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Nem na mata se encontram histórias assim

A transfobia mata!

 

Hélder Bértolo opus diversidades

Como é possível que, perante isto, perante uma pandemia silenciosa de suicídios, desencadeados por falta de empatia, por discriminação, por bullying, em função da orientação sexual, das características sexuais, da identidade e da expressão de género, ainda há quem tenha a falta de vergonha de falar em «ideologia de género» e em querer proibir a Disciplina de Educação para a Cidadania?

São essas pessoas, que pedem «Deixem em paz as criancinhas», que mataram a Rose.

Como se pode defender que valores universais, democráticos, constitucionais fiquem arredados da Escola e totalmente dependentes da família?

E se a família for racista, xenófoba, misógina, machista, islamofóbica, antissemita? E se o pai bater na mãe, a mãe bater nas crianças, e outra pessoa familiar as violar? Quem é que explica a essas crianças que esses valores são errados?

Querem mesmo deixar a transmissão de valores humanistas a essas famílias?

As crianças que têm de ser deixadas em paz são as que pertencem a minorias, as que são agredidas, física e verbalmente, as racializadas, ciganas, muçulmanas, hindus, gays, lésbicas, trans.

São essas que são mortas!

Porque estes suicídios são verdadeiros assassínios. São outras pessoas que as matam; e premeditadamente!

Muitas batendo com a mão no peito e usando o nome de Deus em vão para defender tudo o que é contrário à palavra de Cristo. E não é preciso ser crente para saber que a mensagem é de amor, de acolhimento, de compreensão, de aceitação e não de ataque e julgamento.

A saúde mental é uma urgência que ninguém parece (querer) ver e as respostas para a ideação suicida, para quem não têm recursos financeiros, são praticamente inexistentes.

A saúde mental é uma urgência que ninguém parece (querer) ver e as respostas para a ideação suicida, para quem não têm recursos financeiros, são praticamente inexistentes.

Depois de tentar derrubar o tabu e o estigma da saúde mental, de alertar para sinais e sintomas de risco, com quem pode falar quem está em sofrimento?

Como é que não se formam professores, auxiliares de acção educativa, etc. para identificar sinais de alarme e a proporcionar uma intervenção rápida e eficaz?

Como é possível que se permitam comportamentos homofóbicos e transfóbicos numa escola?

Devido ao efeito de Werther, a conhecida mimetização do suicídio, a comunicação social tem um pacto de silêncio para não noticiar mortes por suicídio. Esta prática virtuosa tem um lado pernicioso. Transmite à sociedade a falsa ideia de que o suicídio é raro; e permite que a comunidade se acomode, sem reagir, perante aquilo que, na verdade, é uma pandemia.

Com uma incidência muito maior no seio das minorias, nomeadamente da população LGBTQI+. Dentro desta, as pessoas trans e não binárias, de género não conforme, e as que apresentam expressões de género diferentes, daquilo a que a comunidade decide decretar que é correcto, são as que apresentam maior prevalência de ideação suicida, de tentativas de suicídio e de suicídio.

Independentemente da composição do parlamento e do governo que venham a ser formados na sequência das eleições de Domingo, é obrigatório legislar nesta área e disponibilizar todos os meios para interromper esta situação imparável, que nos devia envergonhar a todes enquanto sociedade.

Todes nós, sem excepção, contribuímos para a morte da Rose!

Tal como permitimos a morte de tantas outras pessoas apenas por nos acharmos superiores, por pensarmos ter o direito de definir o que é certo e errado, de aceitar apenas determinados seres humanos e desprezar os outros.

Temos de parar de conduzir pessoas LGBTQI+ ao cadafalso.

 

Hélder Bértolo, Presidente da Opus Diversidades