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A história de Alan Turing deu um filme candidato aos Óscares

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Esta segunda-feira, 19 de Janeiro, na sessão das 21h30, na sala 4 do Monumental (Lisboa), estavam para aí umas oito pessoas, incluindo eu e quem me acompanhava. Isto não é bom, nada bom. Quando vamos a um restaurante que não conhecemos e este está vazio não entramos. É instintivo. O restaurante não inspira confiança. Com o filme “O Jogo da Imitação” (2014, “The Imitation Game”) de Morten Tyldum passa-se o mesmo.

O filme estreou no passado dia 15 de Janeiro e na segunda-feira seguinte, dia em que os bilhetes na generalidade dos cinemas são mais baratos, era este o cenário. Claro que não se pode medir a qualidade de um filme ou a de um restaurante através da afluência de público, mas dá que pensar. Dá que pensar visto que logo a seguir a “Grand Budapest Hotel” (2014, Wes Andersen) e “Birdman" (“A Inesperada Virtude da Ignorância”, de Alejandro González Iñárritu) o filme tem oito nomeações aos Óscares, entre elas, Melhor Filme, Melhor Realizador (Morten Tyldum), Melhor Actor Principal (Benedict Cumberbatch), Melhor Actriz Secundária (Keira Knightley), e Melhor Argumento Adaptado.

Durante o Inverno de 1952, as autoridades britânicas entraram na casa do matemático, criptoanalista e herói de guerra Alan Turing (Cumberbatch) para investigar um assalto. Em vez disso, Turing foi preso por ‘atentado ao pudor’, uma acusação que levaria à sua devastadora sentença por práticas homossexuais, que à altura era ilegal no Reino Unido – mal sabiam as autoridades que estavam a incriminar o pioneiro da computação moderna.

À frente de um grupo de académicos, linguistas, campeões de xadrez e analistas, Turing foi reconhecido por quebrar o até aí indecifrável código da Enigma, a máquina utilizada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial. Um retrato intenso e memorável de um homem brilhante e complicado, “O Jogo da Imitação” relata a história de um génio que sob extrema pressão ajudou a encurtar a guerra e, consequentemente, salvou milhares de vidas.

O filme é um engodo. Este biopic, disfarçado de thriller de guerra, numa luta contra o tempo, que percorre várias fazes da vida de Turing falha em muitos aspectos. Dá-nos tudo de forma certinha, sem falhas, faz apaixonar-nos por aquele homem estranho. A par de “A Teoria de Tudo” (2014, James Marsh), o filme está na lista dos britânicos candidatos aos Óscares (se bem que a película tem, sobretudo, capitais americanos). É aqui que reside o principal defeito e virtude de “O Jogo da Imitação”: o filme está demasiadamente formatado, não fugindo aos cânones, está preso dentro de si, dentro da sua máquina. Se não fosse essa formatação e a maravilhosa interpretação de Cumberbatch o resultado seria muito pior. À parte de algumas imprecisões históricas, faltou explorar ainda mais a angústia que levou Turing a cometer o suicídio e o "complexo de Deus" que os Aliados, nomeadamente os britânicos, tiveram, depois de saberem o que a máquina de Turing conseguia fazer.

No entanto, é um filme que vale a pena ver no cinema, já que se não fosse o brilhante Alan Turing, a nossa realidade computacional seria muito diferente. Benedict Cumberbatch, que aqui confirma ser um dos melhores actores da sua geração, é que merecia mais e melhor...

 

Classificação: 3 estrelas em 5

 

 

Luís Veríssimo

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