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Adrian de Berardinis: o Chef e a comida que nos excitam (com vídeo)

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Encontrámo-nos com o Chef Adrian de Berardinis em Lisboa depois de este ter passado por Madrid. A conversa decorreu entre garfadas e colheradas de comida. O encontro decorreu n'O Boteco, no Bairro Alto. E, no menu constavam várias iguarias da cozinha portuguesa: Jaquinzinhos Fritos, Açorda de Gambas, Amêijoas à Bulhão Pato e até um risotto italiano com sabores portugueses. O mote foi a vinda do The Bear-Naked Chef a Lisboa para a gravação de um dos episódios da sua série “Travel Edition”.

 

dezanove: O que te traz a Portugal?

Adrian de Berardinis: Eu sempre quis visitar Portugal. É um dos países sobre o qual tenho melhor ouvido falar: a maravilhosa cozinha, as pessoas e os homens. Sempre quis experienciar Lisboa. Em qualquer parte as pessoas dizem maravilhas de Lisboa.

 

De onde és?

Sou de Toronto, Canadá. Vivi lá durante a maior parte da minha vida, até aos 19 anos. Depois mudei-me para Nova Iorque, EUA, com a minha família. Vivi em Nova Iorque quase 20 anos e, há coisa de um ano e meio, mudei-me para Los Angeles. Estou a adorar a mudança.

 

O que estudaste na Universidade?

Estudei Comunicação. E trabalhei na área durante alguns anos até perceber que não era bem aquilo. Ajuda bastante para o meu programa. E ajudou bastante, a partir dessa altura, nas minhas aventuras seguintes.

A minha família está ligada à restauração e a salões de cabeleireiro. Portanto, nós temos restaurantes e cabeleireiros. Nós trabalhamos em ambos, cabelo e comida.

 

Quando é que te apercebeste que tinhas jeito para a cozinha?

Penso que foi quando saí de casa e fui para a universidade e comecei a cozinhar para mim e a experimentar os pratos que a minha mãe fazia para mim. E apercebi-me que tinha um grande interesse em cozinhar a comida que tinha comido durante o meu crescimento. Recriar esses sabores era para mim como recrear a minha casa. Recorria à minha memória, à minha memória gustativa, para recriar e aperfeiçoar essas receitas. E apercebi-me que quando cozinhava para outras pessoas, as pessoas gostavam do que eu cozinhava para elas.

 

Porque é que cozinhas despido? [The Bear-Naked Chef é um trocadilho com ‘bare’, que significa despido.]

Começou com um antigo namorado que eu tinha há uns anos. Levantávamo-nos e íamos fazer o pequeno-almoço juntos. Porquê vestirmo-nos? Não fazia sentido. Depois tornou-se praticamente num fetiche, era algo que eu fazia em casa, mesmo depois da relação ter terminado.

Apercebi-me que era algo que ninguém ainda tinha feito antes. Para mim cozinhar é algo extremamente sexy. É um processo muito sensual. Escolhem-se os ingredientes certos e dá-se-lhes a maior atenção e carinho. É algo como fazer amor quando se prepara um prato.

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Fazes amor com a comida…

Sim. Quando se come algo tem-se a nível cerebral uma experiência similar a quando se faz sexo.

 

Não é só o corpo ou o cérebro…

Todos os sentidos, são todos os sentidos, o cheiro, o paladar… Mas a parte do cérebro que é estimulada pela comida é a mesma que nos excita sexualmente.

 

O prazer que temos ao comer é o mesmo que temos quando fazemos sexo.

Exacto. Há uma conexão aí. Tem havido uma separação dessa parte para o público em geral. Nunca houve um programa de culinária que explorasse visualmente esse elemento.

 

…para além do filme “Nove Semanas e Meia”…

A cena de comida nesse filme é uma das minhas referências, uma das mais antigas, desde miúdo... o filme e, especialmente, essa cena. Refiro isso mesmo na biografia que tenho no meu site. Essa cena, para mim, tornou a comida sexual. Foi daí que retirei esse conceito.

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Cozinhas despido para os teus amigos ou só para o programa?

Só para o programa. Tenho uma empresa de catering em Los Angeles onde faço eventos para festas privadas e as pessoas têm-me pedido para cozinhar despido. No entanto, prefiro separar as coisas. Obviamente que há leis e regras que tenho que respeitar numa cozinha profissional.

 

Cozinhar despido tem-te trazido vantagens ou algumas desvantagens?

Em termos de ser aceite por todos… há pessoas que não se excitam, sobretudo os homens heterossexuais... talvez tenham medo. Pelo menos é isso que dizem, talvez fiquem excitados para si mesmos. A maior parte das pessoas que me vê são mulheres e homens homossexuais.

 

E na cozinha, tens alguma desvantagem ou é mais fácil cozinhar nu?

É óbvio que quando se está a cozinhar nu tem que se ter um maior cuidado.

 

Também tens o avental vestido.

Sim. Às vezes. (risos) Mas quando se lida com água quente, com óleo, com o forno ou com coisas que vão salpicar, tem-se um maior cuidado.

 

A câmara já alguma vez apanhou alguma coisa que não estivesse planeada?

Claro. (risos) O meu avental a cair! Às vezes quando me viro ou quando me baixo e vê-se tudo... Tenho que manter um certo nível mínimo de nudez, senão o Youtube classifica-me como porno. Como os vídeos não são restritos, são para o público em geral, tenho que manter um certo nível.

 

Os vídeos não são para maiores de 18 anos, não é?

Não. Se houvesse mais nudez sim. No Youtube é possível mostrar alguma coisa: rabos, mamilos (masculinos), mas não mamilos femininos.

 

Tens alguns patrocínios e/ou patrocinadores?

Não, ainda não. Isto é algo que fiz com dinheiro do meu próprio bolso. Contudo, recentemente fiz uma parceria com uma companhia multi-canais no Youtube. Basicamente é um parceiro do Youtube, com criadores para os canais do Youtube, com outro tipo de conteúdos. É uma parceria empresarial que irá gerar receitas para o meu canal. Espero que isto seja o início.

 

Estás no início desta jornada.

Sim, exactamente. Portanto, este é o meu primeiro projecto com essa empresa. E espero que traga crescimento. O meu objectivo é conseguir parcerias com empresas de produção alimentar. É complicado, porque encontrar a empresa de comida certa não é fácil, visto que depois há a associação da minha marca com a deles. E isso não é fácil.

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Já foste alvo de algum tipo de assédio?

Sim, já fui alvo de ataques homofóbicos de algumas pessoas no Youtube. Chegaram a enviar-me mensagens e fizeram alguns comentários maldosos nos vídeos. Uma espécie de ataques aos homossexuais. Eu simplesmente ignoro. Não dou muita importância.

 

E recebes muitas mensagens de amor dos teus fãs?

Sim, algumas. Recebo algumas mensagens com propostas para encontros amorosos, para cozinhar para algumas pessoas. O que é agradável, é agradável ouvir.

 

Para o teu ego é agradável, não?

Sim, para o meu ego é. O que mais gosto de ouvir dos meus fãs é que realmente vêem o programa pela comida. E experimentam as receitas e adoram. Isso é a coisa mais válida para mim, que as pessoas estão interessadas na comida.

 

Achas que o teu namorado tem ciúmes dessas propostas?

Não, claro que não.

 

Há quanto tempo namoram?

Por acaso é bastante recente, há alguns meses.

 

Já tiveram oportunidade de provar comida portuguesa? [Adrian viajou com o namorado.]

Chegámos ontem, já almoçámos e jantámos. Antes de vir fiz alguma pesquisa sobre alguns dos pratos mais tradicionais de Portugal. Claro que o peixe e o marisco são os mais famosos.

 

Vais cozinhar “Amêijoas à Bulhão Pato”, não é?

Sim. No episódio sobre a minha visita a Lisboa, cujas gravações na cozinha já foram filmadas, é o prato que vou preparar.

 

Tinhas a receita original?

Sim, tinha.

 

Suponho que para ti não seja difícil…

Não, não é. Tento que os pratos que faço no meu programa sejam fáceis. Que qualquer pessoa, mesmo que não cozinhe, possa experimentar fazer. Não gosto de fazer coisas muito complicadas. O meu conceito é que a comida sofisticada não tem de ser complicada a cozinhar.

 

Qual é o prato que mais gostas de cozinhar?

Isso é uma pergunta difícil. Tantas coisas… Realmente depende do meu estado de espírito para cozinhar. E depende dos sabores que quero naquele momento, se algo mais doce ou mais salgado.

Nasci e cresci a cozinhar e a comer comida italiana. O meu pai é italiano, nascido e criado, mudou-se com a família para o Canadá quando era adolescente. A minha experiência com a cozinha vem da minha avó. Aprendi a cozinhar a autêntica comida italiana com a minha família. Os sabores da Dieta Mediterrânica… penso que igualmente muito semelhantes aos da comida portuguesa.

 

E qual é o prato que mais gostas de comer?

Adoro bife. Gosto muito de carne vermelha. Como muita carne vermelha, na brasa e grelhada. É algo que também é muito fácil de fazer. Mas também gosto de ir a um restaurante e comer um delicioso e suculento bife.

Também depende… como e experimento o que estiver disponível, onde quer que esteja. Se estou em Portugal, vou comer muito marisco e peixe. E, claro, será muito fresco e delicioso.

 

A comida portuguesa também tem muitos pratos de carne…

Notei isso. (risos) É outra coisa que quero experimentar. Talvez me possas recomendar alguns restaurantes.

 

Quais são os teus planos para o futuro?

Espero que o meu canal no Youtube e a marca cresçam. Tenho sido abordado por algumas produtoras para tornar o “The Bare-Naked Chef” num formato para televisão ou para o digital – estilo Netflix – ou outro canal de media. Talvez um dia isto se torne num programa de televisão de hora e meia. Que incorpore todos os elementos, viagens e cozinha, que explore as cozinhas de outras partes do mundo. Foi por isso que iniciei este capítulo, esta série “Travel Edition”. Queria que, não apenas eu, mas também os meus espectadores me vissem na minha viagem pessoal de procura de outros tipos de cozinha. Não me quero manter apenas na comida italiana. Quero explorar outro tipo de cozinha de outras partes do mundo. Comida portuguesa, comida americana, comida francesa e claro comida espanhola, que foi onde comecei esta viagem. É uma forma de incorporar outras partes de mim próprio no programa e de também deixar entrar mais o mundo das pessoas no meu trabalho, mais do que estar apenas na cozinha.

Entrevista realizada por Luís Veríssimo