas em risco de se infetarem, há mais de quatro anos. Os resultados são claros: 0 infecções novas entre aqueles que adoptaram a PrEP.

Em Portugal as novas infecções por VIH entre Homens que têm sexo com Homens (HSH) tem vindo a aumentar de forma preocupante. De acordo com dados do CheckpointLX e do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), a incidência do VIH nos HSH é de 3.36 em cada 100 por cada ano. Ou seja, em Lisboa, a cada ano que passa, mais de 3 em cada 100 HSH infectam-se de novo. Para além disso 80% dos HSH não infectados são elegíveis e poderiam beneficiar da PrEP, o que simultaneamente significa que 80% dos HSH têm um risco elevado de se infectarem. Em 2014, num estudo efetuado junto de HSH, 2/3 mostraram-se interessados em utilizar PrEP como estratégia de prevenção. O uso do preservativo não controlou a infecção por VIH em Portugal – é a nossa realidade – a PrEP vem ajudá-lo na sua tarefa. A PrEP não é para todos – é dirigida a pessoas de risco elevado e também uma escolha individual.

O sucesso da PrEP entre os HSH Americanos percorreu o mundo e os movimentos cívicos ligados ao VIH estão hoje na linha da frente reivindicando a generalização da PrEP. Em muitos países como o Reino Unido, onde a PrEP não está disponível, existem já redes de HSH seronegativos que importam Truvada® genérico da Índia e o tomam de forma “selvagem” – isto é, sem apoio de uma consulta médica, onde possam vigiar os efeitos colaterais desta medicação e realizarem o teste do VIH de forma periódica. A “PrEP selvagem” pode ser um perigo para a saúde de quem a utiliza mas é também um sinal que os HSH estão atentos aos riscos que correm e dispostos a fazer alguma coisa para os combater.

Já em 2015 a Organização Mundial de Saúde recomendou que a todas as pessoas seronegativas em risco de infecção seja oferecido o Truvada® como PrEP. No entanto, apesar da ciência, das autoridades de saúde mundiais e da experiência que já existe nos EUA, a PrEP continua a não estar disponível em Portugal. A imprensa já abordou o tema, as associações e movimentos da área do VIH já o discutem há alguns anos e até a ciência e a saúde pública Portuguesas já produziram observações e resultados do potencial preventivo da PrEP em Portugal. Mas as nossas autoridades de saúde continuam inertes. A sua passividade e recusa em distribuir PrEP em Portugal custa-nos a todos um pesado fardo: a cada dia, semana e mês que passam surgem novas infecções. Novas infecções é um eufemismo para nos referirmos a pessoas que vão viver o resto das suas vidas sob medicação crónica. São décadas futuras de antirretrovirais, consultas e análises clínicas que todos nós iremos pagar. E são mais possibilidades de resistências que o vírus pode adquirir.

Adiar a PrEP significa adiar o futuro e a possibilidade de pararmos esta epidemia. Sabemos que a PrEP não é o Santo Graal da cura do VIH – mas é mais uma estratégia para o prevenir! E com uma eficácia como nenhuma outra até agora! Queremos PrEParar o nosso futuro colectivo, queremos PrEP em Portugal.

 

Texto da autoria dos responsáveis pelo CheckpointLX

11 Comentários

  • Médico

    A actual estratégia de combate ao HIV em Portugal e em parte do Ocidente não funciona. Ponto. Defendo que as farmácias passem a vender os testes rápidos com preços acessíveis, e que seja simultaneamente criada uma rede de apoio para quem tiver teste positivo. O acesso aos testes deve ser anónimo. Defendo a disponibilização do Truvada como fármaco comparticipado. Pelo menos àqueles que têm maior risco: trabalhadores do sexo e companheiros de pessoas positivas. Idealmente, a disponibilização deve ser para todos os homens que fazem sexo com homens. Defendo ainda um plano de estudos sobre a sexualidade dos portugueses. Enquanto não houver uma cura, a prevenção é a única forma de pôr termo ao HIV. Será possível conseguirmos 0 novos casos num ano? Haja vontade de todos!

  • Anti-idiota

    O Senhor comentador Anónimo parece esquecer:

    1) que todas as pessoas têm direito ao Serviço Nacional de Saúde.
    2) há pessoas que foram infectadas sem saber através de um parceiro regular

  • Anónimo

    Era o que faltava, andarmos a descontar para subsidiar a promiscuidade.
    E porque não fazer o PrEP aos 10 milhos de Portugueses? Estamos todos sujeitos a ser infectados sem saber e através de parceir@s regulares.

  • Sero+

    O problema não está nas pesssoas sero+. Essas pessoas na maioria das vezes não são infeciosas e relações serodiscordantes não são tão perigosas quanto isso. A grande questão do VIH não é quem o tem, é quem o tem e não sabe!

  • Anónimo

    “Slut is a term for someone who is considered to have loose sexual morals or who is sexually promiscuous.”
    Esta tudo dito!

  • Anónimo

    Você faz ideia do quanto custa tratar DST’s em comparação com aquilo a que você chama “subsidiar a promiscuidade”? Então informe-se antes de dizer disparates.

  • Anónimo

    “tratar DST’s”
    Tens noção da barbaridade que escreveste?
    DST’s são promiscuidade!
    Usem camisinhas e larguem a SS.

  • Anónimo

    Com muito orgulho. Seja feliz no armário da abstinência. Pode ser que o ex-governador do Texas, um conhecido político virgem, o queira partilhar consigo.

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