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Thomas Mendonça: “Surreal é a própria vida”

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Thomas Mendonça está de regresso ao mundo das exposições com um novo trabalho intitulado “Surreal é a própria vida”. A inauguração terá lugar dia 9 de Julho, pelas 20 horas, na Ribeira - Primeiros Sintomas, em Lisboa, e estará patente até dia 31 de Julho. O artista abriu as portas de sua casa para mostrar parte do seu trabalho e conversar com o dezanove sobre o mesmo.

image_9.jpegdezanove: Thomas, podes apresenta-te aos leitores do dezanove?

Thomas Mendonça: O meu nome é Thomas, sou luso-francês, nascido perto de Paris, crescido perto de Lisboa. Licenciei-me em Artes Plásticas na ESAD de Caldas da Rainha, apanhei frio de Erasmus na Polónia, vivo e trabalho na urbe grande e luminosa desta pequena pátria à beira mar.


O que nos podes adiantar do teu mais recente trabalho?

Trata-se de uma série de desenhos baseados ou inspirados em fotografias que me são familiares, quase todas da minha infância, salvo uma ou outra excepção de imagens da minha vida actual. Todas partilham o mesmo ponto de partida, contêm uma dose de surrealidade considerável. Digo surreal como acima do real ou para além do real. Todas marcaram momentos perfeitamente banais, mas é na representação fotográfica destes momentos que reside o pouco banal, o quase genial, o único que tanto me despertou interesse nos últimos meses.


Como foi a tua rotina de trabalho para esta nova exposição?

A rotina foi igual a si mesma, passei duas vidas inteiras alapado no sofá pequeno da sala, comi tudo o que havia, revirei os olhos de tanto estar deitado e na noite da passagem do ano de 2015 para 2016 aconteceu algo absolutamente fabuloso e tão revelador que me manteve inspirado de lápis na mão - a desenhar de forma quase obsessiva - até há pouco.

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Esta família, “colecção”, de desenhos esteve alguma vez de castigo?

Não esteve nunca de castigo, estes desenhos foram de tal forma impulsivos e assertivos e nunca tive tempo de me aborrecer com nenhum deles. Produzi-os no limbo entre a satisfação de terminar um e a sede de começar outro.


Ao expores aqui em Portugal um trabalho que tem essencialmente como inspiração fotografias da infância tiradas em França, estás de alguma forma a fazer as pazes com a dupla nacionalidade?

Não pensei nisso dessa forma, acho que já fiz as pazes com a minha dupla nacionalidade há algum tempo, mas estou certamente a assumir ou a recordar as raízes esquecidas.


Já fizeste algo tão autobiográfico como “Surreal é a própria vida”?

Tudo o que faço é de certa forma autobiográfico. Mesmo quando não se tratam de auto-retratos, eu sou sempre o motor da minha própria vida e da produção artística - que são indissociáveis. Acho que me exponho sempre de forma muito sincera, mesmo quando minto um pouco. (risos)


Quando é que te apercebeste do quão surreais eram estas fotografias?

No fundo acho que sempre olhei para elas com muito carinho por serem tão especiais em termos de composição da imagem. Nem sempre conheço quem está retratado, mas guardo-as com o mesmo cuidado, pois são estupidamente bonitas. Todo este arquivo de imagens revelou a sua essência surrealista depois de pensar um pouco no assunto por causa da noite de passagem de ano para este ano. De repente existia na minha caixa vermelha, no meu tablet e na minha mente um conjunto de fotografia tão fantásticas, associadas a sentimentos de satisfação visual supremo que, em certo casos, chegam a roçar o soberbo.

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Há uma em especial que ainda não conseguiste roubar. Podes descrevê-la?

Há, de facto, uma em especial que a minha tia nunca me deixou roubar. Trata-se de uma fotografia de mim, irmãos e pai, em Agosto de 2000 durante um eclipse solar, no jardim da nossa antiga casa de campo, na Normandia em França. Estamos todos virados para a mesma direcção a olhar para cima com óculos especiais para ver o eclipse. Eu estou de cuecas. O meu pai veste um fato integral branco e como não havia mais óculos especiais, ele usa uma máscara de protecção para soldar ferro. Atrás de nós, a mancha de sombra causada pelo eclipse parece avançar até nós ou que estamos a ser iluminados por um spotlight alienígena. A imagem é estrondosa! Parece uma cena de ficção científica altamente encenada.


Como é que a tua sexualidade se encontra espelhada neste trabalho?

Encontra-se da mesma forma que se encontra o meu cabelo loiro,  as bochechas do meu irmão, o mau gosto geral no vestuário ou os (poucos) dentes tortos que todos tínhamos nos anos noventa. Cresci num ambiente muito liberal, a minha mãe principalmente apoiou desde sempre as nossas expressões individuais. As nossas ambições eram consideradas válidas portanto sempre foi fácil para mim assumir qualquer verdade e reivindicar os meus direitos, para além do facto de ter tido todas as Barbies e vestidos de princesas com que sempre sonhei, o pessoal mascarava-se muito e os homens da família acabavam sempre por aparecer de lingerie feminina nas festas grandes. Resumindo, sempre fui gay, na infância também.


Evento: https://www.facebook.com/events/1722106411378370/

Website: http://www.thomasmendonca.weebly.com/

Facebook: https://www.facebook.com/mendoncabythomas


Fotografia inicial de Rafael Amambahy.

Entrevista de Leonardo Rodrigues

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