Assinala-se hoje o Dia Internacional Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia — uma data que relembra, ano após ano, a importância de existir, resistir e continuar a lutar pelos direitos da comunidade LGBTQIA+. A escolha do 17 de Maio não é aleatória: foi neste dia, em 1990, que a homossexualidade deixou oficialmente de ser considerada uma doença pela Organização Mundial da Saúde. Um marco simbólico, sim, mas também um lembrete de que o caminho da dignidade continua a ser construído.
Em pleno 2025, assistimos a avanços legais e sociais em muitos países, Portugal incluído. Mas não podemos confundir leis com realidade. A homofobia, a transfobia e a bifobia continuam bem vivas — muitas vezes camufladas de discurso de “opinião pessoal”, travestidas de “preocupações com as crianças” ou disseminadas nas redes sociais com memes tóxicos e desinformação. Segundo a ILGA-Europe, em 2024 Portugal caiu no ranking europeu dos direitos LGBTQIA+ para 11º lugar, evidenciando lacunas na protecção legal de pessoas trans e intersexo, e um preocupante desinvestimento político no combate à discriminação.
Mais alarmante ainda é a escalada do discurso de ódio online, onde pessoas LGBTQIA+ são sistematicamente alvo de ataques, desinformação e ameaças. E é justamente aqui que o impacto psicológico se acentua: viver num ambiente que nos invalida, marginaliza ou ridiculariza deixa marcas profundas na autoestima, no bem-estar e na saúde mental. O medo constante de sermos “demasiado” visíveis, de sermos rejeitad@s, de sermos violentad@s, continua a ser uma realidade diária para muit@s.
Enquanto psicóloga, vejo como o preconceito se infiltra nas narrativas pessoais: jovens que se culpam por quem são, adultos que nunca puderam viver o amor em liberdade, idosos LGBTQIA+ invisibilizados em lares e serviços. Por isso, mais do que um dia de “consciência”, o 17 de Maio deve ser um apelo à acção — política, educativa, cultural e afectiva.
Precisamos de mais do que tolerância: precisamos de respeito. Precisamos de escolas que eduquem para a diversidade, de políticas públicas inclusivas, de profissionais de saúde formad@s e conscientes, de representação digna nos média. E precisamos, acima de tudo, de continuar a falar — sem medo, sem vergonha, sem recuos.
Hoje é sobre lembrar, mas também sobre não esquecer. Porque enquanto houver quem precise de esconder quem é para sobreviver, este dia continuará a ser urgente.
Letícia David, Psicóloga



Um Comentário
Anónimo
Também existe muito discurso de ódio contra Trump em Portugal, se começarmos a agir sobre esse discurso que refere então também temos que agir sobre todos os discursos e ódio.
Acho que ninguém quer nada disso, pois seria o dia em que o mundo se tornaria numa grande m****.