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Praia 19

Nem na mata se encontram histórias assim

“Praia do Futuro", o filme de abertura do Queer Lisboa 19

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"Aqui nesta cidade subaquática tudo para mim faz mais sentido. Eu não preciso me esconder no mar para me sentir em paz, nem preciso de mergulhar para me sentir livre.”, Donato (Wagner Moura).

“Praia do Futuro” (2014, Brasil e Alemanha) de Karim Aïnouz, que esteve presente na selecção oficial do Festival Internacional de Berlim em 2014 e cempetiu pelo Urso de Ouro, não é um filme fácil. Os silêncios são um dos pratos forte. Um filme brasileiro extremamente alemão, austero, conciso e lento. O que não é forçosamente mau. Mas neste caso onde fica a história e o que fica da história? É aí que reside a maior dificuldade do filme.

Donato (Wagner Moura) trabalha como salva-vidas na Praia do Futuro, bairro da cidade de Fortaleza. O mar é a sua segunda casa. Um dia, ao mergulhar para socorrer dois banhistas surpreendidos pela corrente, Donato resgata Konrad (Clemens Schick), um piloto alemão, mas o amigo deste desaparece no mar. Enquanto esperam que o corpo dê à costa, Korand e Donato aproximam-se e experimentam uma surpreendente atracção física, que depressa se transforma em paixão. Quando Konrad volta para a Alemanha, Donato decide segui-lo e nunca mais volta. Deixando para trás a mãe e o irmão Ayrton (Jesuita Barbosa), ele encontra em Berlim uma nova vida.

Dizia-me no outro dia, no dia de apresentação do Queer Lisboa 19, um amigo brasileiro que tudo o que Wagner Moura faz é bom. E este filme não é excepção. A realização é boa e experiente. A montagem também é cativante. O maior problema deste filme é que a história que nos é contada tem menos sumo que a história que vemos no ecrã. E temos que aguardar pelo final para que as intenções da história nos sejam contadas. Nós, estes actores e estes personagens merecíamos mais, muito mais. Mas... no meio disto tudo, é um filme que pode apaixonar, uma paixão alemã, crua, contida e rígida. Tal como a paixão vivida pelos personagens de Moura e Schick. A química que se sente entre os actores chega a ser electrizante. E são eles que salvam a película.

 

O melhor: a química entre Wagner Moura e Clemens Schick.

O pior: o pouco desenvolvimento da história e dos personagens.

 

3 estrelas em 5

 

O realizador Karim Aïnouz estará presente na sessão de abertura do Queer Lisboa 19, às 21h, de 18 de Setembro, esta sexta-feira, na Sala Manoel de Oliveira do Cinema S. Jorge.

Luís Veríssimo