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Intolerância crescente contra a população LGBTI na Polónia (com vídeos)

Foto: Silar Wikimedia CC BY-SA

Actualmente a Polónia tem vivenciado um aumento do discurso de ódio e discriminação contra as pessoas LGBTI. Exemplos disso são as situações, cada vez mais frequentes, de grupos organizados que invadem e perturbam desfiles de orgulho LGBTI realizados em várias cidades polacas.

 

Recentemente foi divulgado na internet um documentário relativo aos distúrbios provocados por grupos de hooligans (grupos com comportamentos desregrados e violentos) no primeiro desfile Queer ocorrido na cidade polaca Bialystok em 2019.

Apesar da polícia considerar esta cidade bastante calma e segura, afirmando que esta cidade pode mesmo ser considerada como uma das mais seguras da Polónia, a verdade é que esta cidade foi palco de violentas manifestações e confrontos durante este desfile de orgulho LGBTI.

Neste documentário é possível verificar pessoas com t-shirts contra a homossexualidade e a impedirem a passagem de uma jovem presente no desfile que tinha um compromisso agendado com uma estação televisiva, apenas porque esta tinha uma mala com as cores do arco-íris alusiva às questões LGBTI, afirmando que para eles o arco-íris é uma provocação e por isso mandaram-na embora.

Outra situação visível neste evento foi a circulação de uma carrinha com um megafone a proferir frases como: “Os homossexuais têm mais tendência para molestar frequentemente as crianças”; “Eles promovem a educação sexual nas escolas para as violar” e “Os homossexuais sofrem 100 vezes mais de VIH e IST”. Além disso, situações de agressão física e verbal, por parte de pessoas individuais e grupos contra o desfile, também foram uma situação frequentemente vivenciada pelas pessoas a favor e que participavam nesse desfile, tendo sido necessária a intervenção da polícia. Estes grupos de hooligans também rasgaram, pisaram e incendiaram a bandeira LGBTI e entoaram cânticos provocadores e desrespeitosos contra as pessoas LGBTI. Do lado oposto, era possível ouvirem-se palavras de ordem como: liberdade, respeito e tolerância.

Toda esta situação fez com que o desfile tivesse de ser escoltado pela polícia de forma a evitar que os grupos a favor e contra o mesmo se juntassem. Porém, os confrontos entre os manifestantes contra o desfile LGBTI e a polícia marcaram grande parte do mesmo e houve vários detidos e lançamento de gás lacrimogénio por parte da polícia.

Situações idênticas a esta foram verificadas nos desfiles de orgulho LGBTI realizados nas cidades polacas de Czestochowa, em 2018, e em Plock, em 2019, também eles divulgados na internet. Também nestes desfiles realizaram-se protestos, foram proferidos cânticos e insultos anti-LGBTI. Estes desfiles tiveram igualmente de ser escoltados pela polícia, fazendo uma barreira que impedia o contacto entre os grupos a favor e contra e houve várias tentativas de bloqueio de passagem do desfile por parte de nacionalistas de extrema-direita, conservadores e católicos. Em algumas dessas tentativas de bloqueio, estes grupos conseguiram mesmo interromper a marcha realizada em Czestochowa. Estes desfiles também foram marcados por várias detenções.

A par destas manifestações contra os desfiles de orgulho LGBTI, outro factor que torna visível o aumento de uma onda anti LGBTI na Polónia é a declaração por parte de algumas cidades como sendo “LGBTI free zone”, o que significa que estas cidades consideram que a ideologia LGBTI não é bem-vinda às mesmas.

Em Abril de 2020, cerca de 100 municípios, abrangendo cerca de um terço do país, declararam-se como sendo “LGBTI-free zones”. Apesar de este ser um acto essencialmente simbólico, os activistas consideram que estas declarações estigmatizam a população LGBTI.

Estas “zonas livres de LGBTI” surgem em resposta à declaração do Presidente da Câmara Municipal da Varsóvia, assinada em Fevereiro de 2019 e que consiste numa declaração de apoio aos direitos LGBTI. Nessa altura, o Presidente da Câmara Municipal da Varsóvia também anunciou a sua intenção de seguir as orientações da Organização Mundial de Saúde e integrar os temas LGBTI nos planos de estudo das escolas de Varsóvia.

Assim, e reforçando esta ideia do aumento da estigmatização desta população neste país, segundo o jornal PinkNews, um terço da Polónia declarou ser uma “LGBT-free zone”, tornando oficial a intolerância face a esta população. Verificou-se inclusive a assinatura de um compromisso, por parte dos municípios,  adoptando resoluções contra a propaganda LGBT.

Um Atlas do Ódio, criado por activistas, revela a extensão da Polónia que assinou esse compromisso, mostra que essa área é maior do que a Hungria. Essa área continuou a crescer depois do Parlamento Europeu aprovar uma resolução que condena fortemente o conceito de “LGBT-free zones”.

Estas medidas são descritas como parte de um contexto mais amplo de ataques contra a comunidade LGBTI na Polónia e que incluem um crescimento do discurso de ódio, ataques e proibições de desfiles de orgulho LGBTI e outras acções alusivas ao tema LGBTI.

Por fim, segundo o PinkNews, um factor que permite a ocorrência frequente destas situações está ligada ao facto dos crimes de ódio na Polónia impedirem pouco a verificação destas situações, uma vez que não abrangem a sexualidade ou a identidade de género.

 

Vídeo relativo ao documentário do desfile Queer na cidade de Bialystok, em 2019: 

Créditos: Visegrad Project

 

Vídeo relativo ao desfile de orgulho LGBTI na cidade de Plock, em 2019:

Créditos: RUPTLY

 

Vídeo relativo ao desfile de orgulho LGBTI na cidade de Czestochowa, em 2018: 

Créditos: RUPTLY

 

Tatiana Portela

 

Foto: Silar / CC BY-SA 

Bibliografia:

Wikipedia (s.d.). LGBT ideology-free zone. Consultado em 27 de Maio de 2020, pelas 19h.

PinkNews (2020). A third of Poland has now been declared an ‘LGBT-free zone’, making intolerance official. Consultado em 27 de Maio de 2020, pelas 21h.

 

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