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“Eu sou Eubrite!” - uma arte que anseia valorização

Eubrite

Jarbas Krull, natural de Bahia, veio para Portugal há três anos e aqui decidiu dar vida a Eubrite, uma patinadora excêntrica que não deixa ninguém indiferente, principalmente na capital do país. Estreou-se nas ruas de Lisboa, em 2018, e é por Lisboa que tem permanecido.

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Dança, com patins, ao som de Britney Spears, Ludmila, Anita e mais artistas. Usa fatos coloridos justos ao corpo, peruca loira e transmite um sorriso contagiante. As suas performances são marcadas por manobras arriscadas - como por exemplo, o moonwalk em cima das rodas ou os saltos nos caixotes do lixo da cidade, muita diversão, concentração e técnica. Ao longo do tempo, a personagem criada por Jarbas, tem cativado várias pessoas que passam pelas ruas em que actua – Rua Augusta, Rua da Rosa, Chiado são algumas delas e, o objectivo é assim continuar.

No entanto, Jarbas está consciente de que cativar o público nem sempre é uma tarefa fácil. Por isso, além do grande desafio que é, por si só, dançar em patins, na calçada portuguesa (essa dificuldade diferencia-o e destaca-o positivamente) este é outro dos seus grandes desafios diários. Segundo o artista, em declarações ao dezanove.pttodo o dia tem sido uma conquista e o feedback nem sempre é o esperado”. De facto, Jarbas, numa entrevista dada ao nit.pt, já tinha referido que no início foi muito difícil. O público via esta personagem como desordem, como uma desorganização do espaço público. Actualmente, o paradigma alterou um pouco mas, efectivamente, o artista lembra que o conservadorismo tem sido o maior obstáculo para si. Para além disso, confidenciou ao dezanove.pt, que a própria comunidade LGBT se constitui um desafio a enfrentar, uma vez que, segundo ele, a comunidade não consegue ver as cores da bandeira em si, fazendo assim surgir uma falta de apoio.

 

Apesar de tudo, a personagem Eubrite significa, segundo o artista, “liberdade e o empoderamento de sermos livres e a mensagem que ela passa é que é preciso coragem para ser diferente e competência para fazer a diferença”. De facto, Jarbas, de 35 anos, mudou-se para Portugal porque tinha características que não eram compreendidas na sua cidade e queria encontrar-se como ser humano e como profissional. Assim, vê na Eubrite uma forma de viver a liberdade da expressão dos seus próprios sentimentos, que não conseguia de outra forma. Para além disso, tal como referiu ao dezanove.pt, a personagem surgiu através de várias tentativas de expressar a sua arte e também porque sentia que faltava algo de diferente entre os seus colegas artistas de rua.

 

O seu principal objectivo, a curto e a longo prazo, é “arrancar sorrisos” às pessoas que passam pelas ruas em que actua. Para além disso, pretende ver o seu trabalho reconhecido e bem remunerado. De facto, segundo Jarbas, a arte de rua é, para si, uma vitrine para o mundo, no entanto, acredita que ainda não é suficientemente valorizada.

No Instagram de Eubrite é possível ver excertos de algumas actuações do artista, sendo, também, essa uma forma da personagem chegar a mais pessoas. Por isso, se ficaste com interesse no trabalho da patinadora mais excêntrica de Lisboa, segue-a nas suas redes sociais, fica a par das suas actuações e tal como Jarbas referiu, nas declarações ao dezanove.pt: “seja feliz, seja ele, seja ela, seja você: eu sou Eubrite!”.

 

Sara Lemos