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Simão Teles é Symone De Lá Dragma: “Não quero que me vejam apenas como um homem dentro de um vestido, mas como uma obra de arte que é um todo confeccionado”

Symone Dragma.jpg

Simão Teles tem 19 anos é escalabitano e tem um fascínio pela arte dramática. Este Domingo vamos poder vê-lo actuar com a personagem Symone De Lá Dragma no programa “The Voice Portugal” da RTP1. Mas aqui vamos falar do seu percurso pessoal e artístico. As revelações sobre o programa ficam guardadas até Domingo.

 

dezanove: De onde és e como nasceu esta paixão pela arte do transformismo?

Simão Teles: Sou natural de Santarém, vivo no Cartaxo, Pontével, uma pequena vila à qual me fui habituando. Desde pequeno que o meu fascínio pela arte dramática foi muito apurado. Aos 10 anos subia ao palco da "terrinha" para interpretar o papel de Sally Bowles numa versão adaptada para português do musical Cabaret.

 

Symone Dragma Simao Teles drag.jpg

Esta arte pode ou não ter a ver com questões de orientação sexual ou identidade de género, mas ainda se registam episódios de bullying a quem foge da “norma”. Queres falar sobre isso?

Desde muito pequeno que eu sabia. E os meus pais e os meus familiares sabiam que eu era diferente e estava destinado à diferença. Pedia barbies, serviços de chá, roupa de mulher, aquelas coisas que todos nós temos e queremos quando somos pequenos... O grande drama começou quando entrei para o ensino secundário. Apesar de ser ainda uma criança imatura já tinha uma noção base do que era a vida, do que era "sofrer". Foram os piores anos da minha vida… do 5º ao 9º ano fui gozado verbalmente por toda a escola e nunca tinha ninguém que me apoiasse a não ser duas ou três amigas. Tudo mudou quando decidi, por opção própria, não seguir Humanidades nem Ciências ou até mesmo Artes. Vim para Lisboa sozinho estudar Artes do Espectáculo.

 

Symone Dragma Simao Teles.jpg

E as coisas melhoraram?

Queria ser actor, ao longo dos três anos de curso fui-me apercebendo que afinal talvez não fosse Teatro. Estava no Teatro mas eu não era aceite pelo Teatro, sempre queria ter os papéis femininos queria ser a Julieta ou até a mãe do Otelo, mas nunca mo permitiram ser.

 

Então quando é que iniciaste esta arte?

No meu último ano de curso, pela primeira vez, saí à noite. Saí, queria descobrir um mundo novo, estava farta de ser uma bicha que ia para a Brasileira e depois se enfiava em casa a deprimir. Foi nesse dia em que fui experimentar o Finalmente. Tenho-o como inspiração e não quero deixar de referir, e quero que seja referido, o Fernando Santos, mais conhecido por Deborah de Krystal foi um grande up na minha vida profissional e até mesmo para construção da personagem. Nesse mesmo ano (2015) fui convidado para actuar na Gala Abraço e fui surpreendido pela escolha do público como revelação da noite, melhor actuação e foi aí que realmente eu despertei e soube que ‘ok, era aqui e agora naquele momento que eu tinha de começar a fazer algo por mim’. E assim foi, criei a minha personagem.

 

E um ano depois chegas ao “The Voice”. Como aconteceu isto?

O “The Voice” apareceu e fiz a inscrição. Com o The voice não faço mínima de ganhar algo, mas sim visibilidade porque quero vingar nesta área, quero ser um artista, não quero que me vejam apenas como um homem dentro de um vestido, mas como uma obra de arte que é um todo confeccionado

 

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Podes falar-nos, não da participação no programa, mas da construção da tua personagem, a Symone Dragma que levaste a este concurso?

É engraçado que Symone não deriva, de todo, do meu nome Simão, mas sim de alguém pela qual tenho uma grande admiração e talvez seja a minha inspiração na criação do personagem: Simone de Oliveira. É um dos meus maiores ícones. Até hoje sonho que um dia possa conhecer pessoalmente a senhora Simone e, quem sabe, até cantarolar umas modas com ela.

Já Dragma foi um nome criado pela minha mãe. Ela dizia-me sempre: ‘oh filho és tão dramático que precisas de um nome forte’ e daí surgiu o Dragma que deriva de drag (drag queen) e drama = Dra(g)ma.

 

Quem são as tuas restantes musas inspiradoras?

As maiores inspirações para a Symone são: Judy Garland (é o topo dos topos), Shirley Bassey, Barbra Streisand, Liza Minnelli, Lady Gaga, Bette Davis, Lucille Ball e Marlene Dietrich.

 

E há ainda uma curiosidade…

Sim, o guarda-roupa da Symone é todo confeccionado pela minha avó, que me apoia a 100% nesta aventura.

 

 

Entrevista de Paulo Monteiro

Actualizado com vídeo da prestação do Simão Teles.

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