Pessoas LGBTt estiveram na nossa história, em todos os cargos e classes sociais possíveis, tendo mais ou menos liberdade para demonstrá-lo. Um caso muito interessante foi o de Cristina da Suécia, educada desde o início para liderar como mulher, comportando-se sem cumprir estereótipos do contexto em que vivia. Cristina da Suécia, nascida em Dezembro 1626, em Estocolmo, foi uma figura histórica que nos recorda que a presença LGBT e a quebra dos padrões de género sempre existiram na história.
No dia do do nascimento de Cristina, saiu dentro da placenta. Como não conseguiram ver de imediato o seu sexo, as enfermeiras disseram ao rei que era um menino, correspondendo aos desejos do pai de ter um menino. Quando conseguiram ver melhor, informaram o erro, mas D. Gustavo Adolfo I da Suécia decidiu que iria criá-la “como um menino”. Sendo considerada e educada como menino, seria também herdeira do trono.
Aos seis anos, perdeu seu pai, sendo então seleccionada para herdar o trono. Só sucedeu ao trono oficial aos 18 anos. Ela era educada com filosofia, grego, latim, alemão, holandês, dinamarquês, francês, italiano, árabe e hebraico. Além das disciplinas mais intelectuais e teóricas, também tinha disciplinas militares como hipismo, esgrima e estratégia militar Certo dia, foi revelado publicamente pelo seu tutor que ela tinha 14 anos e não 18, o que foi um choque para todos pela sua maturidade.
Cristina da Suécia era uma pessoa muito inteligente e interessada pelas artes, o que fez com que investisse muito em várias classes de arte, o que deu uma personalidade mais artística ao seu reino.
Ao chegar num momento da sua vida que se questionava sobre matrimónio, não revelava nenhum interesse por homens e por casamento. Preferia dedicar-se aos estudos e gostava de se vestir de forma criativa e sem limites de gênero. Os seus cabelos soltos eram muito característicos dela.
A rainha tinha uma acompanhante chamada Ebba Sparre, com quem passava muito tempo e tinha muita intimidade. Cristina também não escondia o carinho que tinha por Ebba. Por essa razão, muitos historiadores desconfiam que elas tido um relacionamento amoroso, Um tempo depois, Ebba deixou de estar com Cristina porque se casou com um homem que ela mesma indicou. Apesar da separação, as duas continuaram a trocar cartas, que muitos interpretam como românticas. Depois de ela e Ebba terem se separado, Cristina teve menos vontade ainda de casar. Aos 27 anos, Cristina da Suécia decidiu abdicar do trono e escolheu seu primo, Carlos X Gustavo, para suceder.
Após a decisão de abdicar do trono, decidiu então, a 24 de Dezembro de 1654, converter-se ao catolicismo e seguir os estudos, tendo vivido uma vida tranquila e saudável até os seus 62 anos, quando faleceu de pneumonia.
Como alguém que já nasceu com a responsabilidade de corresponder aos estereótipos de mulher, rainha de uma mulher, Cristina da Suécia foi alguém que teve a coragem de ser quem era e trouxe grandes progressos intelectuais e artísticos no seu reinado.
Foto: Wikipedia
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https://revistahibrida.com.br/historia-queer/historia-queer-cristina-da-suecia-rainha-seculo-xvii/
Carolina do Nascimento Bueno, Mestre em História de Género
Autora do blog Mulheres que marcaram


