Com o crescimento da extrema-direita em Portugal e com o aumento do número de ataques tendo como alvo pessoas LGBTQIA+, é expectável que o sentimento de insegurança na comunidade queer acompanhe essa tendência. Num inquérito online realizado pelo dezanove.pt, a maioria dos inquiridos diz-se sentir confortável em demonstrar afectos em público, mas não em todas as localidades, e percentagem dos que afirmam não se sentirem à vontade para o fazer chega a um terço das respostas.
Das 144 pessoas que responderam ao inquérito que esteve disponível para resposta em dezanove.pt ao longo de um mês, 22% afirmaram sentir-se seguras em demonstrar afectos, 48% declararam senti-lo, mas só em algumas localidades, enquanto 30% responderam que não sentem segurança em fazê-lo. Apesar de a maioria das respostas tender para um sentimento geral de relativo à-vontade com a demonstração pública de afectos, a verdade é parece estar condicionada à localidade do país em que o fazem.
Não tendo a sondagem recolhido o local de residência dos inquiridos, é provável que estes resultados venham confirmar que as grandes cidades do litoral são ainda zonas em que as pessoas LGBTQIA+ se sentem mais à vontade para expressar afectos em público, em contraste com as pequenas localidades do interior. É de constatar, ainda, que a percentagem dos que revelam total desconforto em exteriorizar publicamente demonstrações de afectos é já superior aos que afirmar não ter problema em fazê-lo.
Estas impressões enquadram-se num cenário de crescente radicalização política, que vê nos direitos LGBTQIA+, nos activistas e nos momentos de celebração da comunidade um alvo a combater, contra os supostos “excessos” permitidos pelos governos progressistas nos últimos anos. Esta posição, que o governo de Luís Montenegro tem institucionalizado através de medidas como a retirada de conteúdos considerados “problemáticos” sobre orientação sexual e identidade de género do programa da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, tem respaldado posições mais musculadas por parte da extrema-direita, que em não raras vezes têm tomado a forma de ataques contra pessoas LGBTQIA+.
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Pedro Leitão


