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Denúncia de abuso sexual leva a manifestação no Porto



Um caso de abuso sexual dado a conhecer pelo jornal Público esta sexta-feira está a causar indignação.

Por um lado, Mia Filipa de 43 anos, mulher que se encontra em processo de transição de género, educadora integrante da Marcha Orgulho LGBTI+ do Porto e integrante das listas do Bloco de Esquerda às eleições autárquicas desta cidade relatou na primeira pessoa as situações de que foi vítima tinha ainda apenas 16 anos: “Chamava-me periquito. Eu era uma pessoa muito franzina, até parecia mais novo do que os meus 16 anos. Ele tinha 42 anos”, conta agora Mia, que só 27 anos depois conseguiu verbalizar o que passou.

Por outro, está o actor António Capelo, de 69 anos, antigo director artístico, fundador e professor da escola Academia Contemporânea do Espetáculo (ACE), onde conheceu Mia Filipa, aos 16 anos, no seu primeiro ano de aulas, ainda antes da sua transição. Capelo já repudiou, num comunicado publicado no Público, as alegadas práticas de assédio como “actos muito graves” e que põe em causa a sua “honra”, a sua “vida profissional” e a sua “vida privada”. O actor refere que “gestos de proximidade, de afecto ou de apoio — como abraços, empréstimos de livros, partilha de refeições ou acolhimento em momentos de necessidade — nunca tiveram outro propósito senão o de educar, apoiar e formar seres humanos e profissionais”, afirma o actor que entretanto já se desvinculou da ACE.

Para além da carreira de actor, amplamente conhecido pelos seus trabalhos em teatro e televisão, Capelo foi também mandatário da bloquista Marisa Matias nas eleições de 2016 e 2019.

Mia explica ao Público como este caso afectou a sua vida e a abriu a porta “a outros homens com o mesmo tipo de atitude violenta”: “Só tomei consciência do que me aconteceu aos 39 anos, quando comecei a fazer terapia. Durante muitos anos não via esta situação como abuso. Até me sentia culpada, sentia que eu é que tinha provocado aquilo”, conta.

Em comunicado o Bloco de Esquerda repudia absolutamente as condutas relatadas, afirma estar solidário com as vítimas e apela à apresentação de queixas nas instâncias próprias.

O que se segue?

Esta segunda-feira, às 18 horas, há uma manifestação junto à ACE no Porto. O actor apresentou queixa-crime por difamação contra a página de Instagram “Não Tenhas Medo”, que está a ser usada por outros jovens para expor queixas contra o actor, que já circulavam anonimamente, mas que agora a plataforma deseja materializar formalmente junto do Ministério Público e outras entidades como a CM Porto, de forma a obter apoio psicológico, jurídico e indemnizações para as vítimas.

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Contactos úteis:

APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima

de 2ª a 6ª feira das 8h às 23h: 116 006 (número gratuito)

Quebrar o Silêncio Apoio gratuito e confidencial para homens e rapazes vítimas de violência sexual

Linha de apoio: 910 846 589 ou Email: apoio@quebrarosilencio.pt

Associação de Mulheres Contra a Violência – AMCV
Linha de apoio: 213 802 165 ou Email: ca@amcv.org.pt

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Foto: https://depositphotos.com/pt/

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