A World Aquatics suspendeu a atleta portuguesa Hannah Caldas de competições de natação por um período de cinco anos, após esta ter recusado a realização de um teste de “verificação de sexo”, que implicava a análise dos seus cromossomas sexuais. Além da suspensão, que vigora até 2030, todos os resultados obtidos por Caldas entre 19 de Junho de 2022 e 17 de Outubro de 2024 foram anulados.
Segundo um comunicado da New York Aquatics, emitido depois de ter sido tornada pública a decisão de penalização de Hannah, o exame foi solicitado para “confirmar se a atleta estava em conformidade com as regras de política de género (…). Durante a investigação, a World Aquatics pediu a Caldas que se submetesse a um teste cromossómico – cujo custo deveria ser suportado por ela própria.” O pedido “surgiu mesmo depois de Caldas apresentar um atestado de nascimento que a identifica como mulher”.
O mesmo comunicado indica que o seguro de Hannah recusa cobrir um teste deste tipo, já que não é clinicamente necessário e sublinha que “nenhum estado dos EUA exige testes genéticos para eventos desportivos recreativos como estes.”
No comunicado da New York Aquatics, é possível ter acesso a alguns dos posicionamentos da atleta. Hannah refere que “se uma suspensão de cinco anos é o preço a pagar para proteger as minhas informações médicas mais íntimas, então é um preço que estou feliz por pagar – por mim e por todas as outras mulheres que não se querem submeter a exames médicos altamente invasivos apenas para nadar numa masters competition [competição destinada a pessoas veteranas].” Hannah afirma ainda que a sua “vida e privacidade já foram invadidas o suficiente.”
A atleta, residente na Califórnia, é treinadora e nadadora e destacou-se em várias modalidades. Em 2021, conquistou títulos mundiais de remo indoor, nas distâncias de 500 e 1000 metros, tendo inclusive estabelecido um novo recorde mundial.
Este não é um caso isolado no panorama desportivo. Outras atletas – incluindo mulheres trans e intersexo – têm sido alvo de discursos e práticas discriminatórios em várias modalidades.
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Sara Lemos


