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Nem na mata se encontram histórias assim

Homens a sério

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As últimas décadas redefiniram o que significa ser mulher em Portugal. As mulheres de hoje podem ser o que quiserem e fazer o que bem lhes apetecer. Ser mulher nos dias de hoje é ser beneficiária de décadas de conversas sobre as complexidades da feminilidade nas suas muitas formas e expressões. No entanto, parece-me que os homens foram deixados para trás. Nenhum movimento proporcional emergiu para ajudar-nos a navegar para uma expressão plena do nosso género.

Papéis de género, ou masculinidade e feminilidade, são um conjunto de directrizes que impusemos a homens e mulheres como consequência da cultura e da história. Criámos e perpetuámos um ideal masculino que limita os homens e os impede de serem fiéis a si mesmos. Como resultado, os papéis de género têm mantido os homens e as mulheres em mundos separados. Durante demasiado tempo, a sociedade (des)ensinou-nos o que significa ser um “homem a sério”:

  • Homens a sério não choram.

  • Homens a sério não usam cor-de-rosa.

  • Homens a sério não usam cremes.

  • Homens a sério não usam maquilhagem.

  • Homens a sério não fazem a depilação.

  • Homens a sério não andam de mala.

  • Homens a sério não fazem pilates.

  • Homens a sério não comem quiche.

  • Homens a sério não bebem de palhinha.

  • Homens a sério não gostam de outros homens.

Mas também costumávamos pensar que o mundo era plano e que as bruxas causavam doenças e enfermidades! Por isso, talvez esteja mais do que na hora de redefinir o que significa ser um “homem a sério”, já que a forma antiquada como vemos a masculinidade impede-nos de crescer como pessoas.

Num mundo ideal, ninguém faria suposições sobre uma pessoa nem lhe colocaria quaisquer limites com base no seu género. Isso significaria que o género não seria um impedimento para o progresso. Adoptar esta mentalidade significaria que ser homem nada teria a ver com as noções tradicionais de masculinidade. Pelo contrário, ser homem significaria simplesmente ser humano e tratar os outros, independentemente de sexo, raça, religião, idade ou orientação sexual, como tal. Sem esquecer que “masculino” e “feminino” já não são vistos como as únicas opções de género. O Tinder, por exemplo, já oferece 37 opções de identidade de género aos seus utilizadores. Isto é um enorme sinal de progresso que me dá muita esperança em relação a um futuro mais receptivo.

Eis o meu desafio a todos os homens que insistem em querer ser “homens a sério”: façam aquilo que bem lhes apetecer desde que isso não prejudique ninguém. Usem cor-de-rosa! Usem maquilhagem se assim o desejarem! Chorem em público sem se sentirem constrangidos! Aceitarmo-nos tal como somos é o que realmente faz de nós “homens a sério”!

 

Artigo da autoria de Miguel Martins, quarto qualificado no concurso Mister Senior Netherlands e vencedor nas categorias Favorito do Público e Melhor Talento