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Judas: Bicha Portuguesa "Os sonhos são possíveis de realizar tanto para um homem branco ou um homem negro"

Judas Bicha Portuguesa

Judas é o mais recente artista que pretende revolucionar o estado da arte queer em Portugal.
Vamos conhecê-lo melhor nesta entrevista.

 

Qual foi a tua inspiração para lançares o single: “Safado”?

Escrevi a música Safado pelo facto de os meus amigos dizerem que eu nunca namorei e que sempre que conheço um boy as coisas nunca dão certo.

 

Como nasceu o projecto “Bicha Portuguesa”? Tem algum objetivo para a comunidade LGBTI?
O projecto nasceu durante o primeiro confinamento do início da pandemia covid-19. Eu já tinha escrito um número considerável de músicas e pensei se continuaria a lançar singles ou seria melhor lançar um álbum. O meu instinto lançou-me para o álbum. Foi então que liguei ao Franklin Beats e começamos a trabalhar.
O álbum “ A Bicha Portuguesa” faz parte da comunidade LGBTI e com ele o meu objectivo é continuar a abrir um caminho que é nosso por direito, o caminho da liberdade e do amor, o caminho em que os sonhos são possíveis de realizar tanto para um homem branco ou um homem negro, o caminho da igualdade.

Judas 2.jpg

Os sonhos são possíveis de realizar tanto para um homem branco ou um homem negro.

 

Sentes que estás a ajudar a comunidade LGBTI a expressar-se mais, sem ter medo, com a tua música?
Sinto que sim, e isso foi possível também graças a ajuda de inúmeros seres humanos incríveis que se sacrificaram para podermos ter essa possibilidade hoje. Então eu agarro essa possibilidade que eles nos deixaram para continuar a mostrar aos nossos irmãos e irmãs que a nossa vida é nossa e devemos vivê-la sem medos e sem receios. Claro que sem fazer mal ao próximo… Sou da paz. Mas sim, o Judas é mesmo isso, liberdade.

Judas Bicha Portuguesa.jpg

Como tem sido a jornada de ser um artista dentro da comunidade LGBTI, em Portugal? Sofreste de alguma discriminação? Como tem sido o apoio recebido pelas pessoas que te ouvem?
A jornada tem sido incrível, claro que com muito trabalho, mas tenho recebido apoio de pessoas incríveis que tive o prazer de conhecer pessoalmente e que têm sido essenciais na minha jornada e que por isso lhe agradeço.
A discriminação já me acompanha desde a minha infância, tanto no seio familiar como no social, escola, rua, etc…. Não só a discriminação, mas o racismo também.
As pessoas que me ouvem tem demostrado muito agrado e entusiasmo, mas onde elas ficam mais excitadas é mesmo nos meus concertos. É ali podem ter a experiência completa.

 

Achas que Portugal está a valorizar os artistas da nossa comunidade ou ainda são colocados de parte?
Claro que somos colocados de parte. Portugal valoriza os artistas que fazem sucesso no estrangeiro e também o que aparece na televisão, acabando por desvalorizar o imenso talento que cresce e existe na periferia, nos guetos e nos bairros. Não dando a oportunidade merecida, e o apoio necessário para a evolução e crescimento dos mesmos.

Portugal acaba por desvalorizar o imenso talento que cresce e existe na periferia, nos guetos e nos bairros. 

 

Onde te vamos poder ver nos próximos tempos?
Se Portugal me valorizar irão ver o Judas a fazer coisas incríveis. Se não valorizar irão ver também. A nossa comunidade precisa de artistas como nós.

 

 

Entrevista de João Oliveira