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10 coisas que precisas de saber sobre o próximo Festival Eurovisão da Canção

Conchita Wurst - créditos Thomas Hanses EBU

Falta uma semana para a final do Festival Eurovisão da Canção. Este ano comemoram-se os 60 anos do festival e a festa vai fazer-se em Viena de Áustria. Uma das anfitriãs do certame será Conchita Wurst. O reinado da "Rainha da Europa" terminará agora?

O que tens de saber sobre esta tradição que se encontra na memória colectiva europeia e, sem sombra de dúvida, é o programa de televisão preferido dos Europeus?

 

 

  1. Datas

Para começar, as datas a reter são: terça-feira, 19 de maio (1ª semi-final), quinta-feira 21 de maio (2ª semi-final – é aqui que Portugal joga o tudo ou nada) e Sábado, 23 de Maio (final). Horas: Às 20 horas (apenas no caso de quinta e Sábado). Já sabes que em Portugal o Telejornal só muda de horário por duas razões na vida: jogos de futebol ou a Eurovisão. A 1ª semi-final será trasmitida em diferido a partir das 22:23 de terça-feira.

 

  1. Bilhetes

Estão esgotados há vários meses. Os mais caros para assistir nos melhores lugares do Wiener Stadthalle custavam 390 euros. Caso ainda estejas a pensar dar um pulo a Viena, podes sempre assistir nos ecrãs gigantes no exterior do pavilhão.

 

  1. Lema deste ano: Building Bridges

O festival pretende mostrar o melhor da música e cultura europeia e construir pontes entre os Europeus. Pontes entre países, faixas etárias, tradição e contemporaneidade – todos estes elementos apoiados por pilares de respeito e auto-determinação. O festival defende princípios como a paz e não permite músicas com mensagens políticas.

 

  1. … mas onde a economia, a política e o preconceito falam muitas vezes mais alto

Quem assiste especialmente à parte do televoto sabe que o ponto acima não é bem um retrato da realidade. As votações entre países vizinhos amigos são sempre esperadas e quase tão certas como a troca de pontos entre Portugal e Espanha, entre comunidades migrantes, o eixo Grécia-Chipre-Turquia, os Balcãs, os países escandinavos ou os ex-países da União Soviética. Mas a falta de aceitação por representações LGBT, a crise económica e os recentes conflitos na Europa mostram que há marcas que não se apagam apesar das boas intenções do festival. A Ucrânia não participa no evento por razões relacionadas com o conflito armado naquele país e a redução de votos entre este país e a Rússia ocorrida em 2014 é um reflexo disso mesmo. A Grécia esteve em risco de não participar por questões financeiras, tal como acontece este ano com Andorra, Bulgária e até de onde menos se espera… o Mónaco. O Líbano recusa-se a participar pois teria de cortar a emissão aquando da transmissão do seu (não reconhecido) vizinho Israel. Por essa razão, o país árabe não entra desde 2005 e não mostra pretensões de voltar. A Turquia também não participa alegando desigualdade no acesso dos Big Five (países que se qualificam automaticamente e dão a maior fatia para o orçamento do evento: Alemanha, Espanha, França, Itália e Reino Unido). Mas outras fontes referem que a abundante presença LGBT e de drag queens no festival estavam a deixar nervosos os responsáveis pela estação de televisão turca.

 

  1. O festival pode ajudar a eliminar preconceitos?

Depois de uma diva israelita transgénero em 1998 e uma drag queen barbuda austríaca em 2014 os finlandeses PNK podem ser os próximos artistas a ajudar a quebrar as barreiras do preconceito. A primeira banda punk a concorrer à Eurovisão integra elementos que sofrem de problemas mentais, seja autismo ou síndroma de Down. A sua participação em Viena está a ser encarada como uma ajuda para consciencializar os espectadores para os problemas que afectam as pessoas que se debatem com problemas mentais. À custa da participação no festival, a banda finlandesa conseguiu divulgar mais intensivamente o documentário “O Síndrome de Punk” que criaram em 2012. No documentário estes quatro punks mostram como trabalham numa oficina de trabalho gerida pela Lyhty, uma ONG finlandesa sem fins lucrativos de apoio a pessoas com problemas mentais. A banda já anunciou que entrará em palco tal e qual como costumam vestir-se no dia-a-dia. Razões de sobra para acompanhares o tema “Aina mun pitää”, que significa “Eu tenho sempre de…”.

 

  1. Os semáforos de Viena

Desde esta semana Viena conta com vários semáforos que ostentam casais do mesmo sexo. Os sinais luminosos mostram estes casais com corações e a ideia subjacente tem o objectivo de assinalar diferentes formas de amor e o respeito pela diversidade que o festival endorsa. Sobretudo DC. (Depois de Conchita).

Viena semáforos LGBT.jpg

 

  1. Portugal e a aposta em português

Portugal entra a jogo (em sétimo lugar) na segunda semi-final. A nossa representante é Leonor Andrade com o tema “Há um mar que nos separa”. Com uma voz poderosa e uma apresentação visual forte, a canção de Leonor transmite uma mensagem de amor entre duas pessoas que se encontram afastadas. Podes ouvir as diferentes versões do tema aqui. Portugal é o país que participou até ao momento em mais edições sem levar o troféu para casa. Ao todo, e desde António Calvário na Dinamarca em 1964, são 48 vezes.

Portugal continua a ser um dos países que não cede à esmagadora maioria que opta pelo inglês quando se fazer representar no evento. Dos 40 participantes este ano, apenas Portugal, Itália, Espanha, Finlândia, França, Montenegro e Roménia não cantam em inglês. 

Três perguntas: Fará sentido um concurso que promove o encontro e a partilha de culturas usar praticamente apenas uma língua? Será que dentro de uns anos o festival se vai passar a designar por “Anglovision”? Será que Portugal deveria arriscar cantar em inglês?

 

  1. As mulheres deste festival 

Não é a primeira vez (aconteceu em 2013 na Dinamarca), mas o festival vai ser apresentado por três mulheres: Mirjam Weichselbraun, Alice Tumler and Arabella Kiesbauer. A directora do canal estatal austríaco ORF, Kathrin Zechner, justifica a escolha enfatizando o forte e inspirador papel igualitário das mulheres na sociedade.

Conchita, símbolo de uma mensagem de respeito pela diversidade e liberdade artística, vai estar na Green Room a medir os nervos dos participantes que aguardam pelos desejados 12 “points” ou “points” (ler primeiro com sotaque inglês e depois com sotaque francês). “Conchita mandou uma mensagem ao mundo de luta pela auto-determinação e pelo respeito na Europa e no mundo”, disse Katrin Zechner. Será este o fim de um preenchido reinado de Conchita Wurst? Temos a certeza que não.

E um dos vídeoclipes mais vistos desta edição cabe à participante Elhaida Dani da Albânia que nos mostra apenas mulheres como protagonistas. (vídeo no ponto 10)

 

  1. O que é que a Austrália está a fazer neste concurso?

Em jeito de celebração por seis décadas de festival, a Austrália é o país convidado desta edição por manter uma tradição de transmitir o festival há 30 anos. Se Guy Sebastian ganhar, a 61ª edição ficará em solo europeu em país a definir. Para além da Austrália o festival é transmitido em dezenas de outros países por todo o mundo.

 

  1. O top 3 de visualizações no Youtube:

A Rússia lidera o número de visualizações com mais de 4,4 milhões. A Million Voices é interpretada por Polina Gagarina.

No segundo lugar está Elnur Huseynov com “Hour of the wolf” do Azerbeijão. São mais de 4,1 milhões de visitas para ver a balada de Elnur.

E o terceiro do top é ocupado por  Elhaida Dani da Albânia. “I’m Alive” recolhe mais de 3 milhões de fãs no Youtube.

 

Dia 19, 21 e 23 de Maio os ouvidos e os olhos da Europa vão estar em Viena. E nós vamos andar por lá para  te contar o que se passa.

 

Foto de abertura: Conchita Wurst - créditos Thomas Hanses EBU

 

Paulo Monteiro