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Lésbicas e gays africanos vão contar com associação própria

Aramis Évora Gays África LGBT.jpg

Ainda está em fase de constituição, mas o dezanove.pt já pode avançar com a notícia: vai nascer uma associação de apoio e defesa dos direitos de gays, lésbicas, bissexuais e transgéneros africanos que residam em Portugal, mas que também vai tentar melhorar a situação dos LGBT em África.

Entrevistamos Aramis Évora, um dos impulsionadores desta iniciativa e que no seu currículo conta com a participação no Mindelo Pride, em Cabo Verde. 

 

dezanove: Como surgiu a ideia de criar esta associação?

Aramis Évora: Reparamos que quando os africanos saem do seu país, e vão viver em qualquer parte do mundo, ficam a viver como se estivessem em África. Precisamos dar visibilidade positiva para mostrar quanto isso é importante e o que eles podem fazer: terminar com a homofobia em África não é uma luta só de alguns. É dos que ficam lá e de todos nós que sonhamos com uma África melhor e que nos acolha como iguais. Todos temos o direito de viver bem, de nos sentirmos bem na nossa terra natal.

 

Como se chama a associação e que cargo ocupas?

A associação chama-se Eu+África e fui eleito presidente pelos membros da associação.

 

Os africanos LGBT em Portugal são mais discriminados ou têm necessidades específicas?

A luta para combater a discriminação no meu país [Cabo Verde] está a ter poucos benefícios. É quase nada quando falamos de um Continente. A homofobia em África é tanta, que temos o medo que os países, que são poucos, que já conquistaram alguns Direitos LGBT se tornem o isco de outros países onde a discriminação é lastimável. Há muitos africanos homossexuais que querem ser felizes, mas só o conseguem fora do Continente onde nasceram. O número de homossexuais africanos refugiados está a aumentar cada vez mais e quando chegam aqui esquecem-se que há outras pessoas com os mesmos sentimentos e direitos de ter uma vida digna. Muitos ficam para trás a lutar sozinhos, outros têm sorte e dá tudo certo: conseguem uma vida digna e há ainda outros que em Portugal podem ajudar nesta luta da visibilidade, mas o que fazem para isso mudar? Zero. Tenho um sentimento de indignação com os homossexuais que estão aqui a viver com um sentimento de egoísmo. Esta luta é de todos nós, os que lutam e os que não fazem nada. Todos queremos, com certeza, viver melhor.

 

Quais vão ser os objectivos e actividades da associação?

Combater o preconceito e homo/bi/transfobia e o racismo, incentivando à visibilidade positiva de pessoas homossexuais, bissexuais e trans africanas em Portugal e em África. Seja a juventude ou pessoas idosas. As nossas áreas de actuação são a  educação, a saúde, a cooperação internacional, a política, a cultura e qualquer outra que tenha como centro as pessoas LGBT africanas a morar em Portugal.

 

Quando pretendem arrancar?

Assim que a associação estiver toda legalizada para fazer um trabalho sem imprevistos.

 

Em que mês pensam que isso possa ser possível?

Ainda não temos a certeza, mas provavelmente no mês de Julho que é um mês muito importante para os grupos LGBT.

 

Como se vai ser o vosso apoio aos LGBT que estão nos PALOP?

Vamos promover à população LGBT imigrante e refugiada o acesso generalizado à informação,  apoio e integração social através da disponibilização de meios como um serviço de informação, consultas jurídicas e apoio ao imigrante e refugiado. Iremos também apoiar a empregabilidade e o acesso à língua portuguesa para estrangeiros. Queremos assegurar uma intervenção no plano político e social e prestar apoio no bem-estar e saúde das pessoas LGBT.

 

Onde vai estar sediada a associação?

Vamos estar mesmo no centro de Lisboa ao alcance mais rápido da maioria das populações imigrantes que aqui residem e que nos queiram procurar. Provavelmente vamos usar o espaço que foi disponibilizado com muita satisfação pelo GAT e INMouraria, que nos abraçaram com muita garra neste projecto.

 

Há uma estimativa do número de africanos LGBT em Portugal?

Temos a consciência que o número é elevado. Desde os legais aos ilegais que podem ser o dobro no país. É algo que vai ser investigado pela associação, para sabermos o trabalho que temos de fazer para dar uma resposta a este grupo LGBT, e com que urgência. Dados concretos ainda não temos, só a consiência que é elevado.

 

Vão participar em alguma Marcha do Orgulho LGBT?

Com certeza! A luta é de todos nós. Se é para lutar pelos nossos direitos LGBT, estamos aí para dar a força com todo o entusiasmo.

 

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