António Simões é um dos nossos melhores e foi agora nomeado para presidir ao HSBC – o maior banco europeu e um dos maiores do Mundo. Chegou onde chegou, aos 40 anos, por mérito. É um orgulho indesmentível para todos, ou pelo menos deveria sê-lo.
Se quando algum “tuga” ganha uma medalha, ou se é o Mourinho, ou o CR7, a ganharem mais um enésimo prémio, ou se algum português se notabiliza internacionalmente por bons motivos, é natural que em Portugal, um país muito periférico na cena mundial, se sinta algum orgulho. Isso é bom, não é mau. Somos uma comunidade. Não somos só um lugar a um canto. E todos precisamos de reforços positivos.
E neste aspecto o António Simões representa muito daquilo que que faz de nós pessoas melhores: a capacidade de se superar. Ele brinca com o facto de ser português, baixinho, gay e careca. E até chega a dizer que se não fosse gay não teria chegado onde chegou – e é em parte verdade. Porque isso impeliu-o não só a ser bom no que faz e a ter mérito (desde a Universidade, onde foi o melhor do curso da Nova, em Lisboa, e depois na Columbia, em Nova Iorque, que tem progredido por mérito), mas motivou-o sobretudo a ser íntegro e a respeitar-se a si mesmo. Só assim ganhando o respeito dos outros.
Quando ele diz “quero ter orgulho em dizer que tenho um cão e que sou casado com um homem” não é um statement de exibicionismo excêntrico – é a reivindicação da sua verdade, de quem ele é. Uma verdade pessoal, biográfica, que não o envergonha.
Por isso é natural que eu também me veja reconfortado no seu triunfo. Eu pessoalmente não ganho nada com a sua promoção. (nem com os triunfos vários das nossas celebridades). Mas essa promoção facilita também o caminho de outros, e mais importante, a auto-estima de muitos.
E é ao ver alguns comentários online nos jornais publicados na net, cheios de anónimos gozões e acintosos, e raivosos, prenhes de mau gosto e de alarvidade, que mais reforço a ideia de que há dois tipos de pessoas: as que nos puxam a todos para cima e nos motivam a ir mais além, e as que apelam ao que temos de pior e nos tentam empurrar a todos pelo buraco abaixo.
E infelizmente, e desgraçadamente, no meu mural do Facebook também confirmo o mesmo.
Carlos Reis



3 Comentários
Ben Nevins
Portugal Não É exactamente “um País muito periférico” . . . Exactamente pela sua Posição Geográfica Central entre o novo mundo e o velho mundo, É que foi a Primeira Potência Mundial do século XVI . .
Sempre alguns Portugueses houve Excepcionais . . Outros porém nem tanto . . .
Namorado
Sobre a questão dos comentários ofensivos, mais ou menos anónimos, homofóbicos, idiotas, etc, etc, etc, a verdade é que sempre que um jornal publica uma notícia online aparecem sempre estas “pérolas. Muitos, impelidos por estarem atrás de um monitor, enchem-se cheios de coragem para tentar humilhar os outros. Os termos acabam por ser sempre os mesmos (“pega de empurrão”, “veado”, “gosta de soprar na palhinha, etc) porque a originalidade também acaba por ser muito limitada – em regra essas pessoas não são muito inteligentes.
Da mesma forma que quando aparece uma notícia com este teor e já sabemos de antemão o que ai vem, por exemplo, quando a notícia fala em adopção ou co-adopção os agrumentos roçam sempre a questão “não, porque as crianças vão ser violadas” e que “vamos confudir as crianças e elas vão virar gays ou lésbicas” quando crescerem.
E isto para dizer o quê? Para pegar na parte final do texto para voltar ao início. Durante a nossa vida teremos sempre pessoas a criticarem-nos. Se não for por sermos gays, será porque usamos amarelo ou azul, ou porque temos barriga, ou somos carecas. O segredo – se é que o há – é tentar relativizar as coisas que nos dizem/escrevem e perceber o que realmente é importante. Tenho muitas dúvidas que se o António Simões fosse ligar a tudo que que dizem/disseram sobre ele, conseguia chegar onde chegou sem ter “quebrado” a meio do percurso. Mas sobre isto, só ele é que poderá elucidar e explicar como reagia com este tipo de críticas/ofensas.
Rui
Gostei do comentário 😉