Somos todos bem recebidos até ao momento em que impomos limites.
Em muitos casos, somos programados para satisfazer a nossa linhagem familiar, seguindo as tradições e costumes que ela mesma criou. Se te desvias um bocadinho que seja desse propósito, és egoísta e não dás valor ao que os teus antepassados fizeram por ti.
Por saber e ter consciência disso, é que quero traçar o meu próprio caminho.
Imaginem-se como pequenas flores que germinaram numa caixa de 3 cm cúbicos, chega a uma altura que tem de florescer. Como é que isso acontece se não tem oxigénio e espaço para tal?
Das duas uma, ou morres ou rasgas a caixa para poderes crescer mais.
Somos criados da criação que julga que nos pode traçar o caminho, e isso faz confusão a quem desde sempre sabe que caminho trilhar.
As pessoas julgam-se menos merecedoras de algo porque sempre lhes fizeram acreditar que certas coisas não são para nós, mera população que vive do trabalho árduo para se sustentar.
Mas agora eu deixo uma questão: “Não somos todos filhos do trabalho e de uma nação que viveu anos na penúria?”
Há que saber florescer e sair da caixa.
Conhecer o que gostamos e darmos abertura a quem, futuramente, vier depois de nós. Quebrar estereótipos e darmos atenção a quem não nos deu em tão tenra idade.
Há quem julgue mais alguém que seja feliz do que aqueles que cometem crimes e saem ilibados. Esse é o grande problema da sociedade.
Se analisarmos melhor, a ética da sociedade não faz grande sentido, principalmente quando és mulher.
Seja que trabalho tiveres, tens de mostrar o dobro que mereces estar naquele lugar e se és vista como rude, mulher de atitude e decidida, costumam dizer que tens uma “energia masculina”.
Deixem-me então destruir mais um bocado desta sociedade heteronormativa onde, infelizmente, ainda vivemos.
Não existe “energia masculina”, estas palavras são uma tentativa de nos desflorescer e de nos voltar a enfiar na caixa que nos conseguimos livrar.
O problema não é nosso, mas sim da sociedade que reservou a liderança e ambição para os homens e a doçura e obediência para as mulheres. É mais uma das mil maneiras, de tentar fazer como se nós, mulheres, estivéssemos fora do nosso lugar.
A verdade é que não existe nenhuma energia dividida em estereótipos, existe a tua energia com a capacidade de poderes ser o que quiseres.
E agora deixo outra questão: Quem é que achas que ganha quando tu acreditas que a tua força não é coisa de mulher?
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Mariana Filipa Ferreira


