opinião

Confusão e Desorientação (a primeira vez que percebi que era Queer)



Antes de começar a falar a sério, queria desde já agradecer ao António pelos seus artigos sobre o Homem Queer a Caminho dos 50. E agora sim posso dizer em que consiste este tópico. É também sobre mim como Queer visto que descobri que o era este ano precisamente (podia ter descoberto há 10 anos mas não, foi este ano mesmo).

Então, era mais ou menos à volta de Setembro 2025 quando eu resolvo fazer três testes LGBTIQ+ para ver se eu de facto me identificava com algum deles. Eu fui fazer isso porque calculei que ia me identificar com algo pois na minha cabeça, no que diz respeito a amor, eu apesar de ter a minha preferência, eu prefiro deixar a natureza decidir, e normalmente, a sociedade que eu conheço não pensa assim, por isso fui fazer os 3 testes, e todos eles deram-me a mesma palavra. Queer. Eu olho para aquilo e começo a perguntar: “O que é isto”? “Será que isto é uma coisa assim tão óbvia? É uma coisa assim tão fácil de deixar entrar na minha pessoa?” E a resposta é um óbvio “Não”, mas por outro lado eu quando estava no outro circulo (o da dita “normalidade” entre aspas) eu queria entrar neste círculo colorido, agora que vejo que estou nele, não me param de vir questões. Sinto uma vontade louca de aprender mais sobre isto. Diria que é mesmo um desespero. Daquelas vontades tão loucas que nunca na vida tanto tive. Qualquer pessoa LGBTIQ+ um dia destes que me ofereça um livro ou uma história, ou qualquer coisa que me faça aprender sobre este meu novo mundinho rosa de Queer irá receber um grande abraço meu pois é exactamente disso que estou a precisar. E mesmo que não seja em forma de livro, estou sempre disposto a fazer novas amizades Queer. Se calhar, até era melhor ideia visto que enriquecia o meu mundo e garantia que não era apenas um mundo branco e negro à minha volta. Garantia a presença de todas as cores que tanto amo.

O nosso cérebro é complicado, tanto ama como odeia, mas hoje mais que nunca, precisamos de amar, hoje mais que nunca precisamos de não julgar, e hoje mais que nunca preciso de falar.

De falar com todas as pessoas entendidas na matéria, quantas mais melhor. Estou cansado de sentir que só sou expert em dois assuntos e o resto sou um completo amador.

Mas enfim, é o que é, o mundo nem sempre é justo, e por vezes até digo para mim próprio: “Tens que te sujeitar com o que tens”, mas não é fácil, uma pessoa quer sempre mais.

Se me perguntarem se já fui a uma LGBTIQ+ Pride parade eu respondo que sim, que já fui a uma, e até foi no Brasil, mas fui só de passagem porque tinha uma performance de dança para dar. Porque, me envolver em uma festa LGBTIQ+ como deve ser. Nunca me envolvi. Mas não descarto um dia me envolver. Só o tempo o dirá se isso irá ser possível ou não. 

Por agora, vivo com as confusões e as perguntas constantes que me surgem sobre o mundo Queer, preciso tanto mas tanto de aprender, e sei que um dia vou encontrar alguém. Se esse alguém fores tu, estou sempre disposto a te ouvir. Meu nome é Luís e esta é a minha experiência como Queer aos 39 anos quase 40.

Peço desculpa por não escrever tanto como devia, mas neste momento, é isto que consigo me lembrar.

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Luís Anarki

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