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Paulo e Filipe: "É preciso saber chegar aos sentimentos das pessoas para retirar delas aceitação"

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Paulo e Filipe são um casal de namorados na casa dos 20 anos que vive no Grande Porto. Conheceram-se no chat do teletexto há quase nove anos. A sua história de amor é intensa e confessam ao dezanove.pt que dificilmente conseguiriam passar um dia um sem o outro.

 

dezanove: Como e há quanto tempo se conheceram?

Paulo e Filipe: Por estranho que pareça, a 8 de Junho de 2006, com apenas 16 e 18 anos, utilizávamos o chat da teletexto para criar amizades. Por coincidência ou não, cruzamo-nos por lá. E assim aconteceu: trocamos algumas mensagens e sem nos termos visto antes marcamos um encontro e foi amor à primeira vista. Falámos pelo olhar nos primeiros 30 segundos e um ano depois já morávamos juntos. São praticamente nove anos de amor e oito a viver juntos, aprendendo e partilhando emoções, conquistas, ultrapassando dores, perdas e umas quantas barreiras.

 

Assinalam de alguma forma esse aniversário?

No início, como achamos natural, mês após mês fazíamos literalmente uma festa, com o tempo e amadurecimento fomos percebendo que o mais importante era festejar cada vitória nossa. Agora festejamos e trocamos votos apenas anualmente numa convicção de que somos prova de que o amor homossexual existe e que pode perdurar pelo tempo, mesmo quando nasce de um encontro virtual.

 

O que vos fez apaixonar? 

Ambos continuamos a acreditar que foi “paixão à primeira vista” (sim paixão, porque amor é algo bem diferente, chega com o tempo), não só pelo físico e visual, mas principalmente pelas qualidades, valores e ideais que vimos um no outro.

 

Como é a vossa relação com familiares e amigos?

Felizmente tivemos a sorte de ser aceites com muita naturalidade e afecto por parte de ambas as famílias... Na verdade, nós próprios nos supreendemos com a humildade e simplicidade dessa aceitação. Aliás o núcleo mais chegado – pais, irmãs, avós, sobrinhos e a maioria dos tios e primos – acolheu-nos um ao outro como verdadeiros membros da sua família, sem qualquer tipo de rótulos, preconceito ou julgamento e isso vale por tudo. Podemos dizer que já juntamos as famílias para comemorar algumas datas festivas e que fomos gerando laços inquebráveis para o resto da vida.

 

Como vêem a vossa relação daqui a um ano?

Igualmente feliz. Igualmente segura. Igualmente natural. Sempre seguimos os nossos corações procurando aprender um com o outro, dialogando e projectando ambos os nossos passos para o futuro, com o intuito de, sem esquecer as aspirações de cada um, construir algo cada vez mais sólido e único.

 

Paulo e Filipe casal gay porto.jpg

Já foram alvo de algum episódio de homofobia? Como lidaram com isso?

Para responder sinceramente, não nos lembramos de nenhum momento desde que estamos juntos, em que nos tenhamos sentido discriminados de alguma forma. Talvez porque, embora quem o quiser fazer seja livre de tal, nunca gostamos de ser muito efusivos em público e, ao mesmo tempo, porque quando as pessoas nos conhecem percebem que é natural, real e verdadeiro o que sentimos um pelo outro e isso quebra as barreiras mentais a qualquer um.

 

Na vossa opinião o que faz falta a Portugal no que respeita à igualdade para pessoas LGBT?

No nosso caminho percorrido fomo-nos apercebendo que é preciso saber chegar aos sentimentos das pessoas para retirar delas aceitação. Não se trata apenas de afirmar “Sou homossexual!”, isso sabemo-lo nós próprios a priori, não escolhemos nem ‘optamos’ sê-lo, mas sim de fazer entender que essa característica é tão definidora para nós como outra qualquer, que vivemos como todos os outros, lutamos pela nossa vida e somos cidadãos de iguais direitos e deveres. E isso, no nosso entender, passa sém dúvida pela educação sexual, de e para a sexualidade. Educação essa que passa exactamente por desfazer preconceitos e estereótipos limitadores, mostrando que todos somos livres de amar, de pensar por nós próprios sem nos deixarmos consumir pelas ideologias culturais, políticas ou religiosas e que somos livres de seguir o nosso caminho para a felicidade.

 

O que vão fazer no Dia dos Namorados?

Sinceramente todos os nossos dias são dias dos namorados para nós. Vivemos numa constante partilha e união: lemos juntos, escrevemos juntos, passeamos juntos, vemos programas, documentários e filmes juntos, saimos juntos, enfim, estamos a toda a hora, a todo o instante e em qualquer parte juntos. Já não conseguiríamos passar um dia um sem o outro.  Por isso, sorrir, olhar e sentir um arrepio quando nos tocamos é já um festejo diário do que sentimos um pelo outro constantemente.