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"Somos perdidamente apaixonadas pela vida e uma pela outra"

Anas Ritas - entrevista dezanove.jpg

Têm as duas o mesmo nome: Ana Rita e são conhecidas pelas “Ritas”. Trabalham as duas no sector da cultura e coleccionam “action figures” e legos de cinema. Adoram jogos de tabuleiro, especialmente gamão.  Rita Rio Sousa tem 32 anos e Ana Rita Osório 35. Casaram em Outubro de 2014 na presença da família e os melhores amigos. Têm dois cães: o Sebastião, um Chihuhua x Pinscher que já era de Rio Sousa e tem cinco anos e o Woody um buldogue francês que adoptaram no final de 2014. O canino deve o nome ao realizador e ao personagem do filme Toy Story.

 

dezanove: Como e há quanto tempo se conheceram?

Ana Rita Osório e Ana Rita Rio Sousa: Conhecemo-nos em 2012 em contexto de trabalho. A Rio Sousa teve uma pequena colaboração no festival de artes performativas que a Osório estava a dirigir. Desde esse dia que nunca mais nos separámos.

 

Assinalam de alguma forma a data desse aniversário?

Assinalamos sempre! Aproveitamos o pretexto para viajar ou ter mais um fim de semana especial.

 

Conseguem explicar o que vos fez apaixonar?  

Somos pessoas realmente muito diferentes, que casuisticamente se encontraram e repararam uma na outra. O facto de nos termos aproximado sendo pessoas à partida tão distintas, fez com que parássemos e nos questionássemos do porquê desta aproximação. A naturalidade com que nos fomos envolvendo, tornou o início da relação, muito apaixonado e simultaneamente doce e intenso. Temos trabalhos muito intensos e envolventes que se cruzam em diversos aspectos e é maravilhoso quando encontras alguém que percebe o que fazes no dia-a-dia e te desafia a pensar sobre isso. Apesar de não sermos pessoas leves ou simples se assim se pode dizer, achamos que o soubemos ser no momento certo. Somos perdidamente apaixonadas pela vida e uma pela outra.

 

Como é a vossa relação com familiares e amigos?  

Temos uma excelente relação com todos. Fomos ‘adoptadas’ na família uma da outra. As nossas famílias conhecem-se e relacionam-se. Juntamo-nos ao fim de semana e nas alturas especiais: Natal, Páscoa e aniversários. Temos muitos sobrinhos, um deles nasceu já depois de estarmos juntas.

Cada uma de nós tinha um grupo de amigos. Actualmente eles dão-se entre eles e estamos muitas vezes juntos. Consideramos os nossos amigos parte da família.

 

Como vêem a vossa relação daqui a um ano?

Esperamos que igualmente feliz, ainda mais próxima e profunda. Gostávamos muito de poder vir a trabalhar juntas.

 

Anas Ritas - entrevista dezanove Amor LGBT.jpg

Já foram alvo de algum episódio de lesbofobia? 

Não, felizmente nunca. O que acontece frequentemente (especialmente quando viajamos), é as pessoas ficarem embaraçadas quando percebem que somos um casal, mas agimos sempre com muita naturalidade em relação ao nosso dia a dia. Algumas pessoas aproveitam essa naturalidade para nos questionar sobre como é uma relação entre duas mulheres.

 

Na vossa opinião o que faz falta a Portugal no que respeita à igualdade para pessoas LGBT?  Maternidade ou adopção está nos vossos planos?

Há algum tempo que falamos em ser mães. A Osório anseia por esse dia, mas a Rio Sousa ainda não está preparada…

 

Concordam com a ideia de que os casais de mulheres lésbicas são mais invisíveis do que os casais de homens gay?

Achamos que os casais de mulheres lésbicas se assumem menos publicamente do que os casais de homens gay.

 

Têm algum projecto ou hábito que desenvolvam em conjunto?

Adoramos viajar, ir ao cinema e brincar com os nossos cães. A Osório obriga a Rio Sousa a ler-lhe livros em voz alta como se fosse uma vontade comum. Gostamos de comer, gostamos de vinho e antiguidades. Gostamos de fotografar, de namorar e descobrir discos novos. Temos a paixão do vinil e do gamão.

 

O que vão fazer no Dia d@s Namorad@s?

Para nós o Dia dos Namorados é um dia igual aos outros. Este ano calha a um Domingo, por isso faremos o que costumamos fazer ao Domingo: tomar um brunch, ler ao sol (se houver sol) e ir ao cinema.

 

Fotos: Ana Rita Osório e Ana Rita Rio Sousa

Entrevista de Paulo Monteiro