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“Até que enfim!”: Setúbal avança com a sua 1ª Marcha do Orgulho LGBTQIA+ a 4 de Outubro



Pela primeira vez na sua história, Setúbal vai acolher uma Marcha do Orgulho LGBTQIA+. O evento está marcado para as 16 horas do dia 4 de Outubro, com ponto de partida no Parque do Bonfim, e o percurso passará pela Baixa, Avenida 5 de Outubro, Praça de Bocage, onde será lido o manifesto da marcha, e terminará no Largo José Afonso com momentos musicais, entre os quais a actuação do Alarido, um coro feminista e queer.

A iniciativa é promovida pelo Qardume Coletivo a que se associaram diversos cidadãos e entidades para dar mais visibilidade às pessoas lésbicas, gays, bissexuais, trans, queer, intersexo, assexuais e a todas as identidades que desafiam a norma no distrito de Setúbal.

O manifesto, que acompanha o anúncio da marcha, é um apelo sentido à visibilidade, liberdade e inclusão. “Nós somos Setúbal. Periferia e centro, centro e periferia”, lê-se no texto, onde se destaca a presença destas pessoas na vida quotidiana da cidade — desde escolas e autocarros, até ao governo e à prisão.

“Esta Marcha é uma oportunidade para largarem o telemóvel e olharem para nós em carne e osso.”

A organização critica os discursos de ódio disseminados nas redes sociais e nos meios de comunicação, e recusa o silêncio e a discrição a que muitas pessoas LGBTQIA+ são forçadas. Rejeita ainda a ideia de que a luta pelos direitos LGBTQIA+ se resume ao sexo ou a “temas para adultos”, recordando que “há crianças e velhos LGBTQIA+” e que a questão é, acima de tudo, sobre dignidade humana.

O manifesto destaca também a importância da educação sexual como ferramenta de empoderamento, saúde e liberdade. Relata casos reais de desinformação e sofrimento vividos por pessoas que cresceram sem acesso a conhecimento sobre os seus corpos e relações.

Setúbal é descrita como uma cidade com desigualdades marcadas e exclusões múltiplas — de acessibilidades físicas a desigualdades habitacionais. A marcha pretende ser um espaço para afirmar que “está tudo ligado” e que a luta LGBTQIA+ é inseparável das lutas sociais mais amplas, mesmo lá fora, como em Gaza.

“Sonhar é isto: querer um mundo melhor, não só para alguns de nós, mas para todas, todos e todes nós.”

Um rio que corre ao contrário

A identidade de Setúbal — entre o rio, a serra e o mar — serve de metáfora para a resistência. O manifesto brinca com a geografia e com a natureza rebelde do rio Sado:

“Dizem-nos que somos da margem Sul. Nós dizemos: ‘da margem Norte do rio Sado’, porque este rio nunca deixou de ser rebelde, a correr ao contrário do que seria esperado.”

O Qardume Coletivo divulgou ainda algumas informações importantes:

Em 2023, Portugal voltou a cair no ranking dos países Europeus sobre direitos das pessoas LGBTQIA+, ficando em 11º lugar numa lista de 49 Estados, depois de já ter estado em 4º Lugar.

Segundo dados de 2020, 28% dos estudantes LGBT escondem que o são na escola; 57% das pessoas LGBTI evitam sempre ou frequentemente dar as mãos ao parceiro do mesmo género; e 20% já se sentiram discriminadas no trabalho (fonte: Relatório “A long way to go for LGBTI equality”, da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia);

Portugal já teve marchas e protestos LGBTI em mais de 30 cidades ou localidades diferentes;

Em 2020, Setúbal foi a quarta cidade com o maior de número de denúncias de discriminação LGBTQIA+.

25 anos depois da primeira Marcha do Orgulho LGBT no nosso país, Setúbal dirá presente e junta-se finalmente ao mapa do orgulho queer em Portugal. Consulta todas as datas deste ano aqui.

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Fotos: Qardume Coletivo

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