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“Existimos e resistimos”: 27ª Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa junta 60 mil pessoas contra o retrocesso



Esta tarde de Sábado foi de festa, mas sobretudo de forte afirmação política na capital. Sob o lema “Nem silêncio, nem medo: existimos e resistimos!“, a 27ª Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa reuniu cerca de 60 mil pessoas, segundo os dados da organização. O desfile arrancou às 16h30 do Marquês de Pombal e desceu a Avenida da Liberdade em direcção ao Terreiro do Paço, num ambiente vibrante animado pelo som da Colombina Clandestina, dos Ritmos de Resistência e do Baque Mulher Lisboa. O evento contou também com uma forte representação partidária, destancando-se a presença de elementos do Livre, Bloco de Esquerda e Juventude Comunista Portuguesa.

Ao longo do percurso, a criatividade e o activismo da comunidade traduziram-se em dezenas de cartazes com mensagens que iam directo ao cerne da actual batalha legislativa e social, como “Ideologia é revogar leis de 2018 (contra todos os pareceres científicos)“, “Em cada rosto, igualdade” ou “O amor das minhas mães merece ser celebrado, não explicado“. A edição deste ano assumiu um carácter de urgência inédito em décadas, acontecendo num momento de profunda viragem política em Portugal. A Marcha serviu de resposta directa à recente reversão de direitos promovida pela maioria de direita na Assembleia da República, que avançou com a revogação da lei da autodeterminação de gênero – um duro ataque que visa especialmente as pessoas trans e de género diverso. A este cenário somou-se o silenciamento cultural na própria capital que, pela primeira vez, não terá o icónico Arraial Pride a acontecer no mês de Junho.

Em comunicado, a Comissão Organizadora da Marcha – composta por 17 associações e colectivos com intervenção política nas áreas LGBTI+, feminista e anti-racista – alertou que a nova conjuntura política “volta a colocar as pessoas e famílias LGBTQI+ em perigo, com sinais de que as conquistas das últimas décadas estão hoje em risco de retrocessos“. A organização sublinhou ainda a gravidade do momento histórico actual: “Num ano em que as pessoas LGBTQIA+, especialmente as pessoas trans e de género diverso, têm sido atacadas sem qualquer pudor, com tentativas de reversão de direitos adquiridos, no que seria o primeiro retrocesso a nível de Direitos Humanos desde o 25 de Abril, e em que, pela primeira vez, ao fim de décadas, Lisboa não terá o Arraial Pride em Junho, a importância desta manifestação é incontestável e símbolo de orgulho e de luta da comunidade, das suas famílias e pessoas aliadas“.

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