opinião

E agora!? Depois das restrições



Poucos de nós imaginámos viver um tempo parecido com o que esta pandemia e a suas consequências nos trouxeram, como os meses de isolamento e ansiedade.
Mas muitos de nós gastámos muito tempo a imaginar o que vai acontecer no amanhã, seguir e recomeçar num mundo de todos desconhecido.
O mundo mudou e nós também. 

 

Conforme os níveis de vacinação aumentam e as restrições diminuem, há mais oportunidades para as pessoas se encontrarem, seja em restaurantes, bares ou outros ambientes.
Assim o Governo já comunicou as três fases de levantamento das restrições já a partir do próximo dia 1 de Agosto. A segunda fase terá início no início de Setembro e a terceira no mês de Outubro. Assim o evoluir da pandemia nos deixe fazer este regresso a uma nova normalidade sem mais surpresas.

É sabida a importância de locais pró LGBTQIA+, para muitas das pessoas da comunidade, sendo frequentemente os únicos espaços onde podem ser elas próprias.
A vida social Queer faz muita falta, sobretudo a quem vive ainda com familiares, a quem vive em ambientes hostis ou às pessoas que vivem sozinhas e que sem dúvida, será emocionante poder voltar a estarmos juntos novamente.

Iremos ser confrontados com uma comunidade que mudou e que não se sabe como será a nova forma de estar. 
Mas e se eu mudei? Se aquela ou a outra pessoa tiver mudado durante mais de um ano de isolamentos? Como iremos reagir à opinião, indiferença ou rejeição por estarmos mudados? Como serão as nossas relações? Quem vamos abraçar? Quem vamos beijar? A forma de namorar será igual?
Questões que se levantam após esta de separação e de contactos virtuais e uma coisa é certa, não somos as mesmas pessoas que éramos em 2019.

“Mas e se eu mudei? Se aquela ou a outra pessoa tiver mudado durante mais de um ano de isolamentos? Como iremos reagir à opinião, indiferença ou rejeição por estarmos mudados? […] Uma coisa é certa, não somos as mesmas pessoas que éramos em 2019”

Voltar à vida social não significa necessariamente continuar do ponto onde fomos obrigados a parar, porque houve tempo e a oportunidade de repensar como e com quem nos relacionamos. 
Um resultado positivo deste tempo de interregno é as pessoas poderem ter desenvolvido redes de apoio mais fortes a que realmente tiveram que recorrer e do virtual tornar essas ligações autênticas. 
Pode haver relacionamentos que estamos ansiosos para retomar e outros que percebemos que nunca nos serviram. 
Estarão todas as pessoas a voltar para contextos sociais sendo um pouco mais criteriosas?
Houve tempo para ponderar quem queremos ao nosso lado e tornar esta oportunidade como que um ‘reset’ na nossa vida.

Será importante para onde as pessoas irão ressocializar. Embora os espaços pró-LGTBQIA+ tenham sido essenciais para a construção da comunidade, poderão não ser agora a opção mais lógica, uma vez que a sociedade, sobretudo urbana, está mais tolerante.
Pode-se optar por experimentar outros contextos sociais não explorados antes, mesmo sendo menos ‘friendly’ do que um bar que habitualmente frequentávamos e dependam de interesses comuns, como artes, música ou tertúlias. Talvez seja mesmo a oportunidade certa para fazer essas experiências e desguetizarmo-nos um pouco e aproveitar para nos tornarmos mais visíveis no espaço público. Sabemos já que a visibilidade traz a naturalidade.

Talvez uma das melhores coisas que resultou desta pandemia foi a aprendizagem da entreajuda que muitas pessoas fizeram ou tiveram. No meio de tantas incógnitas e receios essas mesmas pessoas continuarão a aparecer e a conviver umas com as outras!?
E mesmo que as coisas pareçam diferentes quando voltarmos à vida social, teremos aprendido a tratarmo-nos com mais cuidado, consideração e empatia com o próximo!?
Ou será que não aprendemos nada de positivo com esta experiência nas nossas vidas!?

 

Miguel Rodeia

 

3 Comentários

  • Amigo

    Quando entramos em contato com a “letalidade” a gente pensa em vários contextos, afinal essa Crise Sanitária é também chamada de guerra “tóxica”! Não nos iludamos com pessoas que “eram” sexualmente mal resolvidas, porque continuarão a ser, até poderão “justificar” a “não” mudança enaltecendo porque “criticam” a sexualizacao do anus, frente aos “protocolos” covid, como o asseio permanente. Mas nem tudo será intransigência e nem sempre também glamouroso. Se houve quem teve um “hetero” para chamar de seu nesse período em que casais em home office acabaram se afastando, também passará pela fase: “bom enquanto durou” ou “amigos, com intimidades menos frequentes”. Essa última “fala” já terá sido um avanço: quantos de “nós” antes tivemos que ouvir: amigos apenas!

  • Anónimo

    A conclusão a que cheguei é que a comunidade GB é bastante tóxica (do L e do T não falo pois não tenho conhecimento de causa). Basta entrar numa dating app e meter conversa com alguém para perceber isso.

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