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Arquivo do movimento LGBTI+ reunido por Sérgio Vitorino fica disponível online até ao final do ano



Documentos compilados pelo histórico activista ao longo de mais de 40 anos vão integrar as colecções da Hemeroteca Municipal de Lisboa, que os deverá disponibilizar para consulta nas próximas semanas. Este conjunto inclui recortes de imprensa, fotografias, publicações, cartazes e outros formatos que contam a história do movimento LGBTI+ português desde o 25 de Abril.

Sérgio Vitorino foi um dos pioneiros do activismo pelos direitos das pessoas LGBTI em Portugal. A meados da década de 90 soma-se ao Grupo de Trabalho Homossexual, criado em 1991 por José Carlos Tavares, no seio do Partido Socialista Revolucionário – um dos três partidos que, em 1999, se juntou para formar o Bloco de Esquerda. Sempre associado às acções de reivindicação da igualdade de direitos e contra a homofobia e transfobia, Sérgio foi também um dos fundadores do grupo Panteras Rosa, em 2004, colectivo sempre presente nas primeiras marchas do orgulho de Lisboa e Porto e com uma posição militantemente interseccional.

Numa entrevista concedida à revista digital Divergente, anunciou que em 2012 a Hemeroteca Municipal de Lisboa contactou vários activistas no sentido de reunir documentos para formar um arquivo do movimento LGBTI+ português. Realizado esse trabalho, a entidade municipal constatou que a sua plataforma não tinha capacidade para suportar os novos conteúdos. No entanto, Sérgio afirma que esse problema já se encontra ultrapassado e que, ao fim de 13 anos, a Hemeroteca irá finalmente disponibilizar o acesso digital a essa documentação, dando como prazo o final deste ano.

No entanto, parte desse espólio pode ser já consultado no repositório Google Drive fornecido pelo artigo da Divergente. A colecção inclui panfletos, cartazes, fanzines e outros materiais de divulgação e acção política, como manifestos, produzidos por coletivos e associações. Entre as publicações incluem-se revistas e boletins das décadas de 1980 e 1990. Encontram-se ainda fotografias de manifestações, marcas e outros eventos do activismo LGBTI+. Há também numerosos recortes de imprensa — artigos, reportagens e notícias publicadas em jornais e revistas — que testemunham a forma como a sociedade e os meios de comunicação retrataram a luta pelos direitos das pessoas LGBTI+ ao longo das últimas décadas.

“Esta recolha resulta de um esforço coletivo, iniciado por uma pessoa da comunidade que, à época, trabalhava na Hemeroteca Municipal de Lisboa, esforço que também integrei mas que envolveu dezenas de outras pessoas e colectivos. Nesse sentido, por mais que eu tenha estado no centro do processo, envolvido outras pessoas e fornecido muitos originais, não é correcto dizer que a compilação foi feita exclusivamente por mim, até porque parte dela resulta de arquivos e recolhas que me antecedem e que eu me limitei a preservar. Aproveito para esclarecer que o GTH-PSR não foi criado por mim, mas sim por uma geração de activistas que me precedeu, entre os quais se destaca o José Carlos Tavares, sendo que eu só comecei a trabalhar com o colectivo em 1993 e só o coordenei a partir de 95-96”, comentou, entretanto nas redes socias do dezanove.pt o activista Sérgio Vitorino.

Artigo editado a 23 de Outubro com o último parágrafo e a correcção acerca da fundação do GTH. Lamentamos os incómodos causados.

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Foto: Sérgio Vitorino na manifestação Stop Homofobia em 2005 em Viseu (incluída na colecção disponibilizada pelo activista)

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Pedro Leitão

3 Comentários

  • José Carlos Tavares

    Sérgio Vitorino em 1991 não criou nenhum grupo no seio do PSR.
    O fundador do grupo de trabalho homossexual foi criado por mim que me chamo José Carlos Tavares, agradeço que reponham a verdade.
    Sérgio Vitorino substitui – me em 95 ,96
    Muito desse arquivo até à data acima referida foi feito por mim
    Há que repor a verdade histórica

  • Sérgio Vitorino

    Agradecendo ao Dezanove o interesse e o artigo, gostaria de esclarecer que esta recolha resulta de um esforço coletivo, iniciado por uma pessoa da comunidade que, à época, trabalhava na Hemeroteca Municipal de Lisboa, esforço que também integrei mas que envolveu dezenas de outras pessoas e coletivos. Nesse sentido, por mais que eu tenha estado no centro do processo, envolvido outras pessoas e fornecido muitos originais, não é correto dizer que a compilação foi feita exclusivamente por mim, até porque parte dela resulta de arquivos e recolhas que me antecedem e que eu me limitei a preservar. Aproveito para esclarecer que o GTH-PSR não foi criado por mim, mas sim por uma geração de ativistas que me precedeu, entre os quais se destaca o José Carlos Tavares, sendo que eu só comecei a trabalhar com o coletivo em 1993 e só o coordenei a partir de 95-96. Não sou, portanto, um dos seus fundadores. Finalmente, para ser inteiramente justo, reconhecer que houve uma tentativa da parte do Dezanove de entrar em contacto comigo, de maneira a melhor informar o artigo, à qual não pude corresponder em tempo útil, o que teria permitido esclarecer estes pontos, restando-me ficar à disposição para a concretização dessa conversa.

    • José Carlos Tavares

      “Sérgio Vitorino foi um dos pioneiros do activismo pelos direitos das pessoas LGBTI em Portugal. A meados da década de 90 soma-se ao Grupo de Trabalho Homossexual, criado em 1991 por José Carlos Tavares, no seio do Partido Socialista Revolucionário – um dos três partidos que, em 1999”
      Volto uma vez mais a lembrar que o Sergio Vitorino não integrou o GTH em 93 , integrou sim nos finais de 96 ,princípio de 97
      Até este ter integrado o grupo de trabalho homossexual nunca houve colaboração ou militância lgbt.

      Sem outro assunto
      José Carlos Tavares

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