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“A Natureza das Coisas Invisíveis” e os outros vencedores do Queer Porto 11



O Queer Porto 11 – Festival Internacional de Cinema Queer encerrou no sábado, 8 de Novembro, no Batalha Centro de Cinema, com a exibição em estreia nacional da longa-metragem Hot Milk, de Rebecca Lenkiewicz. Durante cinco dias, o evento exibiu 40 filmes distribuídos por 27 sessões, recebeu 37 convidados e contou com uma afluência de cerca de 1.800 espectadores, repartidos entre o Batalha, a Casa Comum e o Passos Manuel, que também acolheu a festa de encerramento.

Na Competição Oficial, o júri composto por Adriano Nazareth, AURA e Catarina de Sousa distinguiu A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo (Brasil, Chile, 2025), com o Prémio de Melhor Filme. O júri considerou-o um «filme singular que acompanha duas famílias na saída da toxicidade da cidade para a protecção do “sítio”, onde as almas se curam e se transformam. Trata-se de uma celebração sensível da passagem da vida e da morte em que o amor se afirma como a última forma de resistência». O prémio, que inclui também a aquisição dos direitos de exibição pela RTP, tem o valor de 3.000 euros.

Uma Menção Especial foi atribuída a Mea Culpa, de Patrick Tass (Bélgica, 2024), documentário que parte de um arquivo íntimo entre mãe e filho e que foi descrito pelo júri como «um retrato comovente sobre identidade, migração e reconciliação», celebrando a empatia e a humanidade em tempos de conflito. Já o público elegeu Queer as Punk, de Yihwen Chen (Malásia, Indonésia, 2025), como o seu favorito.

Na secção Prémio Casa Comum, dedicada a curtas-metragens portuguesas de temática queer e organizada em parceria com a Reitoria da Universidade do Porto, o galardão de Melhor Filme foi para O Cemitério de Insetos, de Alex Simões (Portugal, 2025). O júri destacou a forma como o filme «interroga o luto e a morte de modo inovador, revisitando memórias e espaços de infância numa busca identitária». O prémio, que já vai na sua quarta edição, tem o valor de 500 euros.

Fortemente marcada pelo contexto político e social internacional, a programação do Queer Porto 11 destacou-se pela aposta num cinema activista e de denúncia, mas também harmoniosamente íntimo e contemplativo. Entre os temas abordados estiveram o trauma e a superação, as identidades trans, as ecologias queer e o papel da cultura de clubbing enquanto espaço de resistência e criação comunitária. O festival reafirmou assim o seu papel como plataforma de visibilidade e reflexão sobre as múltiplas vivências LGBTQIA+, celebrando o poder transformador que um olhar queer pode ter sobre o mundo.

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Pedro Leitão

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