a saber

A ascensão dos regimes autoritários – Itália Fascista (1922-1943)



Contiamo infiniti cadaveri. Siamo l’ultima specie umana.

Siamo il cadavere che flotta putrefatto su della sua passione!

La calma non mi nutriva il sol-leone era il mio desiderio.

Il mio pio desiderio era di vincere la battaglia, il male,

la tristezza, le fandonie, l’incoscienza, la pluralità

dei mali le fandonie, le incoscienze le somministrazioni

d’ogni male, d’ogni bene, d’ogni battaglia, d’ogni dovere

d’ogni fandonia: la crudeltà a parte il gioco riposto

attraverso il filtro dell’incoscienza. Amore amore che

cadi e giaci supino la tua stella è la mia dimora.

Caduta sulla linea di battaglia. La bontà era un ritornello

che non mi fregava ma ero fregata da essa! La linea di

demarcazione tra poveri e ricchi.

Amelia Rosselli

Contextualização


A Itália ainda se tentava erguer das suas próprias cinzas depois do fim da Primeira Grande Guerra Mundial, terminada em 1918, quando viu erguer-se Mussolini. Apesar de estar entre os países vencedores da Primeira Grande Guerra, a verdade é que não existem realmente vencedores num conflito deste género. Todos saem empobrecidos, com milhões de mortos para enterrar e o país inteiro para reerguer.

Em 1921 Benito Mussolini, ex-socialista convertido ao nacionalismo extremo, fundou o Partido Nacional Fascista (PNF). Este partido defendia o nacionalismo extremo, afirmando que Itália deveria recuperar a sua grandeza; a criação de um estado totalitário ou seja, que tudo (política, economia, cultura, educação, moral, etc) deveria ser controlado pelo Estado; afirmava que a luta de classes, os partidos de esquerda, os sindicatos livres, a democracia parlamentar e os direitos individuais eram sinais de fraqueza e divisão; o corporativismo, o militarismo e a disciplina; o culto ao líder, a visão de Mussolini enquanto salvador da pátria. Inicialmente este partido não era abertamente racista e anti-semita mas isso mudou com a sua aproximação ao partido nazista de Hitler e em 1938 o PNF adoptou leis raciais que discriminavam e perseguiam minorias, excluindo-os da vida pública, educacional e profissional.

“Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado.”
Mussolini

Em 1922 Mussolini liderou a Marcha sobre Roma, uma manobra política que o levou a tornar-se primeiro-ministro. A partir daí a liberdade só iria reduzir. Foram criados os camisas-negras, milícia paramilitar fascista, que atacaram e capturaram opositores do regime e intimidaram movimentos populares. O regime tentou recuperar o prestígio do antigo Império Romano, iniciou campanhas expansionistas, invadiu a Etiópia em 1935 e aliou-se à Alemanha Nazista em 1938. 

Direitos humanos

Sob o comando do Partido Nacional Fascista foi proibido o direito à associação, manifestação e associação, a imprensa era rigidamente controlada pelo estado e foram anulados os direitos sindicais. Os judeus foram proibidos de frequentar escolas públicas ou trabalhar como professores, no exército ou como funcionários públicos; foram abertamente perseguidos e humilhados e era proibido o casamento entre judeus e não judeus. Os ciganos foram considerados ameaças à ordem pública, presos, internados em campos de confinamento, radicalmente perseguidos e vigiados. Outras etnias eram forçadas à italianização, com a proibição das suas línguas locais e maternas (esloveno, croata, alemão, etc.), o fecho de escolas e associações não italianas, deportações e pressão política a líderes não italianos.  A homossexualidade era amplamente reprimida e tratada como “degeneração moral”, sendo os homossexuais colocados sob vigilância policial, presos, submetidos a tratamentos de reconversão e enviados para ilhas de confinamento (como a Ilha de San Domino). Qualquer opositor ao regime era censurado, perseguido, preso e torturado. 

O regime fascista italiano começou a ruir durante a Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha começou a perder poder e a aliança entre os dois países começou a correr mal. Em 1945 Mussolini foi executado, mas o seu regime tinha já feito muitos estragos. Estima-se que durante os anos em que o PNF esteve no poder entre 10.000 e 12.000 pessoas tenham sido enviadas ao confinamento interno sem julgamento justo, mais de 125.000 pessoas tenham sido investigadas pela polícia política fascista, 5.000 a 6.000 opositores do regime tenham sido condenados, 7.500 judeus italianos tenham sido deportados, entre outros. 

O fascismo é perigoso. Não se trata apenas de um vulgar regime político. Ele deixa marcas profundas nas populações, fere e mata milhares de pessoas, destrói vidas em nome de um ideal cruel de poder absoluto. Por trás da propaganda, havia medo, dor e sofrimento. Hoje, ao vermos as sombras voltarem a erguer-se, é nosso dever lembrar essas histórias com o coração aberto, para que nunca mais permitamos que o medo e o ódio roubem nossa humanidade e nosso futuro.

Anabela Risso

Próximo artigo: Alemanha Nazi (1933-1945)

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