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“Eu quero continuar onde eu estou, no meu país e resistindo”

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Um fenómeno pop que arrasta milhões de jovens por todo o mundo e já ultrapassou as fronteiras do Brasil. Um concerto de Pabllo Vittar, em Lisboa era aguardado há mais de dois anos. A aparição da cantora no Arraial Pride de Lisboa veio aumentar o desejo dos fãs portugueses em ter esse encontro. E que encontro!

 

O dezanove.pt esteve à conversa com Pabllo Vittar antes do concerto. Uma conversa acompanhada pelo Filipe, um jovem lisboeta que viu em Pabllo uma referência para lidar com a sua sexualidade. O empoderamento da cantora brasileira e a sua atitude de resistência contra o preconceito ajudou-o a processar angústias interiores num ambiente familiar marcado pelo conservadorismo religioso. Pabllo deixa uma sugestão para os “filipes” que vivem no medo do armário. “Vá com calma e esteja sempre com pessoas que gostem de você. Porque se você se abrir para pessoas que estejam ali com você desde o começo como sua mãe, seus pais, seus amigos, tudo vai ser mais fácil”, aconselhou.

A nossa conversa aconteceu antes do concerto. A tarde estava de vento e a conversa com Pabllo Vittar aconteceu depois de uma longa viagem, cheia de êxitos. Uma actuação com Sofi Tucker no mítico festival Coachela, na Califórnia, nos Estados Unidos, dois concertos na Argentina e um em Santiago do Chile. O jet leg não impediu porém de termos uma Pabllo Vittar carinhosa e cheia de “Energia”. A tourné “Não pára não” (NPN) pretende ser um hino à beleza feminina e à união entre as pessoas. Uma homenagem às mulheres que mais inspiram Pabllo Vittar: Rihanna, Rupaul e Beyoncé. “Eu acho que a música está aí para unir as pessoas para trazer assim a junção de tribos, de etnias de raças e no meu show é isso. Todo o mundo fica lá junto se jogando, sem querer olhar a quem”, referiu numa altura em que tem quase 8 milhões de seguidores no Instagram. A comunicação com os fãs é parte fundamental do trabalho artistico de Pabllo. É na relação que se inspira, para fazer e escrever as músicas como o último single “Buzina”. “Eu escrevi a letra do Buzina e na minha cabeça realmente eu estava numa nave espacial. No clipe eu queria ter uma vibe assim. E eu amo Mangaza, que são animes. E eu adoro essa vibe e eu disse um dia eu vou fazer um videoclipe com essa vibe”, explicou numa altura em que o Brasil enfrenta uma situação política complicada. Sair para outro planeta não é contudo uma metáfora. “Eu quero continuar onde eu estou no meu país e resistindo. Nada de ir embora para outro planeta”, reafirmou Pabblo, que recentemente foi nomeada para os Grammy Latinos, para o MTV Europe Music Awards e para o MTV Millennial Awards Brasil. Os vídeos das músicas são um fenómeno global de grande impacto com mais de 200 milhões de visitas. Para além do discurso positivo e empoderado a cantora conta ainda com as redes sociais. “Gosto de ter o contacto com os fãs, porquê é o que me inspira, é o que me faz escrever músicas. É o que dá motivo para mim e para a minha existência”. A palavra certa seria mesmo “rexistir” combinando resistência com existência. Em relação aos discursos de ódio nas redes, Pabllo referiu que tem filtros. “Eu leio o que eu acho que vai-me fazer bem. E então eu fico longe da negatividade”, acrescentou.

 

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Campo Pequeno pulou e Pabblo chorou

Às 19h30, de dia 24 de Abril, as filas de fãs de Pabllo Vittar para o concerto em Lisboa davam a volta ao Campo Pequeno. Os “Vittarlovers” como são descritos pela drag brasilieira, não faltaram à chamada. O concerto estava praticamente cheio. Um ambiente muito jovem, cheio de referências à cantora. As roupas coloridas, faixas com palavras de carinho e muitas purpurinas. A abertura do concerto foi com a canção “Buzina” que originou uma explosão de alegria. Uma hora antes do concerto a alegria estava a ser alimentada pelas drags da discoteca Posh. A plateia ia ao rubro com os movimentos de dança e os “deaddrops”, movimento ícono do vogue, estilo de dança adoptado pelo mundo drag. Vestida como “uma boneca de porcelana”, como tinha prometido na entrevista ao nosso site, Pabllo Vittar arrancou gritos de uma sala. Um dos fãs junto ao palco fazia uma chamada para um amigo a contar que tinha vindo de Portimão para ver a Pabllo. Paulo Bessa trazia uma faixa e esteve na porta do Campo Pequeno desde das 18 horas para conseguir aquela posição. A transição para a segunda música arrebatou a sala. “Problema Seu” pôs os corpos a rebolar. No palco os movimentos coreografados pelo corpo de bailarinos de Pabllo Vittar. Depois seguiram-se os hits da cantora, acompanhados pelo público de forma síncrona, uma comunidade de canto e de euforia. Pabblo Vittar pedia a Lisboa para saltar e curtir.

 

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Não deixou de levantar a bandeira de Portugal e do Brasil, numa sala de espetáculos livre. O 25 de Abril estava ali à espreita. Para muitos jovens a Pabllo Vittar é o seu 25 de Abril. Poderem expressar-se e serem amados e amadas pelo que são. E Pabllo gosta disso. “Eu amo a singularidade de cada pessoa. De cada país. E o amor de Pabllo Vittar foi correspondido. A sala fê-la emocionar-se enrolada à bandeira arco-íris, símbolo da resistência LGBTQI. Chorou e agradeceu. A sala não ia deixar o concerto acabar sem um bis. Mais duas músicas, num final de concerto que arrastou a energia “vittariana” pela cidade de Lisboa. Até sexta feira, dia 26, a Pabllo Vittar vai andar pela cidade levando a resistência do amor.

 

André Soares