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A vida alucinante da Harry Louis, a ex-estrela porno que passou por Lisboa

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Harry Louis, nome artístico de Edgar Xavier, é uma das estrelas do mundo gay mais conhecidas no Brasil. O ex-actor porno saltou para a ribalta quando começou a namorar com o estilista Marc Jacobs. Nessa altura a imprensa não largava o casal, fosse na praia em Ipanema ou numa festa sofisticada em Nova Iorque. A relação terminou em Outubro de 2013. O actor fala da sua vida com uma transparência desarmante, o que o tem ajudado a manter na ribalta.

"Passei fome, cheguei a ficar três dias sem comer nada", contou numa entrevista a Marília Gabriela, em que revelou que, aos 17 anos, recém-chegado a Madrid, não teve outra alternativa que não a prostituição. Pouco tempo depois entrou na indústria da pornografia onde protagonizou 32 filmes. Agora dá a volta ao mundo como DJ e está a promover uma linha própria de roupa interior – depois de um negócio de chocolates e outro de jóias. Esteve em Lisboa, a convite da discoteca Trumps, numa noite de casa cheia. Segue-se a entrevista exclusiva de Harry Louis, sem censura.

 

dezanove: Como é a tua vida nos dias de hoje?

Harry Louis: É bem diferente do que era há oito anos quando comecei na indústria porno. Agora tenho uma carreira como DJ e empresário, com uma linha de roupa interior com o meu nome. Sou um business man, mais sério, mais maduro. Eu tinha uma grife de chocolates que está em standby porque todo o meu foco está agora na roupa interior. Acho gostoso explorar. O negócio das cuecas é o máximo porque uso todo o meu sex appeal e o meu passado no porno para transformar isso numa forma de ganhar dinheiro.

 

Depois de muitos anos a viver em Madrid, regressaste ao Brasil. Foi por causa de alguém?

O pior é que não. Na época eu estava com o Marc e fui para o Rio de Janeiro. O Rio me puxou e eu fiquei ali. Nos últimos anos aconteceu muita coisa no Brasil em televisão e apareceram trabalhos que sempre quis fazer e que consegui concretizar. Acho que estava com saudade da minha terra depois de quase 12 anos na Europa.

 

Neste momento estás com alguém?

Agora? Não. Estou solteiro na pista.

 

O que aconteceu ao rapaz que pediste em casamento em directo numa televisão em Espanha no ano passado?

Menino, pois é. Eu sou para casar. O meu passado na indústria porno não me define. Na altura estava muito apaixonado por um cara e pedi-o em casamento numa televisão nacional em Espanha. Na verdade, não durou muito. Ele assustou-se com a história do casamento e disse que nãos estava preparado, que tinha apenas 25 anos e queria aproveitar a vida. Eu também quero aproveitar a vida, mas quero fazê-lo ao lado de alguém.

 

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Qual é o teu tipo de homem?

Eu não tenho um tipo concreto de homem. O meu último namorado era loiro. O meu ex-noivo era moreno, como eu, com a barba bem pretinho. O Marc [Jacobs] era complemente diferente. Posso dizer que gosto de homem, de atenção e carinho.

 

Nos filmes, com excepção de um, desempenhavas apenas o papel de activo. Na intimidade também és assim?

Na intimidade sou completamento open mind. Quando se está com alguém deve-se jogar de todas as maneiras. Nós gays temos essa oportunidade de experimentar por todos os lados. É bacana não se fechar.

 

O que aconteceu então para que nos filmes ficasses apenas com o papel de activo?

Por causa do meu pau.

 

Para quem não viu, o que tem de especial?

Para quem não conhece eu vou contar: é grande e grosso. É bonito e chama a atenção. Ainda por cima, a câmara engorda um pouquinho e engorda também o pau.

 

Não é tão grosso como nos filmes?

É. Quer ver? Não tenho nenhum problema em mostrar. Sou exibicionista. [risos]

 

Exibicionista em qualquer contexto?

Já fiz sexo em público em trabalho, mas não me envolvo em situações de perigo, como engates em carro.

 

Como foi o teu primeiro filme?

Era uma cena com seis caras. Era um mais lindo que o outro. Eu tinha 19 ano e eu não podia ver um homem que ficava logo de pau duro. Imagine o que era estar com cinco homens lindos, todos pirocudos. O realizador falou com eles cinco para irem tratar da higiene, menos para mim. Aí ele disse que ia usar meu pau porque era muito lindo. Fiquei frustrado na época porque eles iam dar e eu não. Depois de 10 ou 15 filmes, já estava consolidado como activo na indústria. Quando fiz a cena de passivo foi já no meu penúltimo filme.

 

Uma espécie de despedida.

Sim, fiz 32 filmes. Então foi o meu 31º filme. Me pagaram bem porque disse que se nunca tinha dado o rabo iam ter de me pagar bem.

 

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Porque decidiste deixar a indústria?

Estava a sair com o Marc, saímos seis meses escondidos, sem imprensa, sem assumir nada em público. Enquanto estive com o Marc fiz dois filmes, me senti meio desconfortável. Estar com o Marc pesou um pouco, mas a decisão maior foi justamente ter feito 32 filmes. Depois de 32 filmes você já vira figurinha carimbada. As pessoas já ficam cansadas, já viram cenas com esse cara e passam em frente. Tudo o que você faz na vida deve ser lembrado. Se tivesse continuado a fazer filme àquele ritmo, a esta hora já teria sido esquecido.

 

Como conheceste o Marc Jacobs?

Numa festa em Londres através de um amigo em comum. Fomos apresentados e acabámos no hotel dele. A relação começou ali mesmo. O Marc sempre foi incrível em relação aos filmes, nunca disse para parar ou desistir. O Marc está literalmente cagando para o mundo. Só se importa em ser feliz. Nós temos muitos amigos em comum na indústria porno. Ele conhece muiiiiiitos actores porno. Portanto, ele nunca teve problema com isso. Agora, quando estava a namorar nunca lhe ligava a dizer que tinha acabado de fazer uma cena num filme.

 

Quando se conheceram ele não sabia que eras actor?

Não, mas na primeira noite a gente conversou muito. Eu converso muito e o Marc também. A história dos amigos em comum acho que foi o que nos conectou, apesar de o meu mundo e o dele ser muito diferente.

 

Foi por causa disso que a relação não evoluiu?

Não, imagina! Foram dois anos incríveis para os dois, mas depois eu decidi ir para o Brasil. Em Londres era mais tranquilo, porque o Marc morava entre Nova Iorque e Paris. Para Paris são duas horas de trem e para Nova Iorque seis horas de avião. O Brasil é um pouco mais distante e eu estava muito focado nos meus trabalhos, com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. A gente acabou se distanciando. Hoje em dia somos óptimos amigos. Continuamos a falar.

 

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Havia preconceito das pessoas à volta por estares a trabalhar nessa altura na indústria porno?

Directamente não. Sempre fui bem recebido no meio social do Marc. Em todas as festas black tie que estive com ele, as pessoas que nunca pensei que iria falar um ‘oi’, que eu só conhecia dos filmes, me tratarem como um igual. E na altura estava tudo na imprensa. A foto da sunga do coração deu voltinha… As pessoas sabiam, mas nunca me trataram de maneira diferente. Lógico que tem hipocrisia social, mas isso há em todos os lugares.

 

Ser actor era como um trabalho, com problemas, ou era pura diversão?

Havia momentos que era muito gostoso, mas outros não. É assim como em qualquer trabalho em que você quer ser muito bom. Você se esgota em termos mentais e físicos. Às vezes são muta horas de filmagens e o companheiro de cena não ajuda.

 

Quando é que um companheiro de filme faz mau trabalho?

Quando não está limpinho para fazer a cena. Isso é um problema grande. Até fiquei nervoso. Preciso de acender um cigarro [acende um cigarro]. A história é tao dramática que tenho de contar.

 

A vida de actor tem então aspectos parecidos com a vida real.

Acontece de tudo. Já chegou actor para gravar comigo em que ele estava virado de tanta droga. O realizador mandou ele embora e veio um suplemente. Esse tipo de coisas esgota. Eu tinha um ritual de, antes dos filmes, não comer e não gozar por dois dias. Eu ficava comendo o mínimo para que na hora em que estivesse a foder não tivesse barriga. Num filme é preciso controlar abdómen, cara, piroca dura. Meu filho, é muita coisa. A parte boa era quando pegava caras gostosos. Uma vez peguei um alemão que me lembro até hoje.

 

Não o levaste para casa?

Eu fiz a cena com ele passivo, mas ele tinha um pirocão tão gostoso que disse a ele que tínhamos de ir para casa para ele me comer. Mas ele disse que não podia. Perguntei porque não e aí ele respondeu: “Se eu comer, gozo rápido”.

 

É um exemplo de que quem trabalha na indústria porno não tem de ser bom na cama.

Nem tudo o que parece é. A profissão é actor porno, actor. Quem vir os meus vídeos hoje vê que eu sou um veado como qualquer outro. Tenho três ou quatro jeitos. Quando estava na indústria porno tinha de manter o tempo todo a personagem do macho alfa, do macho fucker.

 

Não és assim na vida real?

Não. Sou feliz do jeito que eu sou. Na época tinha de manter essa postura porque as pessoas tinham essa fantasia. Hoje já não precisa, tenho outra profissão. As pessoas já me admiram por outra maneira que não só a do cara que está metendo a piroca. Tem caras que dizem: “Nossa, não sabia que a Harry era tão feminina, tão bicha”. Eu sou mesmo assim. Bora ser feliz, meu povo.

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Há pouco falavas de drogas, mas nas filmagens também precisavas de ajuda?

Viagra? Bem, na vida real você está no quarto e às vezes o negócio não funciona. Qualquer um brocha [perder erecção] por ene razões, seja nervosismo, cansaço. Imagine um set com seis a oito pessoas da produção: técnicos, cameramen e realizador a dizer o que fazer: “Põe a perna para cima! Se abre! Olha o ângulo! Tira um pouquinho a cabeça de fora!” Tudo isto nas posições mais desconfortáveis do mundo. Eu não fodo assim lá em casa. Mas eu também tinha cada cara passivo…

 

Então?

Uma vez me puseram um cara virgem que nunca tinha dado o rabo. Eu não sabia. Era o suplente de um cara que mandaram embora. O cara a certo altura estava correndo, mas ele tinha uns pneus e eu puxava para mim. Depois, no final, ele me disse que nunca tinha dado o rabo. Coitado. Fiquei com dó dele, porque eu fui muito bruto.

 

Qual a cena que mais gozo te deu fazer?

A última. Foi uma guerra de comida. Era uma discussão de casal entre dois homens muito bem vestidos. Levei com puré de batata na cara e dei com um bolo na cara dele. Transámos no meio da comida. Foi uma confusão.

 

Costumas ser muito abordado por jovens que querem entrar na indústria porno? Que conselhos dás?

Comigo deu certo, mas não encorajo, nem desencorajo. Eu tive a sorte de ter o apoio da minha família, que tem mente aberta e não liga para o que os outros dizem. Mas nem todas as famílias são assim.

 

Agora como DJ como és recebido? O que atrai o público é o passado de estrela porno?

Muitas das pessoas que vão a festa porque conhecem meu trabalho como actor, como modelo, como palhaço do Instagram. É bacana porque assim conhecem o outro lado do Harry e acabam admirando o meu outro lado do actual trabalho.