O festival mais inclusivo de Lisboa já tem datas, e nós fizemos a curadoria que interessa
O MEO Kalorama regressa a Lisboa com novas datas: de 19 a 21 de Junho, no Parque da Bela Vista.
Pela primeira vez, o festival trocou o habitual Setembro pelo início do Verão, tornando-se um dos primeiros grandes eventos da temporada. A organização já deixou em aberto que as datas podem voltar a mudar no futuro, mas para já, estamos prontos para celebrar sob o sol lisboeta — com muita música, liberdade e diversidade.
Este guia destaca os nomes mais relevantes para a comunidade LGBTQ+, seja pela sua representatividade, apoio activo à causa queer ou presença marcante em espaços de cultura alternativa. Os horários ainda não foram divulgados, mas a lista está feita para que saibas onde encontrar os teus ícones (e aliados) este ano.
19 Junho
Pet Shop Boys
Lendas vivas da pop electrónica e ícones queer desde os anos 80. Neil Tennant, vocalista abertamente gay, e Chris Lowe trazem ao Kalorama o seu novo álbum Nonetheless, descrito pelos mesmos como o álbum “mais queer” das suas carreiras. Expecta-se um espectáculo nostálgico, visualmente elegante e profundamente emocional.
Father John Misty
Indie folk com alma sarcástica e mente progressista. Um dos maiores aliados queer do circuito alternativo, vem com o disco Mahashmashana (2024), mas não faltará Hollywood Forever Cemetery Sings e outros hinos melancólicos.
Sevdaliza
A artista iraniano-holandesa que desconstrói género, poder e identidade. A sua mistura de electrónica, trip-hop e R&B é hipnótica. Com certeza vamos ouvir o seu último hit Alibi, canção que teve a participação do artista queer Pabllo Vittar e marcou o verão de 2024. Sem disco novo anunciado, deve apresentar temas de Shabrang (2020) e ISON (2017) — dois álbuns que ecoam profundamente na comunidade queer alternativa.
2ManyDJs (DJ set)
Os irmãos belgas são presença assídua em pistas de dança queer por todo o mundo. Irreverentes, dançáveis e imprevisíveis. Não vêm com álbum novo, mas os seus sets nunca precisam de desculpas para incendiar a pista.
Kierastoboy
DJ e radio host actualmente a viver em Lisboa, é uma das DJs residentes da Collect, espaço da música eletrónica da cidade. Recentemente, fez parte da primeira edição da Liturgia – o novo projecto da Succo Agency (agência a qual pertence), onde se celebrou a diversidade, inclusividade e criatividade dentro da comunidade queer e alternativa.
Olof Dreijer
Conhecido por integrar os The Knife (com a sua irmã, Fever Ray), é um artista abertamente queer e activista. Espera-se um set político, experimental e profundamente libertador.
Roi Perez
Figura central da cena techno queer de Berlim, traz para Lisboa a energia dos clubes mais progressistas da Europa. Ideal para quem procura dançar em liberdade total.
20 Junho
FKA Twigs
Aliada queer, performer de outro mundo e uma das vozes mais vanguardistas da última década. Com o seu novo álbum EUSEXUA (2025), deve apresentar uma mistura de visuais imersivos, coreografia e espiritualidade queer. Imperdível.
Azealia Banks
A rapper bissexual mais polémica da cena pop, com um lugar especial no coração da cultura ballroom e das pistas gay. Hits como 212, Liquorice ou Anna Wintour prometem incendiar o Kalorama.
Róisín Murphy
Ícone disco e diva queer por excelência. Apresenta Hit Parade, um dos melhores álbuns electrónicos do ano 2023, produzido com DJ Koze. Visualmente arrojada, sempre teatral, é uma das atracções mais aguardadas.
Scissor Sisters
O regresso que ninguém estava à espera: a banda queer mais divertida dos anos 2000 volta aos palcos. Hits como Take Your Mama, Let’s Have a Kiki e I Don’t Feel Like Dancin’ fazem parte do imaginário LGBTQ+. Vai ser pura celebração.
Helena Hauff
DJ e produtora com uma legião de fãs na cena queer underground. O seu techno ácido, sem concessões, transforma qualquer pista num lugar de exorcismo colectivo.
Kelly Lee Owens
Com raízes na dream pop e na techno introspectiva, Owens é uma aliada queer e uma das vozes mais inovadoras da electrónica actual. Traz novo albúm consigo, Dreamstate lançado em 2024.
Viegas
João Viegas é uma presença incontornável do circuito clubbing lisboeta. Em 2020, fundou a ARVI+, uma festa e plataforma artística de espírito livre e fortemente queer, que ocupa regularmente espaços emblemáticos da noite alternativa da cidade.
21 Junho
Damiano David
O vocalista de Måneskin é conhecido pela sua expressão fluída de género e apoio público à comunidade LGBTQ+. Estreia-se a solo este ano, com o seu primeiro albúm FUNNY little FEARS, e o Kalorama será uma das primeiras oportunidades para ver esta nova fase artística.
Jorja Smith
Cantora e compositora britânica com uma voz marcante e presença constante como aliada da comunidade LGBTQ+. A 1 de maio lançou o novo single “The Way I Love You”, o primeiro avanço do que poderá ser o seu terceiro álbum de estúdio. Para já, apresenta o álbum Falling or Flying (2023), com temas sobre identidade, amor e pertença.
Jasmine.4.T (Palco Principal)
Artista promissora com ligações a boygenius e Phoebe Bridgers. Como refere o The Guardian, a sua obra explora a libertação de andar finalmente pelo mundo como ela própria, a alegria de uma primeira relação queer e os amigos e comunidades que apoiaram Cruickshank durante todo o processo. A não perder!
Carla Prata
Com raízes entre Portugal, Angola e Inglaterra, Carla Prata é uma voz queer no R&B nacional, mesmo sem se assumir porta-estandarte. Nostalgia tornou-se um hino lésbico com sex appeal e letras frontais, e temas como Se Tu Quiseres continuam a explorar o desejo entre mulheres. Em 2024 lançou o provocador PUPA, afirmando-se cada vez mais numa música sem género nem medo.
Jennifer Cardini
Lenda da cena eletrónica queer europeia. Lésbica assumida, a sua carreira mistura curadoria, produção e criação de espaços queer seguros no mundo da música. Um dos nomes mais importantes do cartaz para ravers LGBTQ+.
Daniel Avery
Produtor e DJ britânico conhecido por colaborar com artistas queer e tocar em espaços inclusivos. Traz sonoridades densas e ambientes hipnóticos — para perder o corpo e a noção do tempo.
Ryan Elliott
Nome forte de Berlim, com raízes em Detroit. O seu techno funcional e inclusivo é presença frequente em festas queer e clubes progressistas.
O Kalorama 2025 mostra, mais uma vez, que não é só um festival de música — é um espaço de encontro, diversidade e expressão. Mesmo sem horários confirmados, já sabemos que a representatividade queer está bem viva nos palcos do Parque da Bela
Vista. Este guia é para te ajudar a planear os teus dias, as tuas danças, os teus gritos de liberdade. Lisboa começa o Verão com amor, com arte, com orgulho.
Sara Correia


