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Fado Bicha estreia novo tema, homenageando Valentim de Barros (com vídeo)

Fado Bicha - Valentim Barros

Os Fado Bicha escolheram a 26ª edição da Gala Abraço, 1 de Dezembro de 2018, Dia Internacional da Luta Contra a Sida, para lançar o mais recente tema do repertório, “Valentim”, com lotação completamente esgotada no Teatro Municipal S. Luiz, em Lisboa.

Lila Fadista e João Caçador firmam assim, cada vez mais, Fado Bicha como, acima de tudo, um estandarte de disrupção, libertação e luta contra o preconceito, dando à sua arte o propósito da evolução dos horizontes da sociedade e colocando o fado no activismo pela igualdade e aceitação.
Desta feita, o novo tema, “Valentim”, homenageia Valentim de Barros (1916-1986) – bailarino Português de grande sucesso internacional, internado no Hospital Miguel Bombarda, submetido a leucotomia pré-frontal e mantido durante décadas em cativeiro, sob o único diagnóstico: homossexualidade.
O tema - onde Lila Fadista surgiu dando logo um grande impacto, com um figurino alusivo a um colete-de-forças (confecção de Oficina Atelier) - teve como introdução o cortante relatório médico feito a Valentim.
Seguindo-se o Fado Cravo (composição original de Alfredo Marceneiro) que conta, como é já marca do Fado Bicha, com um inovador arranjo de João Caçador, que acompanha Lila Fadista à guitarra. A letra original é da autoria de Inês Marto, num poema que exalta a resiliência do bailarino subjugado tão cruelmente às mãos da homofobia.

 

Valentim:

Miragem, sombra, universo
Quarto-camarim reverso
Onde ceifam a razão,
Por seres fauno redentor,
Tentaram esvair a cor
Que sangravas de paixão

Por anos de noite crua
Calaram-te a alma nua,
Sonhada livre ao relento,
Coragem que se fez morte
Num país deixado à sorte
De ser apenas cinzento

Valentim, livre escultura,
Afogaram-te em loucura
Nesse crime sem perdão,
Cicatriz de dor vincada
Na cabeça torturada
E amarras no coração

Ao peito ergueste bandeiras
Foste arte contra as barreiras
Do teu injusto destino,
Na prisão feita ribalta
És dança que aos céus se exalta,
Serás sempre bailarino. 

Inês Marto