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Kiko is Hot: “Já me atiraram pedras e copos, já ouvi tudo e mais alguma coisa. Mas não sou nenhuma vítima” (com vídeos)

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Francisco Soares, conhecido por Kiko is Hot, é um verdadeiro fenómeno de popularidade. Dá a cara em eventos e por marcas, já passou pelo "Curto Circuito" (SIC Radical), teve um programa na TVI (A Verdade de Cada um), e até já entrou num filme ("Ruas Rivais"), mas é na internet que é rei e onde tem uma legião de fãs.

No YouTube o seu canal tem 88 mil subscritores e os seus 100 vídeos já foram vistos mais de nove milhões de vezes. No Twitter, declara ser “o teu pior pesadelo” e está longe de ser uma figura consensual.

Em Maio, Kiko escrevia na sua página de Facebook: “Eu sei que não era o candidato ideal a uma 'estrela da internet', eu sei que estava destinado ao fracasso à primeira vista, a ser um José Castelo Branco de segunda liga, alguém que à primeira vista todos juravam que iria ser mais um daqueles ridículos com um vídeo viral e que ia acabar por cair no esquecimento...mas algo me disse para continuar, algo me disse que as pessoas um dia iam compreender. E hoje em dia posso dizer, francamente, que já não estou a lutar só por mim, estou a lutar por vocês. Cheguei a um ponto tão confortável da minha vida profissional e pessoal que não preciso de clichés para chamar a atenção, isto que vos estou a dizer é 100% como me sinto. O facto de com os meus vídeos, e com a minha maneira de ser e estar, ter conseguido mudar mentalidades ou de ter encorajado um rapaz ou uma rapariga a vestir aquela roupa que há tanto queriam vestir mas que tinham medo de ser gozados na escola, para mim, isso vale a pena todos os comentários de ódio, que ainda hoje recebo.” No Facebook Kiko tem 65 mil seguidores.

O dezanove.pt quis ficar a saber um pouco mais sobre este fenómeno de aspecto andrógino e como Kiko lida com aqueles que o atacam.

 

dezanove: Transformaste-te num fenómeno de popularidade no YouTube. Não primas pelo consenso, tens comentários de pessoas que te adoram e outras que te odeiam. O que pretendes com o teu canal?

Kiko: É verdade, sempre tive uma mão cheia dos chamados ''haters'', mas estou num ponto em que me sinto tão confortável comigo mesmo que são realmente as pessoas que me apoiam que se destacam, já não preciso de fazer certas coisas que chamem a atenção dos “haters” para ter mais popularidade, estou solidificado. Com o meu canal pretendo expressar-me, documentar o meu diário. 

Ao longo dos anos, porém, fui percebendo que o meu canal é uma escapatória para o adolescente no quarto que se sente deslocado, que se sente à parte do resto do mundo, e então passei a assumir também esse cargo, que é uma grande responsabilidade, daí fazer vídeos e mencionar por vezes essas questões, porque já não estou a fazer isto só por mim, agora estou a fazer por todos eles. Quero sempre passar e reforçar a mensagem que a individualidade é uma coisa boa, e não negativa.

 

Kiko is Hot CC.jpg

Fizeste um vídeo propositadamente a exibir os comentários de pessoas que te atacavam fortemente por causa da tua alegada orientação sexual. O que te levou a gravar esse vídeo? 

Esses vídeos em que exponho o ódio não servem para as pessoas sentirem pena de mim, nem me elogiarem, como muitos pensam. Servem sim para dar uma chapada na cara virtual a todos aqueles que já insultaram alguém pela internet, achando que não faria mal no meio de tantos milhares de comentários. Faz diferença sim. Pode ser a ultima coisa que alguém leia antes de pegar numa pistola e colocar na boca, como já aconteceu. O bullying é uma coisa real, e o cyber bullying também, com as suas devidas consequências. Pretendo consciencializar assim algumas mentalidades. De outra forma também bater o pé, e mostrar ao mundo que não são uma, cem ou mil pessoas que me vão fazer deixar de fazer isto ou aquilo. A vida é minha, as escolhas são minhas, e consigo viver bem com isso.

Faltava também alguém no YouTube português que falasse da questão ''orientação sexual'' tão abertamente, algo como natural, algo tão actual e que tantos jovens lidam no dia-a-dia. E se devido a isso tenho de receber críticas de pessoas que não entendem e que ''aceitam mas não à frente delas'', então que seja, eu aguento o peso.

 

O (cyber)bullying afecta muitos jovens LGBT. Aparentemente conseguiste ultrapassar essa questão pela postura que tens nos teus vídeos. E como é em casa e na escola?

O cyberbullying afecta jovens LGBT e não-LGBT, por vezes pode ser difícil entender que afecta tanto ou mais do que na vida real. E há em muito maior quantidade, porque toda a gente se sente seguro atrás de um monitor e podem dizer as piores coisas que alguma vez ouviste. 

Tenho o privilégio de ter encontrado aquilo que gostava de fazer de conseguir render com isso, por isso vivo sozinho já, e muito feliz. Nunca tive problemas familiares, obviamente nunca foi assunto do jantar, nem nunca fiz questão de explicar detalhadamente a minha vida sexual à minha mãe ou pai. E nem acho que assim deva ser, é uma parte tão pequena das nossas vidas.

 

E na escola?

Na escola houve problemas, já tive pedras e copos a serem-me atirados, já ouvi tudo e mais alguma coisa. Mas não sou nenhuma vítima, sempre consegui estabelecer bem o meu grupo de amigos reduzidos, que foi o que me fez superar qualquer problema que tivesse. Apesar do meu aspecto, ou de qualquer estigma que as pessoas possam ter sobre mim, nunca deixei isso influenciar como me comportava na escola, sempre fui educado com qualquer pessoa, e sempre me disseram ''uau, tu até és inteligente'', o que me deixa sempre a levar a pensar que a pessoa é que não era muito inteligente para ter esses preconceitos de que eu poderia não o ser devido ao meu aspecto exterior. Ainda bem que a escola foi mencionada, porque é uma questão diária que recebo dos meus fãs. E quero aproveitar esta plataforma para dizer que a escola é um período tão pequeno da nossa vida, peço-vos que aguentem um bocadinho mais, e que nunca deixem esse vosso brilho e individualidade serem apagados por ninguém. Eu era o rapaz que ia maquilhado e vestido de gala para um dia normal de escola, se é para ir para lá todos os dias, então que seja no meu melhor.

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Que projectos gostavas de abraçar no futuro? 

Já tive oportunidade de experimentar de tudo um pouco, passando do cinema, da TV, da internet etc. Estou completamente disponível para qualquer projecto pelo qual me apaixone.

Gostei bastante da minha experiência televisiva e acho que apostando em talentos jovens poderia-se reverter um pouco o abandono da TV pela camada mais jovem. A SIC Radical é a única que parece perceber isso. 

 

 

 

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