a saber

A ascensão dos regimes autoritários – Apartheid na África do Sul (1948–1994)



Os ossos de nossos antepassados

colhem as nossas perenes lágrimas

pelos mortos de hoje.

Os olhos de nossos antepassados,

negras estrelas tingidas de sangue,

elevam-se das profundezas do tempo

cuidando de nossa dolorida memória.

A terra está coberta de valas

e a qualquer descuido da vida

a morte é certa.

A bala não erra o alvo, no escuro

um corpo negro bambeia e dança.

A certidão de óbito, os antigos sabem,

veio lavrada desde os negreiros.

Conceição Evaristo

Contextualização

A história das ocupações coloniais na África do Sul (primeiro pelos holandeses e depois pelos britânicos) remonta ao século XVII. Após a independência formal do domínio britânico em 1910, começaram a surgir leis abertamente de segregação racial que afectavam negros, mestiços e indianos, mitando-lhes direitos políticos, sociais e económicos. Este sistema de segregação racial tinha nome: Apartheid. Mais do que um simples sistema politico, o Apartheid era uma ideologia profundamente racista que separava brancos em negros em tudo quanto fosse possível. 

Direitos humanos

Este regime defendia uma supremacia branca e afirmava que as diferentes raças não deveriam viver juntas nem usufruir dos mesmos direitos. Desta forma a minoria branca poderia manter o poder político, económico e social nas suas mãos. Era um regime extremamente racista e opressor que defendia a separação total de brancos e não-brancos; classificava todos os cidadãos em categorias raciais; expulsou milhares de famílias negras das suas casas, realocando-as; proibia casamentos mistos; criou um regime educacional separado e inferior para os negros; reservava certos cargos e profissões apenas para brancos; etc.

A população negra perdeu o direito ao voto, o direito à propriedade e à educação igualitária, a liberdade de circulação, direitos laborais e liberdade de expressão e associação. Estima-se que cerca de 3,5 milhões de pessoas tenham sido expulsas das suas casas, e que tenham sido realizadas mais de 1 milhão de prisões por ano. 

O Apartheid não foi apenas um conjunto de leis racistas temporárias. Foi um regime de opressão, exclusão e violência que, durante quase 50 anos, levou milhares de pessoas a serem segregadas e a viverem diariamente com a humilhação de serem tratados como inferiores apenas pela cor da sua pele. O racismo vigorou, aqui, durante demasiado tempo e é importante relembrar que apesar de estas leis já não existirem o racismo continua a ser real, diário e perigoso.

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Anabela Risso

Próximo artigo: Artigo final: A nova face da extrema-direita: quando a história se repete

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