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Desde pequeno que é sempre a mesma cantiga

“Azul é de rapaz, rosa é de rapariga”

Um binarismo fascista, imperialista,

Se não encaixa, “não lhe posso pôr a vista!”

Cultura fechada, moldada sem razão para o padrão
Forçado, e aberta apenas para ideias de opressão.
A armada conservadorista reprimida e ofendida
Ainda acha que o orgulho lhe é devido e a marcha cedida.

Que sabes tu de dor, ó Samuel?
Já ouviste que o mundo é cruel,
Mas só leste de dor no papel,
Eu sinto-o na pele,
Um beijo de mão fechada te atropele
E que ninguém a tua cadência repele
Senão, um dia, ainda te mandam aqui para o nosso desnível.

O drama, a trama que se arma se quebrarmos o binário:
“Será que é homem? Será que é bicha?
Mas aquela coisa de cabelos longos tem picha?
Tem de morrer. Tem de sofrer.
Senão pensem nas crianças que vai corromper!”
Puta que pariu, cada sopro meu é um acto revolucionário!

“Mas como sabes se nunca estiveste com um homem?”
As héteros gostam de homem e não é por isso que se assumem, mano.
Tão-pouco estou confuso porque o amor é que me escolhe.

Não obstante, gosto de quem gosto, e só a ti isso recolhe, mano.

Ando com homem, ou mulher, pego quem eu na real gana quiser
Um ser humano, assim, santo ou pecador qualquer. (até)
Quero que me deixem em paz, que me deixem viver a vida
E ponham-se no caralho mais a vossa sexualidade reprimida.

Estares no padrão põe-te a jeito.
O binarismo é um sistema perfeito.
Não é preconceito, eu é que nasci com defeito.
E xs LGBT é que ainda têm de provar porque merecem respeito.


Bruno Matos

 

 Este texto é ficção e pertence ao projecto Voz Arco-Íris.