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Filipe Vieira Branco: "Sinto que tenho o dever de ajudar outras pessoas LGBTI"

Filipe Vieira Branco escritor.jpg

O escritor torrejano Filipe Vieira Branco tem 29 anos, já publicou o seu primeiro livro e decidiu assumir-se homossexual. Fica a conhecê-lo nesta breve entrevista:

 

dezanove: Por que tomaste a decisão de revelar a tua orientação sexual publicamente? Como o fizeste?
Filipe Vieira Branco: Não diria publicamente, mas quando decidi contar aos meus pais, foi porque não aguentava mais a pressão que era esconder isso deles. Era um sufoco, que estava a destruir-me. Era aquela sensação de estar preso e de precisar de liberdade. Por alguma razão lhe chamam 'armário'. Não é nada agradável estar fechado lá dentro. Depois disso fui contando aos amigos e familiares  mais próximos, até que concluí que não tinha que anunciar isso a toda a gente e que as pessoas teriam de perceber por si. Comecei a achar que isso não devia ser o meu cartão de visita, do género "Olá, sou o Filipe e sou gay". 
 
Como foram as reacções à volta desse assunto? 
As reaccções foram um misto de surpresa e de 'já sabia'. Os amigos apoiaram-me sempre. E a família também, de início principalmente a minha mãe e a minha avó. Sim, a minha avó até foi a primeira pessoa que teve coragem de sentar-se comigo e perguntar "Tu gostas de rapazes, não é?". Algo que eu neguei na altura, porque ainda não estava preparado. Depois quando eu mais tarde assumi, ela tratou-me com um 'eu sabia!!', e foi brutal. Esteve sempre do meu lado para me defender, principalmente porque o meu pai reagiu muito mal quando soube, custou-lhe muito a aceitar. Mas isso é algo que contarei com todos os pormenores num futuro livro, que já está escrito. No local de trabalho  nunca me senti discriminado por isso, muito pelo contrário até. 

É importante que os teus leitores saibam que és homossexual?
Não considero que seja o mais importante, pois a minha orientação sexual não é algo que me define completamente. No entanto, penso que há um dever da minha parte em ser absolutamente sincero naquilo que transmito aos meus leitores. Para além disso sinto que tenho também outro dever, que é o de usar o meu exemplo para ajudar outras pessoas LGBTI que podem passar pelo mesmo que eu e que podem precisar de alguém para quem possam olhar e dizer "Ele conseguiu. Eu também vou conseguir". 
 

Filipe Vieira Branco O dia em que nasci.jpg

O teu primeiro livro “O dia em que nasci” editado pela Capital Books não aborda essa temática. Podes explicar-nos melhor sobre de que fala o livro?

O livro conta a estória de um jovem, o Tomé, que vive acorrentado numa cave, preso pelo próprio pai. O Tomé não conhece nada do mundo, para além da casa onde cresceu, mas um dia um grupo de desconhecidos obriga-o a sair e a conhecer uma realidade desconcertante. A mensagem que quis passar foi a da emancipação dos jovens, no geral, e também de uma geração que não vê perspectivas de um futuro seguro. É engraçado que uma leitora comentou comigo que entendia a cave do Tomé como sendo o armário dele. E no fundo talvez eu tenha passado, de forma quase inconsciente, essa metáfora para o livro.

Pensas em escrever algum livro de temática LGBT?
Já está escrito. É o meu livro autobiográfico, que começa exactamente no dia em que cheguei a casa e contei aos meus pais que era gay. O livro passa por vários anos e fases da minha vida, sempre com essa base, pois existe a minha vida antes e depois desse dia. Esse foi um dia em que nasci, de outra forma. Este livro será publicado no decorrer do próximo ano, quando sentir que já estou preparado para o lançar. É uma história que tem muito sofrimento à mistura, pois passei por coisas terríveis, mas onde também há um lado cómico e irónico sempre presente. Estou ansioso para que possam ler. 

Qual a tua opinião sobre a literatura gay em Portugal? Existe? Não é suficientemente conhecida?
Existe, mas a um nível muito baixo. Ou pelo menos não lhe é dada a devida atenção. Talvez faça falta uma nova vaga de escritores mais jovens que saibam investir nessa literatura. Espero, de certa forma, ajudar nisso quando lançar a minha biografia. Esse livro tem tudo para despertar as mentes mais adormecidas deste país. E vou fazer o máximo para que isso aconteça. 
 

Podes seguir o trabalho deste escritor no Facebook: https://www.facebook.com/filipevieirabranco ou no seu blogue: http://filipevieirabranco.blogspot.pt/

 

Paulo Monteiro