opinião

Duplo orgulho



O que leva Tom Daley a afirmar: – “Sinto-me muito orgulhoso em dizer que sou homossexual e campeão olímpico”

 

Depois de duas medalhas de bronze, a espera de Tom Daley terminou. Ao lado de Matty Lee, o atleta britânico subiu, em lágrimas, à posição mais alta do pódio, nesta que é a sua quarta tentativa. No final, comemorou a vitória com esta mensagem à comunidade LGBTQIA+, “Sinto-me muito orgulhoso de dizer que sou um homem homossexual e campeão olímpico. Quando eu era mais novo, pensava que nunca iria conseguir conquistar nada por causa de quem eu era. Ser campeão olímpico agora só mostra que se pode alcançar qualquer coisa”, afirmou.
No Reino Unido chamam-lhe “The Daley wait”. Trata-se de um período de espera que começou nos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, e só terminou esta segunda-feira, em Tóquio. Treze anos e quatro Jogos depois, Tom Daley venceu a tão desejada medalha de ouro.
“Eu ainda não consigo acreditar no que está a acontecer”, afirmou Tom Daley.

Daley fez questão de dizer àqueles que se sentem sozinhos, que não estão. “Tu podes conquistar tudo e tens aqui grande parte da família que escolheste pronta para te apoiar”, disse.
Já em conferência de imprensa referiu ainda, “Existem mais atletas abertamente LGBTQIA+ nestes Jogos Olímpicos do que em qualquer das edições anteriores. Quando era novo, sempre me senti como aquele que estava sozinho, que era diferente, que não se encaixava e que existia algo em mim que nunca seria como a sociedade queria que fosse. Eu espero que qualquer jovem LGBT lá fora possa perceber que, independentemente, dos quão solitários se sentem agora, não estão sozinhos e que podem alcançar tudo”, disse, em conferência de imprensa.

Tom Daley falou sobre seu casamento com o cineasta de Milk, Dustin Lance Black, dizendo que “não se importa” com o que as outras pessoas pensam sobre seu relacionamento.
Casaram-se em 2017 e juntos, são pais de um filho de três anos, Robert Ray.
Reflectindo sobre seu relacionamento, “Uma coisa que aprendi desde o início é a não me importar com o que as outras pessoas pensam.
”Isso tem sido útil desde que estou com meu marido. Eu tenho 27, ele tem 47.
“As pessoas têm as suas opiniões, mas não notamos a diferença de idade. Quando te apaixonas, apaixonas-te.”

Tom também falou sobre a paternidade. “Sempre quis ter filhos. Mesmo quando tinha 12 anos, ficava empolgado em ser pai. Robbie tem três anos agora. Tornar-se pai ajuda-te a perceber o que realmente importa. “

Esta edição dos Jogos Olímpicos tem uma participação recorde de atletas da comunidade LGBTQIA+.
No dia 2 de Agosto, entrou em cena a primeira atleta transgénero a participar nos Jogos Olímpicos. Hubbard efectuou a transição em 2012 e representou a Nova Zelândia na competição feminina de halterofilismo.
Mais de 160 atletas participam nos Jogos depois de se assumirem publicamente como membros da comunidade arco-íris, o que significa mais do triplo das lésbicas, gays, bissexuais e transgénero que competiram no Rio de Janeiro há cinco anos. Eram 56 em 2016 e apenas 23 em 2012.
Representam 27 países e participam em 30 desportos diferentes. Os Jogos de Tóquio representam assim um momento histórico na caminhada do orgulho LGBTQIA+.

 

Miguel Rodeia

 

Um Comentário

  • Amigo

    Há estatísticas divulgadas aqui no Brasil de que depois das mulheres, os homossexuais e ressalto: Resolvidos, são os que tem maior escolaridade! Tenho irmãos, hetero normativos: são maridos e tiveram filhos, mas não frequentaram Universidade e exerceram a profissão se não em único local, mas de longa duração num dos locais em que trabalhou! Quando eu tinha 30 anos, com muitas superações a atingir, sempre tive resolvida a minha sexualidade e, credito a essa questão ter alcançado o momento atual que vivo! Pessoas de 30 a 40 anos, com quem flertei mesmo com boa formação como advogado, engenheiro ou economista, vivem uma carreira sem sucesso, com ou sem rotina de casado. Apenas um engenheiro que foi além da paquera, à época, detentor de função de chefia e com conhecimento técnico da área, Não viu problema a diferença de idade (ele 35 e eu 52), ambos sendo Cis mas ele bissexual e eu homossexual. Muitas vezes o preconceito se consolida pela fragilidade que possa ensejar ao nos depararmos com ele. Mas quando vivenciamos o que somos, não existirá ninguém que nos impeça de vivermos até uma história de encontros amorosos em mesma empresa, como foi comigo: ele ia ao meu setor, falava com meu chefe e até colegas mulheres, Sem nunca ouvirmos reprovação quando se despedia de mim, naquele clima de falar enamorados! Atualmente, chegou aquele momento, em que há dois anos, conclui a minha carreira, passando ele a viver a rotina de casado. Como nem tudo encontramos amadurecimento, talvez faltou a ele, coragem de vivermos uma relação aí plena conjugal, já que em momentos diferentes no âmbito profissional, seria a hora de sermos casal e teria sido até antes da crise Sanitária. Acompanho a sugestão do Atleta: se quisermos, podemos ser nós mesmos!

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