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Horror no Senegal

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AVISO: Este artigo contém descrições de violência que alguns leitores podem achar chocantes. Incluímos  uma captura de ecrã, mas decidimos não partilhar os vídeos.

 
No passado mês de Outubro, diversas imagens circularam na redes sociais mostrando um grupo popular senegalês a desenterrar e queimar um cadáver, devido à sua suposta orientação sexual. O Senegal penaliza as relações entre pessoas do mesmo sexo com prisão até 5 anos. Este acto chocou o país e a comunidade internacional, desencadeando uma investigação criminal. Os acontecimentos desenrolaram-se no cemitério da cidade de Kaolack, a cerca de 200 quilómetros de Dakar.
De acordo com a comunicação social, este acto hediondo recaiu no corpo de um homem homossexual. Nas redes sociais podemos observar uma multidão reunida ao redor duma fogueira, a filmar e a fotografar o acontecido o corpo em chamas.

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A homossexualidade não é aceite no Senegal. No entanto, o sucedido foi visto como um desrespeito pelos mortos e um atentado aos direitos humanos, tendo a justiça aberto um processo para identificar e punir os autores do crime. De acordo com a polícia local, quatro suspeitos foram já detidos, não tendo as suas identidades sido reveladas.

A Amnistia Internacional, juntamente com duas organizações de direitos humanos senegalesas, "condenou vigorosamente" o incidente num comunicado, acrescentando que "viola a dignidade do falecido e da sua família".

A Amnistia há muito que denuncia a deterioração da situação das pessoas da comunidade LGTBQ do país, muitas das quais são forçadas a esconder a sua identidade ou a viver no estrangeiro para evitar a perseguição. Em 2021, a maioria dos 1300 pedidos de asilo de senegaleses em França invocava a perseguição por conta da orientação sexual, segundo dados oficiais. Muitos dos habitantes desta nação da África Ocidental, de maioria muçulmana, acreditam que ser homossexual é um estilo de vida ocidental que está a ser imposto à sua sociedade, com manifestações ocasionais anti-LGBTQ que apelam a uma legislação mais rigorosa.

Vários meios de comunicação social informaram que a família do falecido tinha tentado enterrá-lo na cidade sagrada de Touba, no Senegal, mas as alegações de que ele era homossexual tinham precedido o enterro e a autorização foi recusada. Os seus familiares tentaram então enterrá-lo perto da sua casa, mas a vizinhança opôs-se, até que acabaram por lhe abrir uma sepultura no cemitério de Kaolack.

Algumas entidades religiosas condenaram publicamente o acto. Exprimindo a sua "profunda indignação e condenação categórica do ato repreensível que foi cometido contra um indivíduo pelo qual não temos qualquer responsabilidade em termos da sua vida privada".

Apesar de todos os direitos que temos vindo a adquirir em Portugal, e com a crescente onda de políticas de direita por toda a Europa, devemos estar alerta, lutar e ser solidários com os países nos quais ser homossexual ainda constitui um crime. No final de 2023, temos ainda 69 países – metade deles na África -  com leis que criminalizam a homossexualidade, muitos deles com a condenação à pena de morte. São estes países os seguintes:

Afeganistão

Arábia Saudita

Argélia

Antigua e Barbuda

Bangladesh

Barbados

Butão

Brunei

Burundi

Camarões

Catar

Chade

Singapura

Comores

República Dominicana

Egipto

Eritreia

Etiópia

Gâmbia

Gana

Granada

Guiné

Guiana

Iémen

Ilhas Cook

Ilhas Salomão

Irão

Jamaica

Kiribati

Kuwait

Líbano

Libéria

Líbia

Maláui

Malásia

Maldivas

Mauritânia

Ilhas Maurício

Marrocos

Mianmar

Namíbia

Nigéria

Território Palestino Ocupado (Faixa de Gaza)

Omã

Paquistão

Papua Nova Guiné

Quénia

São Cristóvão e Neves

Santa Lúcia

São Vicente e Granadinas

Samoa

Senegal

Serra Leoa

Síria

Somália

Sri Lanka

Suazilândia

Sudão

Sudão do Sul

Tanzânia

Togo

Tonga

Tunísia

Turcomenistão

Tuvalu

Uganda

Uzebequistão

Zâmbia

Zimbábue

 

Lutar pela igualdade e inclusão é lutar pelos direitos humanos, no entanto, tanta gente é ainda considerada criminosa ou impura devido à sua orientação sexual. Estejamos solidários e alerta.

 

Ricardo Falcato

 

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