Na edição de Janeiro da revista da Ordem dos Médicos foi publicado um artigo de opinião intitulado “O sentido do sexo” da autoria de William H. Clode. O artigo está datado de Dezembro de 2009 e neste William H. Clode aborda os cinco sentidos, o “sexto sentido” e o “daltonismo dos sentidos”, nesta última secção entre outras afirmações, podemos encontrar as seguintes: “A sociedade homossexual diferencia-se da heterossexual pelos gestos, pela fala, pela indumentária, pelos gostos e por manifestações subtis que identificam um comportamento.” e “a homossexualidade é conhecida desde que o ser humano está na História do Planeta. É repudiada em todas as civilizações mas tolerada nas civilizações mais evoluídas pois a humanidade aprende a respeitar os doentes, os defeituosos, os anormais, os portadores de taras…”
– Por que dará a Ordem dos Médicos tempo de antena a este tipo de opiniões?
– O que pensará José Manuel Silva, presidente da Ordem dos Médicos recentemente eleito sobre a cedência de espaço a artigos homofóbicos como o do Sr. William H. Clode?
O excerto da polémica pode continuar a ser lido aqui:

A Ordem dos Médicos pode ser contactada através do seu site.
Actualizado a 12 de Março às 01:00



30 Comentários
Anónimo
vamos divulgar esta notícia! como é que este texto é aprovado por uma ordem dos médicos? vergonhoso, vergonhoso para a classe! aliás ultrapassa a opinião e é discriminatório, homofóbico e ofensivo!
UNO
Isto sim, é escandaloso e aberrante.
Ainda estou incrédulo.
maria
Os médicos e a Ordem devia ter vergonha de publicar textos com este carácter preconceituoso, antiquado, homofóbico…que atraso de mente!
Steve
Infelizmente isto É liberdade de expressão. Ele tem o direito de publicar isto por mais ridículo que seja. Lutamos pelas nossas liberdades mas não podemos tirar liberdades aos outros – mesmo que isso signifique ouvir o que não se gosta.
Mais: só se fica ofendido com isto quem se identifica no artigo acima. Eu falo como sempre falei, visto-me com calças e t-shirts, gestos tipo caralhadas faço com frequência aos maus condutores, falo com a boca como a maioria das pessoas que não tiveram cancro da laringe e têm de falar por um buraco. Sinceramente não sei a quem o artigo acima se refere.
A mim, não é.
A Miúda dos Abraços
Comentário aqui: http://wp.me/p2b1w-223
alexandre
Que raio de revisão tem essa publicação?? Deveria ser credível e cientificamente correcto…não o é!
Nuno Moniz
mail que enviei à Ordem dos Médicos
Boa tarde. Após ter tomado conhecimento dum artigo de opinião publicado na revista da Ordem dos Médicos, referenciado no site Dezanove (http://dezanove.pt/141345.html), venho por este meio expressar a minha condenação, desagrado e repúdio ao conteúdo desse mesmo artigo, ao seu autor – William H. Clode, chefe do serviço hospitalar do Instituto Português de oncologia – e aos indivíduos da Ordem responsáveis pela publicação do mesmo. Trata-se de um artigo homofóbico mascarado de verdade científica, sendo que até nesse campo é confuso e sem fundamentos, tornando-o assim numa simples opinião preconceituosa, onde até o tom das palavras utilizadas o denunciam. Eis as razões pelo qual assim o considero:
-O autor apelida a homossexualidade de “daltonismo sexual”, comparando-o com o “daltonismo dos sentidos “clássicos”” quando diz “como nas cores que sendo diferentes são reconhecidas como iguais, os dois sexos embora diferentes entre si morfologicamente não se distinguem, confundem-se e atraem-se apesar de iguais”. Com isto o autor parece estar a dizer que os homossexuais sentem atracção por qualquer indivíduo pois não sabem distinguir um do sexo masculino de outro do sexo feminino; ora, parece que está mais a referir-se à bissexualidade, e mesmo assim seria uma comparação forçada e idiota, pois saber distinguir um homem de uma mulher não tem que ver com sentir-se atraído por um ou por outro
-“nos homossexuais é camuflado o que a natureza diferenciou morfologicamente” – ora, morfologicamente essa diferenciação da natureza não existe na homossexualidade, portanto não há nada para camuflar; não se trata de fingir ou não conseguir ver as diferenças. Mais: o autor mostra a sua ignorância também quando pensa no conceito de orientação sexual, pois só o consegue associar ao acto sexual (definições de homossexualidade – PRIBERAM: Diz-se da relação sexual ou afectiva mantida entre pessoas do mesmo sexo. REDE EXAEQUO: os gays e lésbicas são pessoas que sentem atracção emocional e sexual por pessoas do mesmo sexo. WIKIPEDIA: refere-se ao atributo, característica ou qualidade de um ser, humano ou não, que sente atracção física, estética e/ou emocional por outro ser do mesmo sexo.
-“são utilizados como órgãos sexuais a boca no sexo oral e o ânus e o recto no sexo anal. São situações distorcidas do normal com consequências de molduras diferentes” – para além de reforçar o facto de só conseguir escrever sobre sexo, o autor parece não saber que sexo anal e sexo oral também são praticados por heterossexuais, não podendo ser usado tal argumento como forma de denegrir a homossexualidade
-“as condutas sexuais aberrantes (…) sujeitas a uma higiene degradante” – os sexólogos e os médicos que têm formação nessa área dão aconselhamentos sobre os vários tipos de actos sexuais a fim de evitar precisamente problemas associados a má higiene, portanto… nem tenho mais nada a acrescentar sobre esta afirmação do autor
ATENÇÃO: a liberdade de expressão não deve ser confundida com discriminação, até porque é preciso ter cuidado quando se diz que apenas se está a respeitar a opinião de cada um: se se tratasse de preconceito para com africanos, judeus ou outro grupo que já sofrera discriminação em grande nível (ou, pelo menos, mais do que agora), certamente tal não seria tolerado.
Espero uma resposta em breve, cumprimentos
Nuno Moniz
Nuno
Muitos parabéns, Nuno! Esse mail deveria ser publicado na Revista da OM com o mesmo destaque do artigo em questão.
Pereira
Assim, sim, Nuno Moniz! 🙂
Também já escrevi para a Ordem dos Médicos, aguardo resposta!
Bellini
Em meu nome, apenas tenho a agradecer o facto de ter escrito para a OM.
Bem Haja!
Pedro
É impressionante como a Ordem dos Médicos consegue publicar algo sobre uma tutela que não lhe pertence (desde 1990). Este texto terá um peso igualmente diminuto como se uma Ordem de Arquitectos quisesse falar sobre gastronomia…
O que o senhor William sabe a respeito da homossexualidade, para além de mandar alguns bitaites e subjugar-se no heterossexismo como uma força social superior? Nada!
Reforço ainda por cima, o idealismo homofóbico (e por isso punido criminalmente) de quem associa à homossexualidade “os doentes, os defeituosos, os anormais, os portadores de taras…”, quando esta, fora as suas reais causas, está desassociada a qualquer um destes pre(con)ceitos. Quando comparada a um “daltonismo dos sentidos”, este médico nem tem a percepção de que poderá haver uma pluralidade, uma diversidade de condições exteriores à sua, e ainda por cima, este ao achar que consegue, olhando para uma pessoa, distinguir a sua orientação sexual só me faz reafirmar convictamente que não padece de um daltonismo, mas sim de uma cegueira total.
Convém que alguém em sua casa lhe faça ver, que ele não é dono de tudo nem de todos, pois creio que seja este o seu pensar, ao menosprezar não só os homossexuais, assim como provavelmente a daltónica da sua esposa, e restantes mulheres, que também “confundem como orgãos sexuais a boca no sexo oral, e o ânus no sexo anal”.
Daniel
Eu tambem enviei um email á OM através do website demonstrando o meu desagrado e repudio pelas afirmacoes proferidas por este individuo! Individuo este que devia envergonhar a classe medica!
Lib
Para além de ser um artigo altamente homofóbico, eu diria mais, de inspiração nazi, está completamente errado cientificamente. O autor não percebe coisa alguma de genética e muito menos de sexualidade. O que é mais grave é que o artigo foi escrito em 2009 e, nessa data, deve ter sido publicado sabe-se lá onde (provavelmente em alguma revista religiosa) e a Ordem dos Médicos foi agora recuperá-lo.
Pergunta-se agora: com que intuito foi a Ordem publicar este lixo? -Com o fito de conturbar a sociedade, o de incitar ao ódio, à violência homofóbica? Penso bem que sim, e assim sendo o bastonário deverá ser chamado à responsabilidade pela Senhora Ministra. Proponho que elabore uma carta se protesto para enviar aos orgãos de comunicação assim como aos ministros da saúde e da educação. Proponho ainda que se traduza este lixo para Inglês para enviar à Ilga internacionalmente. Proponho ainda que se inspeccione o autor do artigo, quanto ao seu percurso académico e à sua vida social e que se exponha os seus “podres” publicamente. A comunidade gay não está sozinha.
Anónimo
Ena, ena!! tanta proposta!!! E não propoe mais nada??? E depois??O que se segue??? Tortura???Apedrejamento???
Não há direito à diferença de opiniões? A posturas diferentes de estar na vida?
Isto é um artigo de OPINIÂO.
Ana Matos Pires
Olá Nuno,
Como não tenho outro meio de o contactar vai por aqui. Li e aprovei o comentário (este texto) que deixou no meu post do Jugular que não sei como nem porquê não aparece publicado. Se quiser ter o trabalho de voltar a deixar o comentário terei todo o gosto de o voltar a aprovar.
Um abraço,
ana
tiago
onde posso conseguir esse artigo?
Tiago Braga
“a tua liberdade termina quando começa a minha.” Não podemos justificar injurias como sendo liberdade de expressão.
este senhor violou um artigo do código penal ao injuriar um grupo de pessoas, independentemente se te identificas ou nao.
Era giro ver a justiça a funcionar, a ver vamos…
Abraço
Anónimo
Aqui:
http://pt.scribd.com/doc/49144583/om
LMRE
!
SR
Não obtive qualquer resposta ao email que enviei à OM!
Isabel
Pedro…o seu comentário foi das melhores coisinhas que li em resposta a este escândalo em pleno séc.XXI
Subscrevo e assino por baixo!
PS: Queria vê-lo com um filho “gay” ou uma filha “lésbica”! Era bem capaz de nem dar por isso, e só saber, passado anos quando a pessoa em questão quisesse expôr a sua orientação sexual, pois ao contrário do que ele pensa, não se diferenciam orientações sexuais “pelos gestos, fala, indumentária, pelos gostos e por manifestações subtis que identificam um comportamento”! Isso parece-me ser outra conversa.
Joao Oliveira
… e logo os médicos… que gostam tanto 😉
Daniel
Como é que em pleno séc XXI alguém diz que os sexos anal e oral não são “normais”? Esse homem, além de estúpido, deve ter uma vida muito monótona… Enfim, é com isto que vivemos todos os dias.
Vasco
Helder Fráguas sofreu a perda da sua companheira, a médica Drª Ana Paula Vidal. Ela conduzia o seu Audi A6 quando se despistou numa perigosa curva da serra da Arrábida, em Azeitão. Era a única ocupante do veículo e teve morte imediata. Ao Dr. Helder Fráguas, as mais sentidas condolências. as/exclusivo-cm/despiste-brutal-mata-med ica
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/notici
Anónimo
tenho vergonha de ser portuguesa… como deixar que se publique este artigo que ainda por cima é de 2009…sera esta a opiniao dos homens que juraram salvar a vida a todos os que necessitam?
Joao
Se calhar foi a Maya que escreveu este artigo de “opinião”, no intervalo do programa em que deita as cartas.
Na próxima revista da Ordem dos Médicos, não perca as previsões da Maya!
Anónimo
nem eu nem ninguem acho
Anónimo
qual foi o resultado desta situação? alguem se veio desculpar publicamente?
Anónimo
Cabe a cada pessoa separar as águas… Se todos os artigos ou documentos que são publicados tivessem evidência seria muito mais fácil para os profissionais e para os estudantes. No entanto o que se verifica é que o curso de Medicina, à semelhança de outros, ensina os futuros médicos a conseguir seleccionar qual a informação mais relevante e com mais interesse para a sua prática profissional.
Não vejo mal nenhum neste artigo, é mais um dos tantos que encontramos sem qualquer fundamento e que deve ser ignorado.
Sou gay e sou médico 🙂
Paulo
Ainda há 20 anos, um “grande psiquiatra”, Professor Dr. me propôs mudar a minha orientação sexual… Esse Sr. chegou a ser deputado do PS…