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Rita Redshoes: “Admiro causas, instituições ou grupos de apoio que lutem pela vida, dignidade e informação”

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Rita Redshoes já não é a menina de sapatos vermelhos lançada pela mão de David Fonseca. É agora uma mulher de voz vibrante e segura, que respira e canta a influências que a inspiraram. Em “Her”, nome do seu mais recente álbum, canta referências femininas. Rita concedeu-nos uma entrevista em que aborda o feminino, o apoio às causas LGBT e a PrEP.

 

 

dezanove: Apelidas este teu último álbum, "Her", como um "disco feminista", porquê?

Rita Redshoes: É sobretudo um disco de homenagem ao feminino. Não é um grito de revolta nem uma carta aberta contra os homens ou contra o masculino. Pelo contrário, é um disco que engloba os dois lados mas que convida à desmitificação do feminino nos homens e chama a atenção para as injustiças que a mulher tem sofrido ao longo dos séculos e que ainda sofre nos dias de hoje. Sejamos todos, homens e mulheres, feministas até que deixe de ser preciso e respeitemos as diferenças.

 

Em que medida é que as mulheres que influenciaram a tua música, também influenciaram o teu processo de crescimento enquanto mulher?

Tenho de facto um fascínio por música feita por mulheres e a maior parte da minha discografia espelha isso mesmo. No fundo, estas referências ajudaram-me a balizar objectivos, linguagens, caminhos, estéticas que por sua vez me foram definindo enquanto adolescente e mulher. Claro que foi a minha leitura dessas mulheres e das suas carreiras, mas de alguma maneira sem saberem, acabaram por me ajudar a definir-me através dessa admiração e da sua arte.

 

A música "Love, What is it?", do teu álbum de estreia "Golden Era", dá corpo e alma à campanha do Dia Internacional do Preservativo. Também vais actuar na quinta edição da festa anual de angariação de fundos do CheckpointLX, “DJ’s with a Cause”, já no próximo dia 7 de Dezembro. Por que dás o teu apoio a estes eventos?

Não acredito na discriminação, em julgamentos, no moralismo, na falta de amor e respeito pelo outro e pelas suas escolhas ou em tabus. A vida é para ser vivida e pertence a cada um, mas tenho noção que nos sentimos muitas vezes desapoiados, sozinhos, perdidos e com falta de amor. Admiro causas, instituições ou grupos de apoio que lutem pela vida, pela dignidade e pela informação.

 

O papel das figuras públicas portuguesas na luta contra o VIH é suficiente? O que há para mudar?

Tenho a noção que a informação, embora pensemos o contrário, ainda não é suficiente. Penso que é uma questão de mentalidade da própria sociedade, ainda vivemos muito fechados e com muitos temas que continuam tabu entre gerações. Deveria falar-se de questões da sexualidade e de tudo o que lhe é inerente, de uma forma aberta, clara e simples nas escolas e isso não acontece. É preciso que mais pessoas sirvam como referência, sobretudo para as gerações mais novas, e dêem a cara por causas como esta porque as linguagens são mais próximas, mas no fundo acredito que o que precisamos é de uma mudança de postura e mentalidade global.

 

Conheces/conheceste alguém próximo que esteja a viver com VIH? Ainda é um tema tabu?

Não conheço, mas tenho noção de que continua a ser tabu e o desconhecimento leva sempre a reacções escusadas e pouco construtivas.

 

Estando na ordem do dia a discussão sobre PrEP - profilaxia pré-exposição, que consiste na toma prévia de um medicamento anti-retroviral por pessoas que são seronegativas e que reduz em 97% o risco de transmissão do VIH -, tens conhecimento e opinião sobre esta medida preventiva? O Estado devia disponibilizar gratuitamente estes medicamentos a quem os pretende tomar?

Confesso que não conheço a fundo as repercussões do medicamento em termos de saúde e, como tal, vou abster-me de fazer grandes considerações.

Mas parece-me, tal como outras vacinas, que, a par de uma educação sexual apropriada e esclarecida, deveria ser uma responsabilidade assumida pelo Estado.

 

Luís Veríssimo