a saber

A ascensão dos regimes autoritários – Franquismo na Espanha (1939–1975)



[…]

Generais

traidores:

olhem minha casa morta,

olhem a Espanha dilacerada:

porém de cada casa morta sai metal ardendo,

em vez de flores,

porém de cada ferida da Espanha

desperta a Espanha,

porém de cada criança morta levanta-se um fuzil com olhos,

porém de cada crime nascem balas

que acharão um dia o vosso coração.

E me perguntam: por que os seus poemas

não falam dos sonhos, das folhas,

e dos grandes vulcões de seu país natal?

Venham ver o sangue pelas ruas,

venham ver

o sangue pelas ruas,

venham ver o sangue

pelas ruas!

Pablo Neruda

Contextualização

No início dos anos 30 a monarquia espanhola dava sinais de fraqueza e após a queda do rei Afonso XIII a queda da própria monarquia foi inevitável. Assim nasceu a Segunda República Espanhola que trazia consigo ideais bastante progressistas como a separação entre Igreja e Estado, o direito ao voto feminino e a redistribuição de terras. Mas o sector conservador da sociedade espanhola não ia ceder facilmente, e a polarização do país acabou por dar origem a um dos mais violentos conflitos de que há memória em terras espanholas: a Guerra Civil de Espanha, travada entre republicanos e nacionalistas. Após três anos de guerra os nacionalistas, comandados por Franco e com apoio directo de Hitler e Mussolini venceram e assim nasceu o regime Franquista. 

O Franquismo era autoritário, nacionalista e conservador, com uma forte ligação à Igreja Católica e ao militarismo. O regime era anticomunista e antisocialista, perseguia assiduamente todas as forças de esquerda, eliminou todos os partidos da oposição, defendia uma ligação intima com a Igreja Católica a quem atribuia enormes poderes politicos e morais, exercia um rigido controle da imprensa, da educação e da cultura, e vincava pelo conservadorismo moral. 

Direitos humanos

Estima-se que durante e após a Guerra Civil Espanhola cerca de 200 000 pessoas tenham sido executadas ou desaparecido; a imprensa, a rádio, o teatro e a literatura foram severamente censurados e transformados em instrumentos de propaganda; as línguas e culturas regionais e estrangeiras foram suprimidas; e a homossexualidade foi criminalizada e os homossexuais enviados para prisões ou hospitais psiquiátricos. Durante o período da ditadura mais de 300.000 pessoas foram presas, cerca de 4.000 crianças foram retiradas às suas famílias por estas serem consideradas subversivas e entregues a simpatizantes do regime e foram realizadas mais de 25.000 execuções legais.

Mais do que apenas um capítulo negro da história de Espanha, devemos ver o Franquismo como um alerta para os nossos dias e para o nosso futuro. É muito mais fácil perder direitos do que ganhá-los. Relembrar a história é fundamental para não voltar a cometer os mesmos erros e assim impedir que a tirania e a opressão voltem a vigorar.

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Anabela Risso

Próximo artigo: Portugal Salazarista (1933-1974)

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